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Correio da Manhã

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Até parece que este palácio é o da Joana (COM VÍDEO E FOTOS)

Depois de Versalhes, a artista plástica expõe a sua obra na Ajuda. A partir de sábado há gatos e lobos nos aposentos da família real.
17 de Março de 2013 às 15:00
O Tetris inspirou a peça que foi introduzida nesta sala
Algumas das principais obras de Joana Vasconcelos tiveram de ser transportadas em vários contentores. Foi o caso do 'Lilicoptère', que quase não conseguiu passar pelas portadas
'Marilyn', obra composta por dois sapatos de mulher construídos com centenas de panela, ficará a dominar a Sala do Trono até 25 de Agosto
Chegadas aos espaços aos quais se destinavam, as obras tiveram de ser limpas
Entre tantas porcelanas, o enorme sapo colocado pela artista quase passa despercebido
Uma vespa azul coberta de crochet encontrou o seu lugar no quarto de cama da rainha Maria Pia
A desmontagem, transporte e montagem da exposição foi entregue a uma empresa especializada, que instalou uma grua e um passadiço junto à varanda do monumento nacional
Buracos dos preços que seguravam retratos dos príncipes foram aproveitados para pendurar esta cabeça de cavalo
A exposição abre ao público no dia 23, depois da inauguração oficial na véspera, e pode ser vista até 25 de agosto. O Palácio Nacional da Ajuda só encerra às quartas-feiras
O 'Petit Gâteau' vem adoçar o palácio que se tornou residência oficial da família real portuguesa em meados do século XIX
O Tetris inspirou a peça que foi introduzida nesta sala
Algumas das principais obras de Joana Vasconcelos tiveram de ser transportadas em vários contentores. Foi o caso do 'Lilicoptère', que quase não conseguiu passar pelas portadas
'Marilyn', obra composta por dois sapatos de mulher construídos com centenas de panela, ficará a dominar a Sala do Trono até 25 de Agosto
Chegadas aos espaços aos quais se destinavam, as obras tiveram de ser limpas
Entre tantas porcelanas, o enorme sapo colocado pela artista quase passa despercebido
Uma vespa azul coberta de crochet encontrou o seu lugar no quarto de cama da rainha Maria Pia
A desmontagem, transporte e montagem da exposição foi entregue a uma empresa especializada, que instalou uma grua e um passadiço junto à varanda do monumento nacional
Buracos dos preços que seguravam retratos dos príncipes foram aproveitados para pendurar esta cabeça de cavalo
A exposição abre ao público no dia 23, depois da inauguração oficial na véspera, e pode ser vista até 25 de agosto. O Palácio Nacional da Ajuda só encerra às quartas-feiras
O 'Petit Gâteau' vem adoçar o palácio que se tornou residência oficial da família real portuguesa em meados do século XIX
O Tetris inspirou a peça que foi introduzida nesta sala
Algumas das principais obras de Joana Vasconcelos tiveram de ser transportadas em vários contentores. Foi o caso do 'Lilicoptère', que quase não conseguiu passar pelas portadas
'Marilyn', obra composta por dois sapatos de mulher construídos com centenas de panela, ficará a dominar a Sala do Trono até 25 de Agosto
Chegadas aos espaços aos quais se destinavam, as obras tiveram de ser limpas
Entre tantas porcelanas, o enorme sapo colocado pela artista quase passa despercebido
Uma vespa azul coberta de crochet encontrou o seu lugar no quarto de cama da rainha Maria Pia
A desmontagem, transporte e montagem da exposição foi entregue a uma empresa especializada, que instalou uma grua e um passadiço junto à varanda do monumento nacional
Buracos dos preços que seguravam retratos dos príncipes foram aproveitados para pendurar esta cabeça de cavalo
A exposição abre ao público no dia 23, depois da inauguração oficial na véspera, e pode ser vista até 25 de agosto. O Palácio Nacional da Ajuda só encerra às quartas-feiras
O 'Petit Gâteau' vem adoçar o palácio que se tornou residência oficial da família real portuguesa em meados do século XIX

Joana Vasconcelos já conhece muito bem os cantos ao Palácio Nacional da Ajuda, mas acaba por ser o repórter fotográfico da Domingo a encontrar o interruptor, tão escondido quanto seria de esperar num edifício construído no início do século XIX, que acende as luzes do lustre que habitualmente domina a Sala do Trono. Não agora. Em baixo encontra-se já montada a imponente obra ‘Marilyn' - dois sapatos de salto alto, com cerca de três metros de altura, construídos com centenas de panelas -, que é um dos destaques da exposição que abre ao público no próximo sábado, mantendo-se até 25 de agosto.

"Vou ter uma oportunidade que não foi possível em Versalhes, que é fazer uma sucessão de grandes peças", explica a artista plástica nascida em 1971, referindo-se à exposição que no ano passado bateu recordes no palácio francês, com 1,6 milhões de visitantes. Agora, não só tem a hipótese de ter cinco das suas obras mais emblemáticas em espaços sucessivos da Ajuda - depois de ‘Marilyn', seguem-se ‘Coração Independente Vermelho', ‘A Noiva', ‘Lilicoptère' e ‘Royal Valkyrie' -, como lhe foi permitido deixar a sua marca nos aposentos da família real.

"Quis mostrar que se pode integrar arte contemporânea num espaço do passado. Para criar um discurso coerente é preciso entender os lugares e encontrar as peças que se adequam, para não ser uma decoração e sim uma integração", refere Joana Vasconcelos, cuja exposição resulta de uma parceria entre a Direção-Geral do Património Cultural e a promotora de espetáculos Everything is New.

Algumas dessas obras quase se fundem no que já existia, como um sapo de cerâmica Bordalo que encontrou lugar entre as muitas porcelanas da Sala Rosa, enquanto noutros casos salta à vista que D. Luís e D. Maria Pia não conviviam com vespas e lagostas gigantes.

"A Joana soltava um ‘ah!' a cada sala em que entrava e começava a pensar. Foi muito engraçado ver a evolução da exposição, pois foram aparecendo peças que de início não estavam previstas. À medida que conhecia melhor os espaços, mais depressa se inspirava", diz Isabel Silveira Godinho, que se empenhou numa exposição que encerra décadas à frente do Palácio Nacional da Ajuda, de que deixará de ser diretora no fim deste mês.

Teve até direito à satisfação de um pedido para animar a pequena sala de jogos dos filhos dos reis de Portugal. "Ponha lá um bichinho querido, para os meus príncipes se entreterem", disse, ao que Joana Vasconcelos respondeu com um gato assanhado, com a cauda virada para o teto. Alguns metros atrás, dois lobos, também de cerâmica e também cobertos de croché, soltam uivos surdos para a Lua.

 


GRUAS E CAIXOTES

A poucos dias da inauguração oficial, marcada para a próxima sexta-feira, e da abertura ao público, no dia seguinte, não havia mãos a medir para ter tudo pronto. Se algumas obras entraram pelas escadas, outras foram içadas. Daí que a varanda tenha tido como acrescento temporário um passadiço, assente numa estrutura metálica, onde uma grua foi descarregando caixotes com obras de arte (inteiras ou em partes), que foram introduzidas no palácio por uma equipa especializada.

Apesar de trabalhar há muito tempo com a Iterartis, empresa de transporte, montagem e desmontagem de obras de arte, Joana Vasconcelos admite alguns nervos. "Até ao fim, há o stress de ver se tudo corre bem, se não se estraga nada e se as peças ficam bem iluminadas e montadas", diz, sublinhando que tem "muitas preocupações além da obra", pois expor num palácio é muito diferente de fazê-lo num museu.

Tal preocupação não transparece quando se dá um ligeiro problema: um dos quatro caixotes com partes do ‘Lilicoptère', o helicóptero revestido a folha de ouro, decorado com brilhantes Swarovski e coberto de plumas de avestruz, feito em 2012 para a exposição de Versalhes, é demasiado largo para as portadas que dão acesso à Sala dos Archeiros, o monumental salão oval que é revestido a mármore.

"É melhor desmancharmos aqui fora e levarmos a peça em peso lá para dentro...", sugere um dos membros da equipa. É o que terá de acontecer com o caixote seguinte, onde se encontra a cabina do helicóptero, mas neste caso ainda há margem de manobra, após minutos de impasse e cálculos, para resolver o problema sem maior dano para o património nacional do que umas lascas de tinta ressequida caídas no chão.

Mais fácil fora, minutos antes, a manobra para içar ‘A Noiva', o emblemático lustre formado com tampões higiénicos que foi vetado pelos responsáveis da exposição de Versalhes, o que teve o condão de irritar a autora. "Encarei mal, porque é uma peça fundamental da minha obra, pelo que é extraordinário poder agora mostrá-la", diz Joana.

Já em processo de montagem estava ‘Coração Independente Vermelho', inspirado nas peças de filigrana. Todo o cuidado na limpeza do pó não impediu que um dos garfos de plástico pintados de vermelho que compõem a obra se tenha soltado, sendo rapidamente reposto no sítio a que pertencia.


PÔR A AJUDA NO MAPA

"Redescobrir a Ajuda é fundamental. Cada vez que cá venho fico orgulhosa de ser portuguesa e quero transmitir essa sensação aos outros", diz a artista, que espera contribuir para o aumento da afluência de visitantes. Por seu lado, Isabel Silveira Godinho ressalva que é "perita em conservação, restauro e publicação", mas não em previsões de afluência. No entanto, concorda que vai ganhar visitantes.

Recolocar o Palácio Nacional da Ajuda no mapa turístico de Lisboa torna-se um desafio devido à forte concorrência. "Desde que Belém se tornou um local privilegiado, em que há nove museus, restaurantes, bancos, repuxos e também os pastéis de Belém, os turistas vão lá e sentem-se confortáveis. É preciso ter muita curiosidade para vir à Ajuda", reconhece a sua diretora. Para minorar o problema, a Everything is New prevê autocarros gratuitos desde Belém.

A exposição ficará patente até quase ao final do verão, altura em que talvez haja alguma dificuldade em discernir o que é preciso retirar e o que já lá se encontrava. Poderá ficar alguma peça no Palácio? "Não creio, porque muitas delas pertencem a colecionadores. Outras foram feitas de propósito, como se estivessem desde sempre aqui, mas vão continuar as suas vidas noutras exposições, noutros palácios e noutras casas", diz a artista.

Tendo em conta que implicaram a recolha de muitas peças de mobiliário - não só devido à dimensão das obras mas também porque, no caso da sala que acolherá a peça ‘A Todo o Vapor', era preciso protegê-las da humidade, mesmo depois de ser instalada uma ventilação especial -, acreditará a artista que a família real aprovaria as alterações temporárias que fez ao seu palácio?

"Espero que sim", responde, entre risos. "Até gostaria muito que eles me dissessem o que pensam das intervenções que fizemos. Mas a maior conquista seria que quisessem ficar com algumas das obras." Minutos depois, a diretora do Palácio garante o aval por interposta pessoa: "A rainha Maria Pia seria a primeira compradora das peças da Joana."

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