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Bispos Portugueses e pedofilia

O Papa deu ordem para que todos os padres e freiras denunciem os abusos sexuais de que tenham conhecimento.
Maria Filomena Mónica 26 de Maio de 2019 às 09:00

No último dia 9 de maio, o Papa divulgou um ‘motu proprio’ em que decreta a obrigatoriedade de todos os padres e freiras denunciarem às autoridades da Igreja os abusos sexuais de que tenham conhecimento, tendo definido um prazo de 90 dias para que tais casos sejam investigados, sem prejuízo da comunicação "às autoridades civis competentes". 

dioceses, decretou ainda, terão um ano para estabelecerem sistemas de inspeção facilmente compreensíveis. Já não se trata de desejos pios do Vaticano, mas de ordens. A denúncia é agora obrigatória, com "indicações do tempo e local dos factos e das pessoas envolvidas".

Tal como se estipula no Código de Direito Canónico, o segredo da confissão mantém-se. No entanto, num país como Portugal em que ninguém, dos psiquiatras aos advogados, passando pelos júris universitários, respeita o segredo profissional, tenho dúvidas de que isto se cumpra. Mas compreendo que o Papa se lhe tenha referido.

‘Vos Estis Lux Mundi’, assim se intitula o decreto papal, deve ter provocado insónias a vários bispos, desde logo aos do Porto, Santarém, Lamego e Funchal, que tinham demonstrado resistências ao estipulado nas recentes diretrizes da 196ª Conferência Episcopal Portuguesa, no sentido da constituição em todas as dioceses de instâncias de prevenção e acompanhamento para a proteção de menores.

Pensei que os bispos portugueses iriam ter cuidado com o que diziam após o que veio a público sobre o comportamento dos cardeais McCarrick, Pell e Barbaron – fortemente penalizados pela hierarquia, incluindo, no caso do primeiro, a demissão do estado clerical –, mas não foi isso que aconteceu.
O Bispo do Porto, D. Manuel Linda, não só declarou que, na sua diocese, não seria criada uma comissão do tipo da anunciada por D. Manuel Clemente, como afirmou que, a existir tal organismo, era sempre possível que "alguém voltasse a fazer asneiras". E mais: "Ninguém cria, por exemplo, uma comissão para estudar os efeitos do impacto de um meteorito na cidade do Porto." De facto, não vale a pena, visto aquela cidade já conhecer os efeitos de um outro, a Casa da Música, que num dia de nevoeiro ali aterrou.

A arte de ser feliz, segundo Schopenhauer

Este livro é notável. Na regra nº 24 defende que, durante a segunda metade da vida, a inquietação perante a desgraça instala-se na alma, substituindo a aspiração insatisfeita dos primeiros anos. Para o filósofo, "a maneira mais segura de uma pessoa não se sentir miserável consiste em não esperar ser feliz". Estou de acordo.

Os monstros por detrás da retórica

Os três ensaios reunidos neste livro de H. M. Enzensberger falam do estado da Europa após o colapso do Muro de Berlim. Esta obra (de 1990) ajuda-nos a pensar os temas da nação, dos refugiados e dos emigrantes, habilitando-nos a responder às loucas declarações que Macron proferiu, a 9 deste mês, na Roménia.

Leiam e meditem

Dentro ainda do tema do nacionalismo, recomendo este livro de R. Rorty. Eis como começa: "O orgulho nacional é, para os países, o que o respeito próprio é para os indivíduos [...]. O orgulho nacional exagerado pode conduzir ao belicismo e ao imperialismo, tal como o respeito próprio exagerado pode levar à arrogância."

Fugir de:

Como é usual, o Estado comporta-se de forma indigna: exige que cada um de nós possua um cartão de cidadão, mas é incapaz de no-lo fornecer a tempo e horas. Na loja das Laranjeiras em Lisboa - para só citar um caso - todos os dias podemos ver uma fila de pessoas à espera de ser atendidas. Se pensam que podem ‘agendar’ o ato, notem que, na capital, isso só é possível a partir de 22 de agosto. Que tal uma ida até Bragança?

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