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Correio da Manhã

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DISTRIBUIREMOS PRESERVATIVOS

Esta semana entrevistámos Francisco Louçã, dirigente do Bloco de Esquerda e opositor da guerra. Ou melhor: foi ele quem se entrevistou a si próprio...
23 de Março de 2003 às 16:22
Está, é do Bloco de Esquerda? Queríamos falar com o dr. Francisco Louçã...
Ele está a chegar. Foi comer um hambúrger rápido. Tem de preparar um comunicado aos camaradas, a dizer que esta noite temos uma acção de rua.

Hambúrger?
Sim, acho que foi ao McDon… Não, espere: o meu colega está a dizer-me que foi ao Pizza H…. Olhe, estão a tocar à porta. Deve ser ele.… Ah, não, é o gerente do Barclays para uma reunião. Bem que pode esperar! O outro gajo do marketing da Cola já está ali sentado há duas horas.

Desculpe, mas fala mesmo da sede do BE?
Sim. Mas quem fala?

Somos do Conversas de Sonho, do ‘Correio da Manhã’, e pretendíamos só uma entrevistinha de cinco minutos com o dr. Franc...
Vai ser complicado! Mas... Olhe, agora é que deve ser ele. Só um segundo.

Está?
...
Está?
...
Está, dr. Francisco Louçã?
É pá, desculpem lá, mas esta guerra no Iraque tem de ser combatida com força, com determinação, com empenho. A Esquerda tem de se unir contra este autêntico flagelo mundial, contra esta construção aberrante de um capitalismo voraz, contra uma direita...

Mas Francisco...
... que não sabe ouvir o povo, que vive de costas voltadas para a realidade, que está apenas empenhada em enriquecer à custa da miséria humana, da castração económica de países como o Iraque, do empobrecimento de uns em benefício...

E como...
... dos outros. Não podemos suportar esta tirania das nações mais poderosas. Não podemos entrar numa estratégia de dizer que sim a ditadores de fato e gravata. Não podemos permitir que a democracia seja derrotada pela ânsia de poder daqueles que se intitulam os senhores do Mundo. Por isso...

Gostávamos de...
... o Bloco de Esquerda apela a todos os partidos que não se revêem nesta maneira assassina de fazer política para que unam as mãos e lutem em comum a favor da paz, a favor de um clima de harmonia entre os povos, da estabilidade essencial para o progresso da Humanidade. Para tal...

Mas...
... contamos com o apoio dessa população amordaçada e esquecida, dessa gente tantas vezes calada por regimes fascistas onde impera a lei da força e onde os patrões instalaram um verdadeiro regime do terror. Onde a voz dos operários já não se faz ouvir junto do patronato. Queremos que...

O dr. Durão Bar...
... as pessoas saibam que podem contar connosco como nós sabemos que podemos contar com elas. Juntos em mais uma enorme acção de rua contra este terrível acontecimento que é a guerra no Iraque, esta noite, queremos demonstrar o espírito de união existente entre a população portuguesa, que por tantas e tantas vezes já demonstrou não querer ver o nome de Portugal manchado pelo sangue de milhões de civis mortos em nome de vilões que apenas vêem negócio e procuram roubar o petróleo ao Iraque O que é que...

Como comenta...
... um País como o nosso tem a ganhar com este banho de sangue? No que é que este vil ataque, que arrastará atrás de si uma nuvem de medo, terror, e miséria, pode ajudar a dar bom-nome a Portugal?

Pergunto: onde está...
Nós queríam...
... a vantagem de colaborar desta forma com nações ricas à custa da guerra? E respondo: nada. Absolutamente nada! Por isso...

Quem é que vai à...
... ergo bem alto a bandeira da liberdade e peço aos portugueses que me acompanhem esta noite numa manifestação que transformará Lisboa, depois dos Açores, no verdadeiro centro do mundo. Vamos transformar a capital do império barrosista, louco pelo petróleo de uma nação já de si fustigada, num espaço de paz e amor. Aliás, o Bloco, numa acção digna de registo, distribuirá preservativos a todos os companheiros desta luta contra o mal, oferecerá cravos às senhoras e canetas aos idosos. Porque, por todos os motivos deste mundo, vale a pena ser contra a guerra. Agora, digam lá o que é que querem.
Deixe estar. Já percebemos a ideia.

ESTA ENTREVISTA FOI INVENTADA. UF!
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