Barra Cofina

Correio da Manhã

Mais CM
7

E se fosse verdade?

Faz-de-conta que a crise acabou no Carnaval e o País foi salvo por heróis
6 de Março de 2011 às 00:00
Ex-deputada Marta Rebelo na pele de Barbarella
Ex-deputada Marta Rebelo na pele de Barbarella FOTO: Fotomontagem CM

Carnaval pode ser sinónimo de folia mas também de crítica social, sobretudo em tempos de crise económica e incerteza política. Sem abdicar da diversão, este é um Entrudo em que a reflexão se impõe. A quadra deu o mote para desafiar algumas personalidades do País para brincar ao faz-de conta mas sem esquecer a seriedade dos tempos que os portugueses atravessam, sugerindo-lhes que vestissem a pele dos heróis que poderiam salvar o País do abismo.

As escolhas dos nossos foliões foram dignas de desfilarem num carro alegórico de qualquer corso carnavalesco que se preze. Houve quem, como Catalina Pestana, não se esquecesse que acreditar no ser humano é o mais importante, sobretudo em tempo de grandes dificuldades, ou quem preferisse atacar directamente a ferida e arranjar um benemérito que pagasse as contas em atraso do País, como Joe Berardo. Mas também surgiram heróis de capa e espada e salvadores de almas.

SÁTIRA É TRADIÇÃO

O Carnaval com sátira social e política é uma tradição com ‘barbas’ em Portugal – em Torres Vedras atinge o seu expoente máximo no cortejo anual. Mas em vários outros pontos do País (e até do Mundo), a toada crítica mantém-se, entre apitos, tambores e folguedos.

Quando o Entrudo anda à solta nas ruas das cidades portuguesas há caretos, gigantones, cabeçudos e máscaras em forma de ministros. Os carros alegóricos apregoam públicas virtudes e más decisões privadas, enquanto o povo aprende a rir das próprias agruras – o que não sendo a solução para os problemas da pátria é, pelo menos, um poderoso remédio contra o cinzentismo da alma.

E se o défice e a crise prometem ser o rei e a rainha deste Carnaval, há que rir... porque ninguém vai certamente levar a mal.

BARBARELLA ANTIMERCADOS FINANCEIROS (Marta Rebelo, ex-deputada)

"Barbarella é uma astronauta aventureira, cheia de armas e gadgets especiais criada por Jean-Claude Forest, cuja missão era defender a terra do malvado cientista Duran Duran, mas acabou por tornar-se um ícone do movimento de emancipação feminina dos anos 60", lembra Marta Rebelo, que vê nos dotes de Barbarella a capacidade de lutar contra os também malévolos mercados financeiros.

AQUAMAN PARA LEVAR O PAÍS A BOM PORTO (Richard Zimler, escritor)

Numa altura "em que Portugal está mergulhado numa crise psicológica profunda é preciso saber nadar muito e rápido para levar o País a bom porto. Alguém como Aquaman". As palavras são do escritor Richard Zimler depois de desafiado a escolher a máscara adaptada ao contexto actual do País onde escolheu viver em 1990. O herói de banda desenhada escolhido é conhecido por ter uma resistência e agilidade sobre-humanas, quer dentro quer fora da água – qualidades fundamentais para não ir ao fundo.

PRESIDENTE DOS EUA PAGA A DÍVIDA PÚBLICA (Joe Berardo, empresário)

"O País precisava era de um Harry S. Truman, que emprestasse dinheiro a 50 anos para salvar Portugal, como ele emprestou à Europa no pós-guerra, através do Plano Marshall", afiança o empresário Joe Berardo que, por isso, não hesitaria em encarnar a personagem do ex-presidente dos Estados Unidos. A solução era um herói internacional de carne e osso disposto a salvar o País e, já agora, que "prendesse os especuladores", defende.

SÃO JOÃO MUDOU ATITUDES (José Maia, padre e presidente da Associação Filos)  

"Só podia ser o São João Baptista, que vestia pele de camelo e comia gafanhotos, porque com esta crise não dá para mais". Foi desta forma e sem grande tempo para pensar que José Maia se decidiu "pela simplicidade de São João. Foi ele que alertou para a necessidade de mudança de atitudes. Era a voz que clamava no deserto", o santo que baptizava nas margens do rio Jordão.

ROBIN ROUBA AOS CORRUPTOS (Pedro Tochas, humorista)

Se acaso saísse à rua vestido de outro que não ele seria de Robin dos Bosques, um dos heróis menos ortodoxos do imaginário colectivo. "Substituía os ricos pelos corruptos: roubar a eles para dar aos pobres, aos que realmente precisam". Não que Pedro Tochas se imagine empoleirado em parapeitos alheios, claro.

PROFESSORES NÃO DESISTIRAM (Catalina Pestana, ex-provedora da Casa Pia)

"Não há impossíveis para o ser humano cuja decisão é ajudar o outro a ser gente". E por isso Catalina Pestana vestiria e pele de Anne Sullivan, a professora de Helen Keller, para salvar o País. "Toda a vida fui professora e nunca desisti de um aluno, mas para isso é preciso ultrapassar os limites e ir à procura de soluções", refere. 

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)