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Comédia em modo furacão

De regresso aos palcos nacionais, o ator Fábio Porchat explica o sucesso da ‘Porta dos Fundos'.
16 de Dezembro de 2013 às 15:00
Porchat atuou em Lisboa e no Porto. São 50 minutos a falar sem parar
Porchat atuou em Lisboa e no Porto. São 50 minutos a falar sem parar FOTO: D.R.

Alô, Judith falando." Se não viu o sketch em que Fábio Porchat tenta cancelar o seu contrato de TV e telefone, então a t-shirt que mostra a Judith pintada de azul não faz sentido. Mas se faz parte do lote que viu o vídeo no YouTube mais de 11 milhões de vezes, então sabe que a rábula ‘Estaremos fazendo o seu cancelamento' é um dos sucessos estrondosos do canal ‘Porta dos Fundos'.

O coletivo de atores e argumentistas brasileiros bateu recordes no mais famoso site de vídeos na internet. "No YouTube temos quase 700 milhões de visualizações. Acreditávamos muito naquilo que tínhamos nas mãos, mas não imaginávamos que as coisas iam correr tão bem e tão rápido. Num ano tínhamos 5 milhões de inscritos no canal, foi o que cresceu mais rápido na história do YouTube", conta à Domingo Fábio Porchat, ator e argumentista carioca de 30 anos, que foi um dos fundadores do canal, pensado desde o início para emitir só na internet. Uma aposta ganha.

O fenómeno não passa ao lado de Portugal, que atraiu ao site mais de um milhão de visionamentos. Porchat esgotou esta semana o Teatro Sá da Bandeira, no Porto, e o Coliseu de Lisboa com o seu espetáculo de stand-up comedy, na sua segunda visita ao País em 2013. Fábio tem ligações fortes deste lado do Atlântico: "Já tinha ido a Portugal algumas vezes. Tenho um tio português. Não é à toa que eu sou adepto do Vasco da Gama [clube fundado por portugueses no Rio de Janeiro]. O meu avô e o meu tio têm casa em Cascais e os meus primos são portugueses, já visitei a família nas aldeias. Mas não conhecia o Porto, por isso quis lá ficar."

SUCESSO GLOBAL 

Lançado em agosto de 2012, a ‘Porta dos Fundos' tornou-se um caso de estudo. No último verão, Fábio e o realizador Ian SBF foram à feira VidCom, em Los Angeles (EUA), um dos maiores encontros mundiais de produtores de vídeos para a net: "Foi muito impressionante porque toda a gente sabia o que era o ‘Porta dos Fundos'. Já chegámos à América, os nossos vídeos estão legendados em inglês."

Na tradução perde-se muito da essência dos sketches, que vivem sobretudo do vernáculo e do ritmo acelerado da linguagem. Porchat explica a opção por usar e abusar do calão e dos insultos mais radicais, como nunca se vê na televisão generalista: "Na vida, a gente fala muito palavrão. Para um brasileiro isso é muito corriqueiro. Na televisão em sinal aberto é que se diz ‘caramba', ‘puxa vida', ‘ora bolas', mas na realidade a gente fala ‘cara***, ‘porra', ‘que mer**'. Para se fazer a ‘Porta' na televisão teríamos de manter tudo como está. Não podemos fazer nenhum tipo de concessão. Na TV generalista, eu sei que há um outro tipo de público, mas o ADN da ‘Porta dos Fundos' é esse e não adianta estar a reinventar o conceito."

Em pouco tempo, os atores e atrizes da ‘Porta dos Fundos' viraram vedetas. Fábio é uma das figuras de proa e o seu estilo frenético revela-se capaz de fazer perder a compostura ao mais sorumbático dos mortais. O tipo é tão acelerado que até já foi alvo de um sketch dos colegas, que tentaram explicar em ‘Cabeça do Fábio' como funciona o seu cérebro. "Esse vídeo tem muito a ver comigo. A minha cabeça não pára de pensar o tempo todo. Fico tendo ideias, correndo de um lado para o outro. Para conseguir dormir, tenho de parar, respirar e tentar deixar de pensar em trabalho. Eu mesmo já estou cansado de mim. Tenho um ritmo muito alucinante, durmo quatro ou cinco horas por noite e não paro. É difícil estar na mesma batida que eu."

 


RONALDO, CLARO!

Atento ao que se passa à sua volta, Fábio não foge às polémicas do momento. Sobretudo às que dividem o Mundo. Messi ou Ronaldo? "Ronaldo, claro! Eu sou lá maluco de votar em um argentino alguma vez? Nesse ano o Messi se machucou de mais e o Ronaldo levou a seleção portuguesa às costas para o Mundial do Brasil. Cristiano Ronaldo sem dúvida."

Na ‘Porta dos Fundos', parece não haver temas tabu. Homossexualidade, machismo, política e muitas toneladas de sexo são a matéria-prima das piadas. Mas, afinal, há uma linha que Fábio Porchat não se atreve a ultrapassar: "O limite será fazer alguma piada sobre islâmicos, porque nós não queremos morrer explodidos. Deixa Maomé lá na montanha, que nós não precisamos de ir até lá. Assim como está, está muito bom."

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