Depois de Sherlock Holmes, Poirot ocupa o segundo lugar

Depois de Sherlock Holmes, Poirot ocupa o segundo lugar no panteão. E foi por isso que vi o filme de Branagh
Por João Pereira Coutinho|13.05.18
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Depois de Sherlock Holmes, Poirot ocupa o segundo lugar

Como resistir a Hercule Poirot? E como resistir a Kenneth Branagh no papel do detective belga? Não resisti, confesso, embora admita que não é fácil suplantar Peter Ustinov e o brilhantíssimo David Suchet da série televisiva. Depois de Sherlock Holmes, que exibe a mesma inteligência feroz, matemática, filosófica, Poirot ocupa o segundo lugar no meu panteão.

Assim se explica por que motivo vi o último ‘Crime no Expresso do Oriente’, filme também realizado por Branagh que a crítica tratou a pontapé. Admito: como cinema, é mediano;   e   há   certos   abusos   de computador   que   se   dispensam. Mas é preciso não deitar fora o bebé com a água do banho.

Mas, antes do banho (e do bebé), relembremos a história para os infelizes que a desconhecem. Hercule Poirot, depois de desvendar mais um caso na Palestina sob administração britânica, parte para Istambul. A ideia é tomar o Expresso do Oriente que o conduzirá a Calais e finalmente a Londres. Mas, a meio da viagem, lá vem o fatal cadáver e a fatal pergunta: quem é o assassino? As "pequenas células cinzentas" de Poirot começam a questionar os passageiros e a fazer as ligações   devidas   entre   um   crime   do passado e o crime do presente.

No final, Poirot confronta-se com a perturbante verdade – tão perturbante que as suas próprias concepções de justiça deixam de fazer sentido. Facto: Kenneth Branagh não tem o humor de Peter Ustinov (ninguém tem, aliás); muito menos a total imersão no personagem que David Suchet nos ofereceu (semelhante à de Jeremy Brett como Sherlock Holmes). Mas Branagh não consegue esconder a sua formação teatral, marcadamente shakespeariana,   começando   em   registo   leve   e terminando com a gravitas trágica do bardo: a sequência final, em que Poirot resolve o caso , vale praticamente todo o filme.

Se juntarmos a isto um elenco que começa em Judi Dench, passa por Michelle Pfeiffer e Derek Jacobi, e termina em William Dafoe, Johnny Depp e Olivia Colman, deitar fora o bebé com a água do banho é um crime imperdoável.

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