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Diana: Mulher traída e infiel

Há 15 anos, um desastre pôs fim a uma das vidas mais apaixonantes do século XX
26 de Agosto de 2012 às 15:00
Diana no iate do magnata do Harrod’s em Junho de 1997. Morreria dois meses mais tarde
Diana no iate do magnata do Harrod’s em Junho de 1997. Morreria dois meses mais tarde FOTO: Eric Ryan, Ggetty Images

O mês de Agosto junta os dois grandes ícones do século passado, Marilyn Monroe (1926-62) e a Princesa Diana (1961-97), ambas mortas no fulgor da vida, aos 36 anos de idade, em circunstâncias tão trágicas como misteriosas. As páginas sem fim que sobre elas se escrevem detalham todos os pormenores das suas vidas, mas o esmiuçar dos casos só aumenta o mistério.

Não há conclusões irrefutáveis do que aconteceu pouco depois da meia-noite ou zero horas de 31 de Agosto de 1997, no túnel rodoviário de Alma, no centro de Paris. Só é indubitável que a Princesa do Povo, tal como foi proclamada ao raiar da manhã pelo então primeiro-ministro britânico Tony Blair, foi uma mulher traída e ela própria infiel, numa vida que só na letra ‘C’ tem Camilla, cavalos e comboio, entre muitos outros itens.

Camilla é o fulcro que fez girar a vida de Diana. A actual mulher do herdeiro do trono de Inglaterra tem dois filhos e cinco netos, mas nenhum está na sucessão. Essa é prerrogativa de Diana Spencer, que deu dois filhos à coroa, no meio de sonhos e sofrimento. Catorze anos mais nova e outros tantos centímetros mais alta do que Camilla, Diana ganhou quando se tratou de escolher uma virgem para o príncipe Carlos. Nos anos 70, a pureza contava muito para a casa real. Camilla teve de casar-se com outro para se acabar com os rumores de um noivado proibido. Mas ficou sempre próxima de Carlos e, segundo contou mais tarde Diana, passou a pertencer a uma informal comissão de aprovação de potenciais princesas.

A PRIMEIRA VEZ

Quando depois de uma fugaz relação com Sarah, irmã mais velha de Diana, Carlos olhou para a casta menina de 17 anos, Camilla entrou logo na relação. A ela interessava garantir à partida a continuidade tranquila da relação adúltera com o príncipe. A Diana começou por recomendar, quando ainda o namoro era secreto, que ela devia respeitar sempre a vontade de Carlos. E as manias, obviamente, onde se incluíam os cavalos. O comboio é outro assunto e meteu Camilla logo na primeira vez de Diana. Supõe-se que a futura princesa tenha perdido a virgindade numa noite de Novembro de 1980, na carruagem-cama do comboio real que Carlos fez parar, à espera da apaixonada, num ramal do Wiltshire.

Ao tempo, a notícia do encontro amoroso surgiu nos jornais uma dúzia de dias depois. A revelação podia ter queimado a relação do príncipe com Diana, mas ela era pura demais para o ultraje. E até aconteceu que a contra-informação pôs a correr que a visita nocturna podia ser a própria Camilla Parker-Bow-les. Entre os biógrafos há pelo menos unanimidade em que não seria possível confundir uma jovem alta de 19 anos com uma trintona baixota.

Foi por iniciativa de Carlos que Diana e Camilla se aproximaram. Ainda longe do pedido de casamento, em fins de Outubro de 1980, o príncipe levou Diana à casa que comprara em Highgrove com o argumento de que gostaria de ouvir a sua opinião para as obras em curso. A curiosidade é que a futura segunda residência ficava muito próxima da amiga Camilla. Na altura, Diana não desconfiou. Quando deu que o casamento era a três e foi almoçar com Camilla a um restaurante de Londres sugestivamente denominado Ménage a Trois, já não era possível voltar atrás.


A par do comboio, os cavalos foram outro tema da agenda da traição – os animais eram uma paixão comum de Carlos e Camilla. Mais tarde, quando Diana também se tornou mulher infiel, houve também comboio e cavalos, mas aos 18 anos não tinha experiência da vida. Quando no almoço, a menos de dez dias do casamento, Camilla lhe perguntou se pensava montar com o futuro marido, ela respondeu que não e nem sequer a confrontou com o motivo da sua preocupação: descobrira no escritório de Carlos uma pulseira de ouro com uma placa com as letras ‘G&F’, iniciais dos diminutivos Ginger e Fred, como o príncipe e Camilla se tratavam na intimidade.

Diana sofreu com a traição de Carlos desde antes do casamento. Deu-lhe dois filhos para a sucessão no trono. Aquando do nascimento de Harry, o segundo, em Setembro de 1984, ouviu o príncipe desabafar: "Meu Deus, é um rapaz!". Ela ter-se-á sentido tão humilhada que a relação passou depressa da frieza à vingança quente. A rapariga que no tempo de namoro saía da sala de trabalho de Carlos, em Highgrove, com os olhos a brilhar e o cabelo acabado de escovar, pormenores inusitados para quem apenas discute projectos de futuro, iria igualmente tornar-se infiel.

Os romances de Diana, antes e depois do divórcio em Agosto de 1996, após quatro anos de separação oficial, são um festival de paixões quando comparados com a relação duradoura de Carlos e Camilla. Curioso é que começaram com comboio e prosseguiram com cavalos.

Todos os dados levam a crer que a primeira infidelidade de Diana foi com o seu guarda-costas Barry Mannakee e começou também no comboio real. Já com programa de deslocações próprio, a princesa revelou em meados dos anos 80 uma grande preferência pela utilização do mesmo comboio real onde fora visitar ainda donzela o príncipe dos seus sonhos. A carruagem-cama tinha apenas dois quartos, estando um reservado para a segurança. A proximidade despertou o desejo e a relação correu rápida nos meios da corte.

Mannakee acabou por ser afastado da sua missão quando Diana já seguia lições de equitação com James Hewitt. Alguma vez se terá lembrado da pergunta de Camilla sobre se pensava montar com o marido. E descobriu como a actividade desportiva era tentadora.

Todo este tempo depois, há quem se interrogue porque um casal com todas as condições para ser feliz mergulhou numa relação feita de traições. A escritora Barbara Cartland (1901-2000), avó de Diana por parte da madrasta, disse em 1995: "Claro que todos sabem porque foi que deu para o torto. Ela recusava-se a fazer sexo oral." Não é hipótese que se possa esclarecer, mas por alguma razão peculiar foram publicadas gravações telefónicas em que Carlos dizia a Camila que queria "ser o seu tampão higiénico".


15 FACTOS MARCANTES NA VIDA DA PRINCESA DIANA

OUTUBRO 1980

Na primeira visita a Highgrove, constata a proximidade com a propriedade da família Parker Bowles. Compreendeu mais tarde que o objectivo do príncipe era estar sempre junto da amiga.

JUNHO 1981

Um jogo de pólo proporciona o primeiro encontro de Diana com James Hewitt, que felicitou o noivo pelo enlace. Diana saiu do local em lágrimas. A razão era não ser acarinhada por Carlos.

JULHO 1981

A dez dias do casamento (29 Agosto), Diana almço com Camilla no restaurante Ménage a Trois. Ela pergunta-lhe se tenciona andar a cavalo com o marido.

OUTUBRO 1981

Poucos dias depois de um teste lhe indicar que estava grávida, Diana acompanha o príncipe de Gales, mas os populares clamam por ela: "Di! Di! Di!". No fim, ele diz: "Cheguei à conclusão de que seria mais fácil ter duas esposas".

MAIO 1986

Já cúmplice de James Hewitt, Diana aceita dignificar com a sua presença um torneio de pólo nos quartéis de Oxford, onde entrega a taça do vencedor ao seu professor de equitação e companheiro íntimo.

FEVEREIRO 1987

Diana e Carlos visitam Portugal, onde são recebidos pelo Presidente da República Mário Soares e o primeiro-ministro Cavaco Silva. O casal não esconde o seu distanciamento.


MAIO 1987

Barry Mannakee, ex-segurança e confidente íntimo de Diana, morre num acidente de moto, o que dá azo a especulação. O agente fora afastado um ano antes do serviço da princesa.

FEVEREIRO 1988

Diana leva o guarda-costas para os fins-de-semana com James Hewitt em Devon. Ninguém acredita que Carlos não soubesse de tais intimidades.

JUNHO 1992

Andrew Norton publica a biografia escrita com base em depoimentos gravados por ela, em noites de desespero, no palácio de Kensington, em Londres, onde viva toda a semana só com os filhos, porque Carlos preferia a residência de Highgrove vizinha de Camilla.

NOVEMBRO 1994

Surgem nos escaparates dois livros: 'O Príncipe de Gales', de Jonathan Dimbleby, que revela a paixão de Carlos e Camilla, e 'Princesa Apaixonada', de Anna Pasternak, que conta os pormenores quentes da paixão de Diana por Hewitt.

NOVEMBRO 1995

No programa 'Panorama' da BBC, Diana admite o falhanço do seu casamento e também que fora infiel ao marido na relação com James Hewitt. Medindo as palavras, disse que "adorava".

AGOSTO 1996

No dia 28 deste mês o tribunal declara divorciados Diana e Carlos, ficando ela com uma protecção de 30 milhões de libras (hoje uns 36 milhões de euros) e a guarda dos filhos, William e Harry.


ABRIL 1997

Da relação com o médico de origem paquistanesa Hasnat Khan conta-se que Diana teve um encontro amoroso secreto em Hyde Park, aonde foi coberta apenas por um casaco de peles.

JUNHO 1997

Durante as férias no iate de Mohammed al Fayed, o magnata da Harrod's chama o filho Doddy para entreter Diana. Quer vingar-se da família real por não lhe terem dado a nacionalidade britânica. 

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