Capitão Fausto: “A esperança está nas entrelinhas"

Entre Lisboa e o Brasil, com uma certa visão do tropicalismo, ‘A Invenção do Dia Claro’ é o quarto disco da banda.
Por Vanessa Fidalgo|17.03.19
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Capitão Fausto: “A esperança está nas entrelinhas"
Foto Matilde Travassos

Ao quarto disco, os Capitão Fausto já estão bem crescidinhos e falam-nos de assuntos sérios, como a capacidade de "encontrar e criar otimismo na fatalidade das coisas", segundo o baixista Domingos Coimbra. Um tema bem português, com um cheirinho a Brasil, onde o novo álbum foi gravado.

‘A Invenção do Dia Claro’. O que nos diz este título?

O título é de Almada Negreiros e achámos que fazia sentido para a história que está a ser contada, não necessariamente por existir uma correlação entre ambos ou que as letras do nosso álbum sejam consequência da leitura do livro de Almada, mas por feliz coincidência quando nos deparámos com o título do livro fez-nos sentido e verificámos algumas semelhanças na mensagem passada. ‘A Invenção do Dia Claro’ é sobre conseguirmos encontrar e criar otimismo na fatalidade das coisas, sejam elas quais forem. Há fatalidade porque tudo é finito. No entanto, este disco tem talvez uma mensagem de esperança nas entrelinhas.

Foi gravado no Brasil... o que vos levou a cruzar o Atlântico?

Levou-nos o simples facto de ser uma experiência fascinante a ideia de gravar fora da nossa zona de conforto. Adorámos lá estar e queremos muito voltar. Sentimos um choque no dia a dia, pois acordávamos numa cidade completamente diferente, grande, tropical, para gravar e íamos a pé para o estúdio todos os dias. Ao mesmo tempo que gravávamos tivemos essa coisa incrível de nos deixarmos contagiar pelo ambiente, pelas pessoas e pela cultura.

São Paulo influenciou de alguma forma a sonoridade do disco?

Quando fomos gravar já tínhamos as músicas compostas, mas desde cedo sabíamos que o disco seria gravado lá, o que, inconscientemente, nos deixou abertos a novos estímulos e, se calhar, aquela que é a nossa visão muito europeia de um qualquer tropicalismo.

Que participações tiveram? O que lhes deu origem?

Quando soubemos que íamos gravar a São Paulo quisemos reunir um pequeno ‘ensemble’ de choro. Não era nosso objetivo fazer um disco de música brasileira, mas queríamos pelo menos testar instrumentos tradicionais de música brasileira em canções nossas, que têm uma linguagem radicalmente diferente. O ‘ensemble’ tinha um pandeiro, um cavaquinho e flauta, que vão aparecendo de forma ligeira e quase escondida. São quase segredos durante o disco e foram tocados pelo Eduardo Pereira, o Geremias Tiófilo Jr. e o Gabriel Peregrino. Quisemos também ter vozes femininas, e por isso em Portugal convidámos a Catarina Wallenstein, a Constança Rosado e a Madalena Tamen. Em Alvalade, enquanto produzíamos as canções, convidámos o Laurent Rossi (trompa), a Jéssica Pina (trompete/flughelhorn), o Humberto Araújo (flauta transversal e flautim) e o Fernão Biu (clarinete) para gravarem sopros connosco.

Um disco que fala de relações humanas. Porquê?

Todos os nossos discos falam de relações humanas e na verdade a grande maioria das canções, dos quadros, dos filmes e das peças de teatro são de uma forma ou de outra sobre relações humanas. Mudam os intervenientes, as histórias, os motivos, os sentimentos, a época, mas a pertinência mantém-se. Não há nada mais fascinante do que o ser humano porque é a partir de nós que tudo existe e tudo é.

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