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Assassinos vão à escola (COM FOTOS)

Segundo maior massacre de sempre numa escola dos EUA levanta a questão: porquê, América?
23 de Dezembro de 2012 às 16:44
Os rostos inocentes da tragédia de Connecticut
Charlotte Bacon
Jessica Rekos
Chase Kowalski
Catherine V. Hubbard
Dylan Hockley
Jesse Lewis
James Mattioli
Os rostos inocentes da tragédia de Connecticut
Os rostos inocentes da tragédia de Connecticut
Ana Marquez-Green
Josephine Gay
Grace McDonnell
Os rostos inocentes da tragédia de Connecticut
A mãe do assassino, Nancy Lanza
Noah Pozner
Grace McDonnell
Emily Parker
Caroline Previdi
Os rostos inocentes da tragédia de Connecticut
Charlotte Bacon
Jessica Rekos
Chase Kowalski
Catherine V. Hubbard
Dylan Hockley
Jesse Lewis
James Mattioli
Os rostos inocentes da tragédia de Connecticut
Os rostos inocentes da tragédia de Connecticut
Ana Marquez-Green
Josephine Gay
Grace McDonnell
Os rostos inocentes da tragédia de Connecticut
A mãe do assassino, Nancy Lanza
Noah Pozner
Grace McDonnell
Emily Parker
Caroline Previdi
Os rostos inocentes da tragédia de Connecticut
Charlotte Bacon
Jessica Rekos
Chase Kowalski
Catherine V. Hubbard
Dylan Hockley
Jesse Lewis
James Mattioli
Os rostos inocentes da tragédia de Connecticut
Os rostos inocentes da tragédia de Connecticut
Ana Marquez-Green
Josephine Gay
Grace McDonnell
Os rostos inocentes da tragédia de Connecticut
A mãe do assassino, Nancy Lanza
Noah Pozner
Grace McDonnell
Emily Parker
Caroline Previdi

A matança de Newtown veio lembrar que é na América onde acontecem mais massacres nas escolas. Adam Lanza, 20 anos, alto, pálido e em quem ninguém reparava, dia 14, com duas pistolas semiautomáticas e uma espingarda de calibre .223 matou 27 pessoas, incluindo 20 crianças (entre cinco e dez anos) da sua antiga escola primária. Sobreviveram as que entraram num jogo diferente do seu.

A professora Victoria Sotto escondeu 20 alunos em armários da sala de aulas. Disse-lhes que ficassem em silêncio – era um jogo. Morreu sozinha, aos 27 anos. Em outra sala, uma menina de seis anos escondeu-se entre os corpos dos colegas: fez-se de morta. “Todos os meus amigos morreram”, disse ao ver a mãe. Não há nada mais aterrador do que um massacre numa escola. As armas não brincam.

Columbine, a 20 de Abril de 1999, devia ter deixado isso bem claro. Os estudantes Eric Harris e Dylan Klebold, de 17 e 18 anos, dispararam sobre colegas e professores. Mataram 13, feriram 21.

“Tenho um objectivo: destruir o que conseguir, o mais possível, e não posso ser traído pelos meus sentimentos de simpatia, misericórdia ou algo do género” – escreveu Eric. Já Dylan descreveu no seu diário ter “a existência mais miserável na história do tempo”. Um desenhava suásticas nos cadernos da escola; o outro, corações. Mas ambos estavam isolados.

PORQUÊ?

Ninguém sabe o que leva alguém a cometer crimes tão perversos, explica Carlos Poiares, professor de Psicologia Forense na Universidade Lusófona. Os dois colegas do Instituto Columbine queriam vingar-se dos colegas atletas que os ridicularizavam, só porque eram solitários e preferiam computadores à vida social escolar.

Mas pode não ter sido o mote para a matança. Levaram nove quilos de explosivos para o refeitório da escola, num ataque que fracassou. Do lado de fora, pegaram em armas semiautomáticas e espingardas e lançaram-se aos tiros: 49 minutos de massacre.

Os serviços secretos norte--americanos e o departamento de Educação definiram o perfil de jovens como Eric e Dylan: na maioria dos casos são depressivos e sentem-se perseguidos. E geralmente contam a outros colegas os seus planos. A socióloga Katherine Newman, que liderou o estudo, disse que “outros estudantes frequentemente até os incitavam. Não é um surto repentino”.



Outras características: em geral, são homens jovens, isolados e com experiência com armas.

Segundo Carlos Poiares, este perfil, “de alguma forma, corresponde à verdade. Mas não nos esqueçamos que a juventude é essencialmente muito vulnerável à pressão social. E esta vulnerabilidade acaba por pôr em questão o projecto de futuro, que pode ser preenchido por esta cultura, em que a violência parece suprir a incapacidade de atingir certos patamares”.

Para o professor de Psicologia Forense, falta à sociedade americana “perceber quais as razões para este tipo de comportamento. E, além do controlo das armas, promover a inclusão e, simultaneamente, combater os comportamentos transgressivos”.

O maior massacre de sempre numa escola americana remonta a Abril de 2007: Cho Seung--hui, estudante de 23 anos, matou a tiro 32 colegas e professores na universidade conhecida por Virginia Tech, em dois ataques, com duas horas de intervalo.

Pelo meio, Cho teve tempo para ir aos correios enviar ao canal NBC a sua visão dos acontecimentos, num vídeo onde posa com armas semiautomáticas nas mãos. Todos estavam avisados.

Dois anos antes, foi avaliado num centro psiquiátrico e, por ordem judicial, deveria submeter-se a terapia psicológica. “Vocês tiveram um bilião de hipóteses e formas de evitar este momento. Decidiram derramar sangue. Encurralaram-me e só me deram uma possibilidade. Agora, têm sangue nas mãos e nunca mais vão conseguir lavá-lo” – disse.

IMITAÇÃO DOS MASSACRES

Wellington, Cho Seung-hui, Eric Harris, Dylan Klebold, Adam Lanza todos se suicidaram. “Uma das razões pode passar pela incapacidade do sujeito em se confrontar com as consequências”, explica Carlos Poiares. Outra das características comuns a estes crimes é a imitação. O massacre de Columbine costuma ser o mais copiado. As escolas são o cenário mais escolhido por dois motivos: a fragilidade das vítimas; e porque muitos dos criminosos atribuem à escola a razão para os seus males.

“Os EUA, infelizmente, são o país que produz mais massacres. Compete tanto à sociedade americana como à comunidade internacional pensar o que diabo se passa num país onde ainda há a cultura do cowboy e do Faroeste, onde se fazem massacres constantemente”, questiona Carlos Poiares. Barack Obama já disse: “Não podemos tolerar mais isto. Estas tragédias têm de acabar, e para isso nós temos de mudar.”

Em Newtown, Adam Lanza começou por matar a mãe, por ironia, com as armas que esta coleccionava em casa – e também ela o iniciara no uso de armas. “Só demonstra como esta é uma pedagogia do terror e que acaba por provocar o terror nas cidades”, arremata Poiares.


A ONU estima que nas mãos dos americanos haja 300 milhões de armas de fogo – metade das legais que estão na posse de civis em todo o Mundo. Foi justamente com o arsenal da família que também o alemão Tim Kretschmer, aos 17 anos, se armou e entrou na sua antiga escola, em Winnenden, fardado de uniforme militar preto, e matou dez alunos (de 14 a 15 anos) e três professores. Na fuga matou mais três pessoas. E suicidou--se. Em casa da família, a polícia encontrou 18 armas legais. Sobre o rapaz, filho de um empresário, bom aluno, nada de estranho. Até este fatídico dia.

Vítima de bullying dizia ser o brasileiro Wellington Menezes de Oliveira. Esperou até aos 23 anos para voltar, armado, à Escola Municipal Tasso da Silveira, Realengo, no Rio de Janeiro. Acertou em 24 crianças e matou metade.

Era calado, sem amigos e passava muito tempo na internet. Wellington estava desempregado e tinha acabado de perder a mãe adoptiva. Suicidou-se. Deixou uma carta que explicava o fanatismo religioso e a razão para o massacre: a “impureza” nas crianças.

Estes casos mostram que não  é só nos EUA que acontecem massacres nas escolas. “Mas o que mais choca é o carácter recorrente com que isto acontece na América”, diz Carlos Poiares. “Passa por uma mudança de mentalidade e da legislação.
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