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“Esta mãe ama profundamente o filho"

‘Até que o Porno os Separe’, o último e já premiado documentário de Jorge Pelicano, estreia esta semana.
Fernanda Cachão 28 de Abril de 2019 às 13:00

Até que  o Porno os Separe’ é o mais recente documentário de Jorge Pelicano - autor de ‘Aqui há Pastores’ ou de ‘Para-me de Repente o Pensamento’. Estreia esta semana nos cinemas.

Como chegou a este filme?
Há três anos, quando vi algumas entrevistas a atrizes porno na televisão, resolvi explorar esse universo, mas após uma pesquisa percebi que não queria fazer um filme sobre os bastidores da pornografia em Portugal, que é ainda incipiente, e o que me interessava mais era o lado familiar desse universo - ou seja, não me interessavam os atores e as atrizes mas os seus familiares, neste caso as mães. E foi assim que cheguei à história do Sidney, nome artístico de Fostter Riviera, o primeiro ator porno gay português, pelo menos     assumido, e à história de Eulália, a mãe dele, que quando a conheci estava ainda em processo de adaptação ao facto de ter descoberto que o seu filho era um ator porno gay já premiado na Alemanha e na Europa.

Acabou por se centrar só numa história.

Como cineasta gosto de acompanhar personagens que atravessam processos de transformação,     em     vez     de     pedir     às pessoas     que,     ‘a     posteriori’,     falem     desse     processo.     Esta     é uma mãe religiosa, conservadora,     que descobre através do Facebook que o seu filho é um ator porno gay.

 Foi fácil  a Eulália aceitar-vos também?

Foi difícil. Os pais e as mães têm determinado tipo de expectativas para os seus filhos e ser ator porno não está certamente entre essas expectativas. Mas para o filho também não é fácil contar que é um ator porno. No caso do Sidney, que até tinha tido boas notas no Secundário e que neste momento trabalha como web designer numa grande empresa na Alemanha, ser ator porno era uma coisa que ele queria desde os 15 anos.

Este é um documentário muito diferente dos seus anteriores...
É um filme de família, com uma história e duas personagens. É o meu filme mais intimista. Uma das razões porque apostámos nesta história foi termos sentido que esta mãe queria contá-la. Durante anos, ela tinha lidado com o assunto de uma forma muito solitária.

Quando encontrou a Eulália, em que fase ela estava?
Já tinha aceitado  a homossexualidade do filho,o facto de este ser ator porno gay, e a única coisa que ela ainda queria fazer era assistir a um show do filho ao vivo, que acabou por ser no Eros Porto. Era a maneira desta mãe concluir um caminho. Esta mulher só faz esta grande caminhada porque ama profundamente o filho. Neste tipo de casos, os filhos acabam geralmente por se afastar porque os pais, principalmente o pai, não os aceita. No pai há sempre uma     espécie de vergonha.

Qual foi para si a cena mais incómoda de filmar?

Não era fácil estarmos ali constantemente a explorar a intimidade desta mãe, apesar dela ter estado muito     à-vontade connosco. Como documentarista trabalho com pessoas reais e o que tenho de fazer é retribuir com respeito a confiança depositada. Isto por um lado, por outro filmar uma cena porno foi  também muito difícil. Queríamos mostrar a cena, passar emoções, sem mostrar o sexo explícito, nomeadamente naquilo que foi relativo ao Eros Porto e a um filme porno que ele fez.

Qual vai ser o próximo documentário?

Estou a  trabalhar num documentário sobre o Tony Carreira que estreará penso que este verão. É sobre a vida dele, mas não podemos ainda falar muito disso.

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