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Correio da Manhã

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EGIPTO: O MISTÉRIO DO MUNDO

Das pirâmides às lendas dos vários faraós, são muitas as referências que retemos do Egipto. Viagem a um país que não ficou parado no tempo e que tem no Cairo a sua cidade de eleição
31 de Janeiro de 2003 às 20:17
Foi no vale do Nilo que nasceu uma civilização que há seis mil anos enfeitiça o mundo. Numa permanente luta para dominar as cheias daquele rio, este ‘povo’ desenvolveu um Estado centralizado, onde o império egípcio construiu pirâmides, desenvolveu uma cultura – que deu origem à chamada ‘civilização ocidental’ – e, ao mesmo tempo, foi centro de relações económicas, diplomáticas e culturais.

Para a História ficaram várias figuras, como o faraó Akhenaton e a sua mulher Nefertiti. Ao chegar ao poder – no século XIV a.C. – Akhenaton abandonou o culto nacional de Ámon, os sacerdotes e Tebas, fundando a sua própria religião de adoração ao deus do Sol, Atar. A esposa serviu o ideal de beleza.

No entanto, o faraó, porventura, mais famoso é Tutankamón – filho único de Akhenaton – que se tornou rei ainda criança, devolveu a corte real a Luxor e restabeleceu Ámon como deus nacional. Morreu muito jovem, em circunstâncias ainda hoje não totalmente esclarecidas e o seu túmulo foi descoberto em 1922, por Howard Carter – continuando a provocar sensação o espólio de tesouros encontrados.

Figura incontornável da História e de várias lendas é Cleópatra. Afastada do trono pelo seu irmão mais novo volta, mais tarde ao poder, precisamente na altura em que Júlio César chegou a Alexandria. Segundo a lenda – e alguns filmes de Hollywood – Cleópatra seduziu Júlio César e com ele teve um filho: Caesarion. Mais tarde, envolveu-se com Marco António, de quem teve mais três filhos. Apesar de possuir uma beleza sedutora, Cleópatra ficou imortalizada por ter cometido suicídio, preferindo morrer a ser levada pelas tropas romanas para Roma.

Já no século XX surge o chamada ‘pai da moderna nação’, Gamal Abdel Nasser, que em 1952 organizou um golpe de estado, derrubando o rei Faruk e implantando a República.

DISTANTE CAIRO

Cosmopolita, barulhenta e poluída, mas também bela e cheia de histórias e mistérios, a cidade do Cairo apresenta-se ao visitante como um verdadeiro desafio. O labirinto de ruas estreitas dá-lhe, aliás, uma aura muito semelhante a um conto das mil e uma noites.

O coração do comércio internacional da cidade é Khan el-Khalili, construído no século XVI, está actualmente confinado a uma única rua, mas das mais importantes da cidade, e situa-se perto da Mesquita de Sayyidna el-Husayn – onde se crê que esteja sepultada a cabeça de Husayn, assassinado no Iraque em 680. Husayn era neto do profeta Maomé.

Em Khan el-Khalili pode encontrar todo o tipo de produtos. Também de visita obrigatória é o Museu Egípcio, um dos maiores depósitos do mundo de antiguidades. Aqui pode encontrar um grande conjunto de peças representativas de três mil anos da arte egípcia, incluindo cumes de pirâmides e tesouros encontrados nos túmulos dos faraós. A colecção mais popular e visitada é a dos tesouros de Tutankamón – são cerca de 1 700 objectos, Também as múmias de vários faraós importantes, incluindo a de Ramsés II, podem aqui ser encontradas.

Um dos mais admirados monumentos islâmicos é a Mesquita-Madrasa, construída no século XIV pelo Sultão Hasan que, com 12 anos, se tornou sultão do Egipto. A mesquita era o centro da comunidade, servindo de alojamento e estabelecimento de ensino a alunos de quatro escolas independentes de lei islâmica.

Ao longo do vale do Nilo há mais de 80 pirâmides. As mais famosas são as de Gizé e a sua Esfinge, construídas no apogeu do poder do Império Antigo. As três grandes Pirâmides de Gizé são impressionantes. A primeira a ser construída e maior de todas é a Grande Pirâmide de Quéops – inicialmente com 146,6 metros de altura e hoje com cerca de 137 metros – que é constituída por 2.300.000 blocos de pedra, pesando cada um uma média de duas toneladas e meia. O filho de Quéops, Khafre construiu a segunda pirâmide um pouco mais pequena, com cerca de 137 metros de altura. O rosto da Esfinge é o seu, a estátua esculpida na colina tem uma cabeça humana num corpo de leão e foi a primeira estátua colossal de um faraó. A Esfinge estava inicialmente ligada à pirâmide de Khafre por um caminho coberto. A terceira pirâmide foi construída por Menphonne, filho de Khafre, com apenas 62 metros de altura. À volta destas pirâmides há vestígios de outras mais pequenas de famílias reais.

INFLUÊNCIA NO CRISTIANISMO

A influência egípcia nos primeiros anos cristãos pode ser apreciada através da valiosa colecção guardada no Museu Copta. A colecção é constituída por artefactos seculares coptas e artefactos religiosos datados de 200-1800 d.C. Merecem destaque alguns dos sumptuosos têxteis coptas, o que dizem ser o livro mais antigo do mundo (com 1600 anos e considerado uma cópia dos Salmos de David) e os primeiros relevos de temática cristã – a sugerirem que a sua cruz nasceu do ‘ankh’ faraónico. As torres e os muros do jardim do museu foram construídas pelo imperador romano Trajano, na época em que o território fazia parte da antiga Babilónia.

Inspirada nos castelos dos Cruzados na Palestina e na Síria, surge a Cidadela de El-Qal’A, construída por Saladino com o objectivo de proteger o Cairo. Aí encontrará a Mesquita de Muhammad Ali – semelhante às grandes mesquitas otomanas de Istambul. Uma das maravilhas a não perder no Cairo é o Complexo Qalawun, El-Nasir e Barquq, cuja fachada tem 185 metros de extensão. O colosso é constituído por vários edifícios com mesquitas, escolas, mausoléus e uma pousada religiosa.

Uma vez no Cairo é quase imperdoável que não faça um cruzeiro no Nilo, tanto mais que existe uma grande variedade de embarcações que navegam entre Luxor e Assuão até ao Cairo. A não perder, também, um passeio de camelo à volta das Pirâmides de Gizé, ou ainda um fim de tarde a apreciar o pôr-do-sol sobre o Cairo islâmico e moderno, a partir do terraço da Mesquita de Mohammed Ali.

O Egipto tem muito mais para descobrir. Talvez um destes dias lá voltemos, para desvendar mais alguns dos seus muitos mistérios.

GUIA DO EGIPTO

Localização: África
Área: 1.001.449 km2
Capital: Cairo
Fuso horário: 2 horas
Moeda: libra egípcia
Língua oficial: árabe
Indicativos telefónicos: 00202 (Cairo)
População: 69,5 milhões de habitantes
Religião: muçulmana
Regime de governo: república
Actividades económicas: Turismo, petróleo, gás, metais e transacções económicas no Canal do Suez

Como ir: É necessário Passaporte português com uma validade mínima de seis meses e Visto de entrada, que pode obter à chegada ou na Embaixada do Egipto em Lisboa, na Rua Dom Vasco da Gama 8, o telefone é o 21 301 83 01. Se o Visto for só para uma pessoa custa 20€, Vistos para múltiplas entradas custam 24€. É ainda necessária um foto tipo passe e preencher um formulário. É bom ter o boletim de vacinas em dia. Aconselha-se o consumo apenas de água fervida, sumos ou água engarrafada. Para melhor planear a sua visita recomenda-se que consulte na Internet o ‘site’ oficial do governo egípcio em: www.sis.gov.eg (disponível inglês).

Como voar: A companhia aérea Egipter tem voos directos, desde o mês de Fevereiro a Dezembro, às quintas-feiras, de Lisboa-Cairo-Lisboa. A Egipter fica na Av. Columbano Bordalo Pinheiro, 108 – 5.ºB (frente ao Hotel Alfa de Lisboa), o telefone é o 21 722 05 10.

Onde ficar: Hotel Lotus** (Cairo)
Hotel Ramses Hilton*** (Cairo)

Obrigatório ver e fazer: Khan el-Khalili; Mesquita de Sayyidna el-Husayn; Museu Egípcio; Mesquita-Madrasa do Sultão Hasan; Pirâmides de Gizé; Mesquita de Ibn Tulum; Museu Copta Cidadela de El-Qal’A; Mesquita de Muhammed Ali; Complexo de Qalawun, El-Nasir e Barquq; Igreja Suspensa; Cruzeiros no Nilo; Andar de camelo
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