Barra Cofina

Correio da Manhã

Mais CM
2

Emoções fortes

Nem mesmo um fim-de-semana chuvoso e de futebol impediu que cerca de duas mil pessoas lotassem, sábado à noite, o Palace Theatre, em Manchester, Inglaterra, para assistir a ‘Miss Saigon’, o espectáculo que Cameron Mackintosh produziu e que chega a Lisboa em Janeiro com a promessa de comover até os corações mais empedernidos.
5 de Dezembro de 2005 às 00:00
Inspirado na obra de Pierre Loti que também originou ‘Madame Butterfly’, o musical – estreado originalmente em 1989 – conta-nos uma bela história de amor entre uma jovem vietnamita (Kim) e um soldado norte-americano (Chris) e tem, previsivelmente, um desfecho trágico. Se bem se lembram da ópera de Puccini, há uma criança no meio deste drama. Pois aqui, essa criança passará, a determinada altura, a ser o centro de toda a acção. Rejeitado no seu país natal por causa dos traços ocidentais, Tam acabará por ir para os Estados Unidos à procura de uma felicidade que a mãe nunca teve.
Sem uma única música que fique realmente no ouvido e com muito pouca dança, ‘Miss Saigon’ vive sobretudo do impacto de uma belíssima história de amor, que nos é oferecida através de interpretações muito sentidas dos actores/cantores.
Aqui, o que importa mesmo é despertar a emoção da plateia. E, a esse nível, não há como falhar. Assim que a criança (Tam) entra em cena, nada voltará a ser igual. Inicia-se uma espiral de emoção que só culminará, no fim, com uma das cenas mais dolorosas a que nos foi dado assistir num palco de teatro.
A acção de ‘Miss Saigon’ inicia-se num bordel, onde Chris encontra Kim, então a iniciar-se na prostituição. Apaixonam-se e vão viver juntos, mas o idílio dura pouco: começa a retirada americana e Kim e Chris perdem-se um do outro: ela fica em Saigão, ele parte para a América...
Visualmente, o espectáculo recorre a imagens muito usadas nos filmes que retratam a passagem dos americanos pelo Vietname. O cenário procura reproduzir as ruas de Saigão e o mínimo que se pode dizer é que se gastaram rios de dinheiro para fazer de conta que estamos numa cidade pobre.
O dispositivo cénico muda a cada dez minutos, manobrado pelo próprio elenco que é, já de si, impressionante: 36 pessoas em palco lideradas pelos protagonistas Ima Castro e Miriam Valmores-Marasigan (Kim) e Ramin Karimloo (Chris).
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)