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CÃO QUE LADRA NÃO MORDE

As adaptações para o grande ecrã dos desenhos animados Hanna Barbera têm-se revelado desastrs após desastre. Entre Os Flinstones e este Scooby-Doo, venha o diabo e escolha. Deve ser uma maldição em Hollywood
12 de Julho de 2002 às 17:54
CÃO QUE LADRA NÃO MORDE
Poucos foram os miúdos que não acompanharam as aventuras de Scooby-Doo, um cão medricas e desastrado que tinha como grito de guerra a famosa expressão Yaba Yaba Doo! Ele era um dos bonecos mais carismáticos produzidos pela chancela Hanna Barbera, uma dupla composta por William Hanna e Joseph Barbera e que deu origem a desenhos animados que fizeram história como Os Flinstones e Os Jetsons. Mas entre a divertida série animada e esta longa-metragem qualquer semelhança é pura coincidência.

No filme, que deve ser um sucesso de bilheteiras deste Verão, Scooby-Doo é o companheiro inseparável de um grupo de amigos que poderiam ser os Famosos Cinco não fosse Enid Blyton já deter a “patente” e que passam as horas livres a desvendar fantásticos mistérios. Ao contrário do divertido Shaggy (Matthew Lillard), do galã Fred (Freddie Prinze Jr.), da vamp Daphne (Sarah Michelle Gellar) e da espertalhona Velma (Linda Cardellini), Scooby Doo não é de carne e osso, mas um holograma digital, resultado das tecnologias de ponta da sétima arte. Não é daí que vem mal ao mundo.

O problema está mesmo no “produto final” esculpido pelo realizador Raja Gosnell, que tem no currículo de filmes menores como Sozinho em Casa 3 e Nunca Fui Beijada. Pois bem, ele conseguiu juntar num só filme os piores clichés que pululam na indústria cinematográfica norte-americana. É obra.

Há gags que roçam o primarismo. Exemplo disso, é o concurso de arrotos e flatulências entre Shaggy (que irritante é a sua voz) e o cão digital que poderia arrebatar o prémio de pior cena de comédia de 2002. As piadas sexuais que Sarah Michelle Gellar debita não parecem muito apropriadas para um filme dirigido ao público infantil. A “caçadora de vampiros” está, aliás, no seu pior. Ainda poucos perceberam que outros atributos, que não os físicos, tem a jovem actriz.

Depois há aquela mania “americanóide” de exportar para o resto do planeta os gostos musicais e gastronómicos. Não faltam cenas em que as personagens comem pizzas atrás de pizzas e hambúrgueres carregados de ketchup e outros molhos de aspecto plástico. Plástica é também a banda sonora, que é composta por todos os subprodutos e mais alguns da pop mais mainstream.

Mas o maior mistério de Scooby-Doo é a presença de um cómico como Rowan Atkinson, o fabuloso Mr. Bean, que se arrasta no papel do malvado(?) Emile Mondavarious. Quanto aos restantes actores, deixamos apenas uma questão no ar. Não os poderiam ter substituído também por bonecos virtuais? Sempre faziam melhor figura.
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