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Cães, gatos, iguanas e peixes que são muito lá de casa

'Amílcar Cabral’ espreguiça-se bem longe da clandestinidade do PAIGC e da luta armada contra a metrópole. O gato de Clara Pinto Correia herdou o nome do dirigente nascido na Guiné e assassinado em 1973, mas está mais interessado em afastar-se da ‘prima’ iguana que com ele partilha um andar na zona histórica lisboeta e por agora está na mão da dona.
21 de Outubro de 2007 às 00:00
Se falasse diria que um lagarto verde estaria bem melhor no terreiro de onde habitualmente espreita a casa. De vidro transparente mas bem seguro.
Mas contrariado é que ‘Amílcar’ – tratado carinhosamente por ‘Micos’ e oferecido a Clara pelo escritor Urbano Tavares Rodrigues – não ficará de certeza, vantagem de ter duas casas e uma janela que pronuncia liberdade sem ser preciso miar muito alto: desde que esteja aberta, ‘Amílcar’ abala sem trouxa nem farnel. É o que dá ter dois refúgios sem qualquer divisão sazonal ou semanal. Chama-se partilha de vizinhos.
A iguana não tem essa sorte. Nem nome: ficou iguana para quem a quiser chamar. A isso poucos se atrevem, é certo. “O meu empregado tem medo dela, então a solução é fechá-la numa gaveta enquanto ele limpa o terreiro”, conta a bióloga, com a iguana na mão.
Amigos há que a visitam em casa, que se enchem de coragem e pedem para mexer na iguana. “Mas logo desistem, quando ela começa a agitar as patas”, assegura Clara, que já tem o pequeno lagarto há quinze anos.
E como se lembrou a bióloga de ter uma iguana como animal de estimação? “Elas têm uma dignidade e uma nobreza pré-históricas que me fascinam; além de que são os animais mais fáceis de manter”. Comida uma vez por semana e limpar de 15 em 15 dias. Parece fácil. Até porque a iguana não crescerá mais: ditam as leis da espécie que só alcancem a dimensão do terreiro, que é como quem diz, à proporção do espaço.
Mais atenção requer o outro habitante lá de casa. Desse, o ‘Amílcar’ já não foge – são até “muito amigos”.
A ‘Bolota Bucarena’ tem cinco anos e até já foi com Clara Pinto Correia em peregrinação a Santiago de Compostela. A cadela não passa indiferente a todos quantos visitam a bióloga e os dois filhos: recebe as visitas com... almofadas.
“Quando alguém entra em casa a ‘Bolota’ vai logo buscar uma almofada para entregar à pessoa” – desde que essa lhe agrade. Não é difícil, então, imaginar que o apartamento tem encostos fofinhos por tudo o que é canto. E que a roupa de todos tem pequenos buraquinhos que os dentes da mais nova da casa fazem.
É outra das “manias” da cadelinha, que quando gosta muito de alguém agarra (carinhosamente) a pessoa pelo pulso para a puxar. ‘Bolota’ era de um criador de cães da Quinta do Talaminho, de onde veio directamente para a Baixa da cidade de Lisboa pela mão de Clara e os dois filhos adolescentes.
Já a sair da adolescência estava Patrícia Candoso quando o ‘Bernardo’ chegou.
O ‘Bernardo’, o gato, apagou este ano as velas do oitavo aniversário, mas assentou arraiais na casa da actriz e cantora quando tinha apenas três meses. “Era tão pequenininho, cabia na palma da nossa mão”, recorda a jovem hoje com 26 anos. O ‘Bernardo’ é da família, por isso, o nome tinha de ser de pessoa – explica a dona do curioso gato que não passa despercebido. E menos passaria se não fosse “tão medricas” e o medo de sair de casa o não fizesse baixar as orelhitas felpudas e esticar as patas da frente. Mas raramente eriça o pêlo, como é tão frequente nos outros felinos. Patrícia assim o garante. “E não é nada arisco, as pessoas podem fazer-lhe trinta por uma linha que ele nunca se zanga – os nossos amigos (dela e do marido, o actor João Catarré)vão lá a casa vê-lo porque é mesmo meiguinho”. E porque ele não sai à rua.
A cantora arrisca mais diferenças com o resto da ‘classe’: “o ‘Bernardo’ é o gato mais dependente que conheço, só está feliz quando está ao pé de alguém e, de preferência, a receber toneladas de mimos”. Esperto. “É o ‘Garfield’ lá de casa”. E só ficamos sem saber se, tal como o famoso gato da TV, o ‘Bernardo’ também adora lasanha, ver televisão e se tem gigantescos ataques de sono. E medo de aranhas...
Tó Romano, director da Central Models, não terá medo de aranhas, mas os seus amigos de estimação são mesmo... os peixes. Ciclídeos africanos – assim se chamam – que vieram de longe, das profundezas do Lago Malawi e que Tó não se cansa de admirar.
Até porque o gosto pela aquariofilia não é recente.
Com 16 anos construiu o primeiro aquário: mas construiu “mesmo”. Fez tudo de raiz, cortou, mediu, colou. “Começou por ser um hóbi de adolescência, mas interrompi durante uns anos porque na altura o aquário precisava de muita atenção”. Anos depois, em 1998, esteve nas Maldivas com a mulher, Mi, e mergulhou em “cenários alucinantes, como se estivesse dentro de um aquário”.
No mesmo ano, a Expo em Portugal e um par de encontros sobre aquariofilia que o irmão organizou voltaram a despertá-lo para o mundo subaquático.
Na hora de optar pelos habitantes do novo aquário, Tó preferiu então os ciclídeos do lago Malawi – “que têm um colorido que faz lembrar os peixes tropicais de água salgada”.
A cor é mesmo uma das características que mais fascina o director da agência de modelos. “É como um relógio de vida, as famílias de ciclídeos vão mudando de tonalidade – podem ser pretos às pintinhas e transformar-se num vermelho metalizado inebriante, por exemplo”, explica.
Mas não só. A reprodução destes peixes, que se faz pela boca, consegue prender Tó Romano ao aquário. Um ritual fascinante, descreve. “A fêmea tem os ovos na barriga e expele-os na companhia do macho – eles saltam para a pedra mais plana onde são fecundados pelo macho, que os põe na boca”.
Os peixes nascem dentro da boca do ‘pai’ e passam os primeiros dias aí, protegidos.
“É uma cerimónia lindíssima”, diz Tó, que já teve ao longo da vida 100 espécies diferentes de peixes. Para o empresário ter um aquário funciona como um “aliviador de stress”. Rejeita a ideia de que os peixes são ‘bichos’ mais distantes das pessoas do que os cães ou os gatos. “Acabamos por perceber a personalidade de cada peixe e há uma interacção muito grande entre eles e o dono, pedem comida e tudo”.
Hoje são cerca de 30 ciclídeos. Em 300 litros de água. Com a casa em mudanças, Tó Romano levou o aquário para o estúdio de um amigo, mas garante que os vai buscar logo que possa. Afinal de contas, são os seus animais de estimação. E fazem falta lá em casa.
CÁ DENTRO E LÁ FORA, BICHOS E DONOS QUE DÃO QUE FALAR (NEM SEMPRE PELO MELHOR)
George Clooney ficou tristíssimo quando o seu porco de estimação morreu. Na altura, o actor chegou a dizer que tinha sido o relacionamento mais longo da sua vida. Pelo contrário, a socialite Paris Hilton não demonstra o mesmo apreço pelos animais: foi considerada a ‘pior dona de cão’ numa votação da internet. Além da cadelinha que todos lhe conhecem terá tido também um chimpazé, ‘Baby Luv’. Lá fora, os cães acompanham os presidentes para todo o lado – caso de Putin, Bush, Clinton, que não largam os seus animais nem em recepções oficiais. É uma forma de humanizar o poder. Já o ‘Gastão’, de Ferro Rodrigues, só foi falado quando desapareceu.
TÓ ROMANO
Uma mudança na decoração da casa obrigou-o a levar, por uns tempos que espera curtos, o aquário para o estúdio de um amigo. Mas não se abstém de levar comida e alguns pormenores decorativos novos: como conchas e pedrinhas. Tó é apaixonado por aquários desde a adolescência, altura em que construiu o primeiro.
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