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Como é possível sustentar o paradigma do optimismo?

Portugal entrou na ‘zona perigosa’: depois da desregulação social, vem o caos. Há sinais de que ele está, perigosamente, a instalar-se
1 de Junho de 2008 às 00:00
Como é possível sustentar o paradigma do optimismo?
Como é possível sustentar o paradigma do optimismo?

Gostaria de poder elevar o paradigma do optimismo em todos os momentos. Olhar para as coisas boas da vida, disfrutar delas e partilhar com aqueles que me são caros. Tento fazê-lo todos os dias, acredito que esta seja a filosofia de muitos portugueses, mas não posso deixa de concluir que não é nada fácil ser optimista neste País. Temos de acreditar e ser convictos nas nossas posições, mas, em Portugal, há uma deficiente cultura democrática que nos leva a ser muito pouco generosos uns com os outros.

Conheço muitos casos de fraca agregação entre povos noutras latitudes, mas a minha preocupação centra-se no País onde nasci, onde sempre vivi e me deixa em sobressalto com a leviandade com que se abandonam as pessoas, sobretudo as mais desfavorecidas.

A ausência de consciência social, mais do que o conceito de solidariedade social, é um sinal preocupante de desagregação.

Não basta cuidar do negócio de cada qual, como se fôssemos capazes, através da nossa riqueza, de dominar, simultaneamente, o vizinho e o Mundo. A vigilância tem de ser grande, porque o descontrolo da ‘matriz social’ deixa-nos a todos mais desprotegidos e ao alcance de oportunistas e pessoas sem escrúpulos. Mas esse não pode ser o motivo para perdermos a noção da diferença entre o bem e o mal; entre a verdade e a mentira, porque já estamos a ser vítimas da natureza autofágica do ser humano, que assiste – como se estivesse no cinema – à sua própria destruição.

Chovem relatórios a lançar olhares sobre a pobreza e as desigualdades em Portugal. Alguns dos nossos melhores pensadores e profissionais deixaram o País. São mal-tratados, ignorados, sujeitos a uma indiferença por parte dos poderes públicos absolutamente inconcebível.

Vem aí o Europeu de Futebol para dar ‘dois meses de férias’ ao Governo. Que congela (bem) o aumento dos chamados ‘passes sociais’, revê as reformas mais baixas, mas não dá resposta às inquietações da maioria dos portugueses. Mário Soares fala da 'situação de crise profundíssima a que a globalização neoliberal conduziu o Mundo' e do 'capitalismo do desastre' que andámos todos a alimentar.

Os partidos, cá no burgo, continuam a desfilar as suas vaidades. Se, como diz Eduardo Lourenço, 'PS e PSD são duas alternativas à mesma coisa', é caso para perguntar: para onde vamos?

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