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Correio da Manhã

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‘El Chapo’ escapou duas vezes da prisão. Agora será difícil...

Pinga-amor e egocêntrico, liderou o maior cartel de drogas do Mundo.
Marta Martins Silva 24 de Fevereiro de 2019 às 07:00
'El Chapo' foi detido a 8 de janeiro
‘El Chapo’ está preso nos EUA
El Chapo
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El Chapo
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‘El Chapo’ está preso nos EUA
El Chapo

A 19 de janeiro de 2001, Joaquim ‘El Chapo’ Guzman fugiu da prisão de máxima   segurança   de   Puente Grande, em Jalisco, no México, vestido com   um uniforme de polícia, depois de um guarda lhe ter aberto a porta (embora durante anos tenha circulado o mito de que teria fugido dentro de um cesto de roupa suja).

Catorze   anos   mais   tarde,   o   maior narcotraficante do Mundo – ainda mais poderoso do que o colombiano Pablo Escobar – repetia idêntica façanha, mas na prisão de El Altiplano, também no seu país de origem, desta feita através de um túnel com um quilómetro e meio de comprimento e dez de profundidade, que ligava o chuveiro da cadeia ao interior de uma casa em obras, sem sequer precisar de rastejar.

Viria a ser capturado em 2016 e extraditado para os Estados Unidos em 2017, onde agora foi condenado. O mexicano que muitos consideram o maior   criminoso   do   século   XXI   e outros tantos uma lenda foi considerado culpado de dez crimes – incluindo   homicídios,   violação   de menores,   tráfico   de   droga,   branqueamento   de   capitais,   posse   de arma ilegal e participação criminal no Cartel de Sinaloa, do qual foi líder durante mais   de   20   anos.  

Deverá cumprir a pena numa prisão de segurança máxima no Colorado, nos Estados Unidos, de onde nunca ninguém conseguiu escapar. Conhecida como ADX e apelidada de ‘Alcatraz das Montanhas Rochosas’, a cadeia   foi   descrita   por   um   antigo guarda como o mais próximo do inferno que conhece, um lugar onde moram 400 presos mas onde estes nunca se cruzam nos corredores.

Ali, ‘El Chapo’ – alcunha que quer dizer ‘baixinho’ e lhe foi atribuída por causa da sua estatura (1 metro e 64) – vai estar fechado vinte e três horas   por   dia   numa   cela   pequena com um estrado e um colchão de espuma fino, um três em um que combina duche, sanita e unidade de água potável.

No exíguo espaço que também alberga Dzhokhar Tsarnaev, o bombista   da   maratona   de   Boston, uma   televisão   passa,   em   contínuo circuito fechado para os detidos, aulas de psicologia, educação, controlo da raiva e alfabetização.

Analfabeto

O filho "praticamente analfabeto" de María   Consuelo   Loera   Pérez,   uma mulher pobre que guardava gado em La Tuna, aldeia perdida na Sierra Madre, estado de Sinaloa, na zona noroeste do México, nasceu a 4 de abril de 1957 e teve dez irmãos.

Na infância chegou a vender laranjas e compotas para ajudar a família, mas viria a iniciar-se   no   pequeno   tráfico   aos   15 anos, antes de se tornar o maior fornecedor de droga dos EUA, dono e senhor do tráfico de cocaína, heroína, marijuana e metanfetaminas.

"Não havia trabalho, a forma que tinha de comprar comida e sobreviver era cultivar e vender papoilas e marijuana",   contou   ‘El   Chapo’   a   Sean Penn numa insólita entrevista à revista ‘Rolling Stone’, em janeiro de 2016, numa altura em que estava escondido na selva mexicana.

Com uma fortuna avaliada em mil milhões de euros, o narcotraficante de 61 anos figurava anualmente na lista dos mais ricos da ‘Forbes’, mas era também o homem mais procurado pelos Estados Unidos, a seguir a Osama Bin Laden. Embora em Sinaloa, o seu estado natal, o barão da droga   tenha   cultivado   uma   certa imagem   de   Robin   dos   Bosques   (o fora   da   lei   que   roubava   aos   ricos para dar aos pobres), ‘El Chapo’ era considerado impiedoso com rivais e traidores   e,   segundo   perícias   psiquiátricas,   "manipulador   e   egocêntrico".

Segundo uma criminologista que o entrevistou, o mexicano   que   muitos   consideram   o   homem   mais   perigoso   do   Mundo   é também viciado em sexo. Na prisão de El Altiplano – de onde escapou pelo   túnel   escavado   na   zona   do chuveiro –"tinha que consumir estimulantes para poder ter sexo todos os dias. Recebia a visita da esposa – uma antiga rainha de concursos de beleza no México – mas também de prostitutas e de outras   mulheres   da   prisão".  

Foi   aliás   a queda pelo sexo oposto que levou à sua captura em 2016. O mexicano era fã da atriz de telenovelas Kate del Castillo e foi a curiosidade em conhecê-la que o levou a quebrar algumas normas de segurança, que culminaram na sua detenção.

O pinga-amor tem 23 filhos reconhecidos, mas não é só na paternidade   que   os   números   impressionam:   este   verdadeiro   mestre   do disfarce controla ou tem poder sobre 3500 empresas em quatro continentes, segundo o especialista em lavagem de dinheiro mexicano Edgardo Buscaglia.

Só a 25 de junho, quando o juiz ler a sentença, saberá se fica na prisão até ao fim dos seus dias – a menos que consiga escapar.
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