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Correio da Manhã

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DRAGÕES: ELES FORAM TÃO LONGE

É já na quarta-feira que o FC Porto defronta os escoceses do Celtic. Uma final apimentada – entre celtas, note-se bem – que pode dar aos 'dragões' a primeira Taça UEFA da sua história. Mas para aqui chegar, houve muito trabalho. Mourinho e os seus jogadores que o digam...
18 de Maio de 2003 às 00:00
Será que os escoceses vão perdoar a indelicadeza de esquecermos as nossas raízes celtas? E a equipa do FC Porto, irá festejar a esperada vitória ao som do flamenco, mesmo que para danças não tenha a leveza de Joaquím Cortés?
Certo é que de nada valerá aos católicos do Celtic de Glasgow contar com possíveis apoios conterrâneos – casos de Rod Stewart, Jim Kerr, dos Simple Minds, ou Bono Vox, dos U2 (a fazer fé nas notícias do jornal escocês ‘Evening Time’). Porque os portistas poderão contrapor com Rui Reininho e Rui Veloso, depois de já terem demonstrado serem capazes de comandar a ‘banda’ – isso mesmo ficou claro quando nesta caminhada para a Taça UEFA revisitaram Viena de Áustria e passaram por Varsóvia (cidade onde Polansky rodou ‘O Pianista’), para bater – em grande - a equipa local.
Com efeito, ainda mal sonhavam chegar a Sevilha, quando logo no primeiro jogo diante do Polónia Varsóvia, os rapazes de José Mourinho despacharam os polacos com um concludente 6-0.
Já com a eliminatória decidida nas Antas, na viagem a Plock, o FC Porto poupou alguns dos seus mais cotados futebolistas e a derrota não se fez esperar (2-
-0). Um resultado mal recebido – e como – por José Mourinho, que não poupou na ira, apontando o dedo acusador a Hélder Postiga - ao que parece, serviu-lhe de lição, já que o jovem internacional português acabou por se afirmar no onze dos 'dragões', cotando-se como um dos futebolistas nucleares da equipa, que teimava em decalcar os êxitos da década de 80, quando o FC Porto venceu a Taça dos Campeões.
A ALTIVEZ DO LENS
Coincidência ou talvez não, a segunda eliminatória ‘obrigou’ os portistas a regressarem às margens do Danúbio, a Viena de Áustria, onde em 1987 a então equipa de Fernando Gomes, Madjer & Cª escreveu uma das mais brilhantes páginas da história centenária do emblema das Antas.
O Estádio do Prater, agora Ernst Happel, serviu mais uma vez de palco aos êxitos do FC Porto, que no país de Mozart voltou a sair vitorioso (1-0). Uma eliminatória que também marcou a estreia europeia de Vítor Baía – estava pois ultrapassado o diferendo com José Mourinho, que havia atravessado os primeiros meses da época. Mais tarde, na Invicta, os 'dragões' confirmaram a superioridade sobre o Áustria de Viena (2-0).
Mas a terceira eliminatória da Taça UEFA reservava para o FC Porto um adversário reconhecidamente difícil...Como que vincando o seu estatuto de equipa poderosa, o Lens chegou ao Porto com indisfarçável altivez – José Mourinho ironizou com o ‘jet-leg’ quando os franceses se queixaram da hora tardia do jogo – e regressou a França com três golos na bagagem.
Quinze dias depois, os 'rapazes' do Futebol Clube do Porto perdiam no Estádio Félix-Bollaert (1-0), mas a qualificação para os oitavos-de-final da Taça UEFA há muito estava traçada para a equipa de Deco & Cª.
TURCOS ‘ESMAGADOS’
Com o Denizlispor pela frente, José Mourinho procurou incutir nos seus jogadores o quão difícil seria jogar num ambiente adverso como o que se vive nos estádios turcos. O aviso foi tão esclarecedor, que na partida das Antas os portistas despacharam o Denizlispor com um expressivo 6-1. A viagem à Turquia parece ter sido um mero passeio.
Fruto, talvez, dos contratempos da viagem à longínqua Denizli, o FC Porto empatou a dois golos no jogo da segunda 'mão', mas estavam reservadas para o reencontro com o ex-portista Chainho as maiores dificuldades nesta caminhada europeia. Diante dos gregos do Panathinaikos, os 'dragões' perderam no Estádio das Antas e deixaram na mão dos deuses a sorte da eliminatória. O treinador José Mourinho desafiou o seu homólogo do Panathinaikos para o duelo no Olimpo – a eliminatória ainda estava no intervalo –, onde o FC Porto acabaria por confirmar - no prolongamento – a qualificação para as meias-
-finais da prova (0-2).
ABENÇOADOS PELO PAPA
À semelhança do que acontecera nos quartos-de-final, a equipa das Antas voltava a cruzar-se nas ‘meias’ com um ex-portista. Mas nisto de futebol, como nos negócios, “amigos amigos, negócios à parte” e o 'italiano' Fernando Couto foi à vida.
De nada valeu à Lázio de Roma apresentar-se na Invicta com uma constelação de estrelas, pois nas Antas quem mais cintilou foi Maniche, Derlei e Hélder Postiga, que nem sequer estremeceram com o golo de Cláudio Lopez (4-1). Os romanos ainda tentaram garantir a qualificação para a final da Taça UEFA, mas os portistas não vacilaram no Olímpico de Roma (0-0). A presença no Olímpico de Sevilha há muito estava prometida... Ou não tivessem a bênção de João Paulo II.
Agora, a 21 de Maio, o FC Porto prepara-se para disputar a sua terceira final europeia, desta feita contra o Celtic de Glasgow - que já venceu uma Taça dos Campeões, em Portugal, no Jamor. Mas não há que ter medo. A equipa de Mourinho construiu um curriculum de fazer inveja a qualquer clube, num percurso que só é comparável ao dos anos de ouro vividos pelos 'dragões'. Espanha é mais de zarzuelas. Tanto faz, porque nisto de ‘fiesta’ o que os 'dragões' querem é trazer o caneco para a Invicta.
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