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Correio da Manhã

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Como é que os EUA podem destruir a Coreia do Norte

Poderão ser utilizadas armas nucleares táticas para produção de grande impacto e de intimidação do instrumento
Marta Martins Silva 10 de Setembro de 2017 às 15:00
Lançamento de míssil
Lançamento de míssil FOTO: KCNA

A pergunta impõe-se: Como se poderia intervir a nível militar na Coreia do Norte? Para o major de Engenharia do Exército João Manuel Pinto Correia, "numa primeira etapa, EUA e aliados vão procurar destruir, anular ou deteriorar todos os sistemas eletrónicos de comunicações e de comando e controlo da Coreia do Norte". "Quase em simultâneo", acrescenta o também docente e investigador de estratégia do Instituto Universitário Militar, "vão procurar destruir todas as bases de lançamento e armazenamento de mísseis nucleares estratégicos, bases aéreas, bases logísticas, bases navais e outras infraestruturas críticas militares, bases de instalação de peças de artilharia de campanha e infraestruturas governamentais. Trata-se de uma estratégia contra-forças que pode recorrer a sistemas convencionais de grande precisão (mísseis) acoplados a aeronaves, ou mísseis lançados de meios navais ou submarinos. Nesta etapa, os meios terrestres utilizados poderão ser forças de operações especiais ou eventuais ações diretas como a eliminação de alvos (eventual decapitação de líderes militares) ou ações de sabotagem. Adicionalmente, poderão ser utilizadas armas nucleares táticas para produção de grande impacto e de intimidação do instrumento militar. As peças de artilharia e os sistemas de lança-foguetes múltiplos apontados a Seul poderão ser um dos alvos das armas nucleares táticas, dada a grande quantidade de peças. Também os silos de armazenamento de ogivas e vetores nucleares deverão enquadrar-se nos alvos a abater, bem como a rede de túneis existente no subsolo norte-coreano. A componente aérea dos EUA e aliados deverá estar preparada para ações de luta aérea contra aeronaves não eliminadas nos bombardeamentos iniciais, bem como contra meios navais. Por sua vez, a componente naval deve, se necessário, conduzir operações navais e de luta antissubmarina procurando incapacitar os meios navais e os submarinos norte-coreanos que resistiram à guerra eletrónica e às ações de bombardeamento", explica o Major Pinto Correia, que considera existirem, ainda assim, muitas condicionantes para uma invasão. "A Coreia do Norte preparou-se ao longo de muitos anos em termos de modelação do terreno. Dispõe de um sistema de alçapões de grande porte que barram os eixos de aproximação terrestre do inimigo e que estão localizados em vários anéis centrípetos redundantes reforçados por meios explosivos (minas). Além disso, assegurou que estas zonas estão batidas por fogos de artilharia, entre outros, que têm um efeito muito potente."

Coreia do Norte EUA Ataque
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