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“Em casa da avó deve ser outra vida”

Alice Vieira tem 75 anos e quatro netos. Chegou a ter uma piscina na sala e a mostrar-lhes onde namorou o avô deles.
Fernanda Cachão 6 de Janeiro de 2019 às 11:30
A escritora Alice Vieira
A escritora Alice Vieira
A escritora Alice Vieira
A escritora Alice Vieira
A escritora Alice Vieira
A escritora Alice Vieira
A escritora foi avó pela primeira vez há 23 anos. Alice Vieira, hoje em dia com 75, recorda a vontade que tinha em ter netos e de como insistiu com o filho: "Felizmente, ele queria ter filhos e um ano depois de se casar nasceu a Adriana. Foi uma loucura."

A escritora, que se estreou em 1979 com ‘Rosa, minha irmã Rosa’, sublinha, no entanto, que nunca foi uma "avó a dias" e que a sua casa, como a de todas as avós, "não deve ser o prolongamento do ATL (atividade de tempos livres)", embora saiba que para muitas famílias "não existe outra alternativa".

"Em casa da avó deve ser outra vida. Lembro-me que, por exemplo, tinha uma piscina comprada ‘nos chineses’ no chão da sala. E ela [Adriana] dizia-me: ‘Avó, estou há muito tempo dentro de água, preciso de apanhar sol’ e levantava-se para se deitar no chão da sala", conta a rir quem ainda jogou com os netos, saiu à rua para ir a museus ou até para lhes "mostrar os lugares onde namorei com o avô deles".

Geração de permeio
Alice Vieira lembra João dos Santos, o pedopsiquiatra e pedagogo (1913-1987) que defendia que "nenhuma criança sobrevive sem uma avó".

"O professor defendia a importância da geração de permeio. Com os nossos netos falamos de coisas que não falámos com os filhos. Eu, por exemplo, sei tudo da Adriana e ela sabe tudo sobre mim."

Avó de quatro - a referida Adriana, Diogo, Pedro e Isabel - Alice Vieira reconhece ter sido uma avó diferente para cada um deles, em virtude de alguns terem vivido longe dela, inclusive fora do País. Hoje em dia, os dois mais velhos estudam em Cambridge (RU) e a mais nova vive em Torres Novas, e só um deles está em Lisboa, a estudar no Técnico.

"Adoro ser avó, só não gosto que me tratem por avozinha porque me faz sentir com 100 anos em cada ombro", conclui quem nunca esqueceu certo cartaz sobre as três regras de ouro da boa avó: "Dá-lhes amor, doces e manda-os para casa."
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