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“Efeitos nos países produtores devem ser preocupação”

Margarida Silva, bióloga e coordenadora da Plataforma Transgénicos Fora do Prato, recusa a importação pela UE de cravos azuis cultivados na América Latina.
23 de Agosto de 2009 às 00:00
Margarida Silva
Margarida Silva

- A Plataforma Transgénicos Fora do Prato, que tem tomado posição principalmente em relação à manipulação genética de alimentos, apoia uma petição contra a importação de cravos azuis. Por que motivo?

- A petição não é de nossa autoria pois não se trata de uma questão de saúde pública mas ambiental. E, de facto, é muito diferente fazer isto num laboratório, em ambiente controlado, ou fazê-lo em campo aberto. Tudo fica fora de controlo. O pólen pode espalhar-se a quilómetros de distância.

- Neste caso trata-se de um pedido de importação...

- Há um pedido de importação de uma variedade de cravo transgénico [três foram autorizados] para a Europa e trata-se de cumprir uma regra sobre efeitos indirectos: devemos preocupar-nos com os impactos nos países produtores [Equador e Colômbia].

- Diz-se dos alimentos geneticamene manipulados que ajudam a acabar com a fome. E os cravos azuis?

- É uma questão ética saber até que ponto faz sentido interferir com o equilíbrio ambiental para termos centros de mesa.

- Os tribunais já foram chamados a pronunciar-se sobre o cultivo de alimentos geneticamente manipulados. E agora?

- Eu sou bióloga e não jurista. Não sei. Mas é verdade que os tribunais têm sido os últimos guardiões da legalidade. O Tribunal Europeu de Justiça, por exemplo, pronunciou-se a favor da divulgação dos locais de cultivo de OGM.

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