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CUECAS INVIOLÁVEIS & ENVELOPES ANTI-ANTHRAX

Depois de décadas na África do Sul, Carlos Vieira continua, agora na Praia da Rocha, a dar largas à imaginação. Porque “inventar é um vício sem fim”
4 de Outubro de 2002 às 19:14
Um envelope anti-anthrax e um preservativo feito com base em materiais que “garantem uma segurança total contra a sida” contam-se entre os muitos inventos de Carlos Vieira, um português que durante 27 anos viveu na África do Sul mas que, devido à instabilidade que grassa naquele país, regressou a Portugal há cerca de uma década e reside agora na Praia da Rocha.

“Inventar é um vício sem fim”, garante Carlos Vieira, antigo funcionário bancário, que revelou ao Domingo Magazine ter inventado um fogão a pilhas aos 16 anos, quando ainda andava na escola. “Aquilo tinha um circuito electrónico que triplicava a potência da pilha e era a base para um futuro carro eléctrico”, recorda o inventor que, desde então, nunca mais parou, contando já com um total de 39 inventos.

Aquele de que mais se orgulha, contudo, é o “preservativo anti-sida”, cuja fórmula patenteou e que levou em 1988 à Feira de Inventos de Genebra. “O material do preservativo (não é borracha, ao contrário dos que existem no mercado) tem por base dois componentes, ambos fáceis de obter e cujo resultado é 100% seguro e confortável”, garante o inventor, que está à espera que a indústria – farmacêutica ou outra – se decida a investir no seu produto. “Na África do Sul, onde o meu invento foi notícia, contactei com figuras importantes ligadas à luta contra a sida, que reconheceram o interesse do meu invento e, em Portugal, estabeleci contactos com uma universidade que me garantiu que a mistura dos dois componentes da fórmula pode ser feita com facilidade”, refere.

INVENTOS MODERNOS

Muitos dos inventos de Carlos Vieira, agora com 39 anos, surgem das necessidades dos tempos actuais: além do preservativo, destinado a combater “o flagelo da sida”, surgiu, na sequência do 11 de Setembro, o “envelope anti-anthrax”, que visa pôr fim à ameaça que representa o terrorismo com base em armas bio-químicas que chegam pelo correio. “Trata-se de um envelope transparente, cujo interior é facilmente verificável e que, assim, também põe fim às cartas-bomba”, frisa Carlos Vieira, que já utilizou e fez circular esse tipo de envelopes “sem quaisquer problemas”.
Nestes tempos conturbados, concebeu ainda “um contentor antibomba – com um dispositivo que detecta a presença de explosivos e dá o alarme”, mas também ‘engenhocas’ mais pacíficas e de valor ambiental, como “um aparelho para limpar as praias, uma cueca anti-roubo (com uma 'bolsinha à frente, que ilude os ladrões e mantém os bens a recato')” e um sistema de recolha de dejectos de cão, “muito útil para quando se leva o animal a passear”.

Como a imaginação não pára, neste momento Carlos Vieira está a preparar “uma alternativa aos cigarros, que não seja prejudicial para a saúde”. “Com o meu invento, penso que os fumadores poderão manter o vício de boca, mas sem os efeitos negativos do cigarro”, refere, observando que ocupa o resto do seu tempo a “ler, a escrever e a pensar”.
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