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BERLIM: CIDADE (RE)UNIFICADA

Capital do Brandeburgo, da Prússia e do Império Alemão, a cidade foi dividida após a II Guerra Mundial, passando a capital apenas da RDA.Só em 1990 Berlim voltou a assumir o papel da capital da Alemanha unificada. Da Torre da Televisão podemos ter uma vista rotativa de toda a vizinhança, enquanto saboreamos um café.
23 de Março de 2003 às 15:50
Banhada pelo rio Spree, Berlim nasceu como cidade no séc. XIV, no século seguinte desempenhou o papel de capital do Brandeburgo, em 1701 da Prússia e entre 1871-1945 do Império alemão. Após o final da II Guerra Mundial, a cidade foi dividida pelo célebre Muro de Berlim, do lado Ocidental formou-se a República Federal da Alemanha – capital em Bona – e a Leste formou-se a República Democrática Alemã, de que era capital. Com a queda do Muro de Berlim, em 1989, a cidade foi reunificada e assim reassumiu o seu papel de capital da Alemanha unida.

Hoje em dia podemos dizer, tal como disse o presidente Kennedy, aquando da sua visita à cidade, "somos todos berlinenses".

A NOVA BERLIM

Hoje é uma cidade de cultura, moderna, arejada e com um estilo de vida próprio das grandes metrópoles. Símbolo da nova Alemanha é o Reichstag, construído entre 1884 e 1894, tinha como objectivo servir de Parlamento. Trata-se de um edifício em estilo neo-renascentista, projectado por Paul Wallot, que em 1916 recebeu um acrescento na fachada, a inscrição "Ao Povo Alemão". Mas em 1933 um incêndio destruiu a sala principal, com o eclodir da II Segunda Guerra Mundial, o edifício não foi de imediato reconstruído, só a partir de 1957 e reconstrução teve início terminando apenas em 1972. A 23 de Junho de 1995 e artista Christo e a esposa, Jeanne-Claude, embrulharam o Reichstag em tecido brilhante que aí permaneceu durante duas semanas. Entre 1995 e 1999 decorreu o último projecto de reconstrução, da autoria de Sir Norman Foster, que transformou o Reichstag num salão moderno, com uma cúpula elíptica e uma galeria. Após o fim das obras, a 19 de Abril de 1999 teve lugar a primeira sessão parlamentar.

De visita obrigatória e o Brandenbur-ger Tor – ou Porta de Brandenburg – esta magnífica estrutura neoclássica da autoria de Carl Gotthard Langhans, e baseada no Propilei Ateniense (entrada da Acrópole), é o ex-líbris da cidade. Erigida entre 1778 e 1791, cujas decorações esculpidas apenas ficaram completas em 1791, tem dois pavilhões que emolduram a sua colunata dórica coroada por um entablamento. Os baixos relevos mostram cenas da mitologia grega e toda a estrutura é coroada pela famosa escultura da ‘Quadriga’, de início considerada um símbolo da paz, foi em 1806 desmontada durante a ocupação francesa e levada para Paris. Em 1814 foi devolvida e passou a simbolizar vitória. A deusa recebeu o bastão levado pela águia prussiana e a cruz de ferro com a coroa de louros. A Porta de Brandenburg está localizada em Berlim Leste, foi restaurada entre 1956 e 1958 e a ‘Quadriga’ foi reconstruída em Berlim Ocidental.

A estrutura mais alta da cidade é o Fernsehturm, ou Torre da Televisão, que os habitantes locais chamam de Telespargel, ou Palito. Com 365 metros de altura, é a segunda mais alta da Europa, foi construída em 1969 sob o projecto de uma equipa de arquitectos, no entanto, a ideia para a construção desta colossal torre surgiu muito antes, pela mão de Hermann Henselmann.

A Torre da Televisão é visível de quase todos os pontos de Berlim, uma das atracções é o café rotativo, uma rotação completa demora cerca de meia hora, permitindo uma vista aérea de toda a cidade enquanto se toma um café. Outra das atracções é a plataforma panorâmica, situada dentro da esfera gigante, em aço, que fica a 203 metros de altura.

O PROTESTANTISMO

Sem dúvida o maior símbolo, na cidade, da religião protestante é o Berliner Dom, uma catedral que foi construída entre 1747 e 1750 para servir de igreja e mausoléu da família Hohenzollern. A primeira Berliner Dom era de desenho barroco, mais tarde – entre 1816 e 1821 – foi remodelada em estilo neoclássico.

Actualmente tem uma estrutura neobarroca, obra de Julius Raschdorff realizada entre 1894e 1905. No exterior é ornamentada por figuras dos apóstolos, no interior os tectos dos nichos mais pequenos da catedral estão decorados com mosaicos dos quadros evangelistas. Os vitrais das janelas das absides, mostram cenas da vida de Jesus. A relíquia mais antiga da catedral é o Túmulo do Eleitor – datado de 1530 – e talvez a mais bela seja o Órgão de Sauer – requintadamente esculpido em madeira.

A NOVA ARTE

Depois de II Segunda Guerra Mundial, chegou a Berlim Ocidental uma magnífica colecção de arte moderna, que exigiu a construção de um novo edifício. Assim surge o Neue Nationalgalerie, pela mão do decano da arquitectora moderna, Mies van der Rohe. Com um telhado de aço sobre um átrio de vidro, apoiado apenas em seis delgadas escoras interiores, este museu guarda a arte do séc. XX, onde encontra obras dos movimentos alemães e obras de representantes de um realismo grosseiro. Os artista mais famosos de outros países europeus também aqui se encontram, é o caso de Pablo Picasso, Ferdinand Léger, Salvador Dalí, entre outros.

No entanto as mais recentes obras de arte moderna podem ser apreciadas no Hamburger Bahnhof. Trata-se do edifício de uma antiga estação de caminhos-de-
-ferro, datado de 1847 e convertido em museu. Depois de ser alvo de uma profunda restauração, o museu abriu portas em 1996 e desde esta data é considerado um dos melhores museus de arte moderna da Europa, que para além de arte representativa tem também, ao dispor do público, filmes, vídeo, música e ‘design’.

Mas o que não pode mesmo deixar de visitar é a East Side Gallery, trata-se da mais extensa secção ainda existente do Muro de Berlim (cerca de 1 300 metros), que em 1990 se tornou uma galeria ao ar livre. Aqui está exposta uma mistura de pinturas, mais propriamente de graffiti, de 118 artistas de 21 países.

A NATUREZA NA CIDADE

Uma das maiores atracções de Berlim é o Jardim Zoológico, datado de 1844, possui um dos maiores aquários da Europa e é o mais antigo da Alemanha. De visita obrigatória é o Botanischer Garten, o Jardim Botânico, criado em finais do séc. XIX, está envolvido por um ambiente romântico com colinas e lagos pitorescos. Trata-se de um dos maiores jardins botânicos do mundo, as plantas mais populares são as exóticas como orquídeas e os cactos. Aqui encontra também o Museu Botânico onde existe uma excelente colecção de plantas.

Um pouco por toda a cidade encontrará vestígios do que foi a cidade durante a divisão entre Ocidente e Leste. Um percurso que deve ser feito tendo em mente a História recente que marca a Humanidade e a Alemanha em particular. Se puder passe pelos locais que foram marcados pela presença de berlinenses famosos como Bertolt Brecht, os irmãos Grimm, o filósofo Hegel, Theodor Fontane, Richard Strauss, Bartholdy, Robert Koch, Herbert von Karajan, Albert Einstein e a eterna diva Marlene Dietrich. n

GUIA DE BERLIM



Localização: Europa Central
Área: 357.868 km2
Fuso horário: 1 hora
Moeda: euro
Língua oficial: alemão e turco
Indicativo telefónico: 004930
População: 3.400.000 habitantes
Religião: protestante e cristã
Regime de governo: democracia

Como ir: É apenas necessário Bilhete de Identidade válido. É bom ter o cartão de vacinas em dia.

Onde voar: Todas as grandes companhias aéreas europeias fazem a ligação de Lisboa às principais cidades da Alemanha. No entanto recomenda-se a Lufthansa, que tem voos diários entre Lisboa e Berlim.

Obrigatório ver e fazer: Reichstag (Parlamento), Porta de Brandenburg, A Torre da Televisão, Basílica de Berliner Dom, Cruzeiros no rio Spree, Museu Neue Nationalgalerie, Museu Hamburger Bahnhof, East Side Gallery, Jardim Botânico, Museu Botânico, Vestígios da cidade dividida.
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