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"Faço o papel do do tio bacano"

A escassos quilómetros de Arraiolos,Paviacorrespondeàquela imagem quase estereotipada que se tem da típica povoação alentejana. Branca, deserta e imaculadamente limpa. Nem uma beata no chão. A calma é tanta que até o restaurante da Dona Floripes está fechado. Paulo Sargento ficará a saber daqui a pouco que a anfitriã do S. Dinis foi embora.
20 de Julho de 2008 às 00:00
'Faço o papel do do tio bacano'
'Faço o papel do do tio bacano'

Não se sabe bem se voltará, mas é evidente a desilusão do psicólogo: 'Só ela tem paciência para aturar a malta com os copos'. Claro que para comer não faltam alternativas, mesmo em pleno coração do Alentejo. 'Em Arraiolos temos o Alpendre que é uma referência nacional da gastronomia'. Mas a Dona Floripes reunia outros atributos para além da proximidade – fica mesmo em frente à propriedade onde a família de Paulo Sargento descobriu, há dois anos, o refúgio ideal. Para já, podia levar-se para lá o Joca. E o labrador não gosta nada de ficar sozinho. Mesmo tendo por companhia as três cadelas - da Sãozinha, a dona da quintinha que se tornou ao longo do tempo como um membro da família. Depois, há as relações humanas e quando se é psicólogo, mesmo em repouso, esta é dimensão à qual se dá importância. Mas, embora apreciador da boa mesa, não é só pelos petiscos que Paulo Sargento gosta de ir para Pavia: 'É uma oportunidade única para reunir a família', refere. 'No Natal passado estivemos todos pela primeira vez em vinte anos. Éramos uns 15'. Como em toda a região, o clima é 'bastante extremado'. Por esta altura, as temperaturas sobem facilmente acima dos 30. Mas o Inverno é rijo. Felizmente, as grossas paredes da habitação e a salamandra fazem o seu papel na manutenção da temperatura a níveis aceitáveis. É que, em todas as estações, vale a pena ter ali um retiro de fim-de-semana: 'Sendo perto [e o trajecto não chega a demorar uma hora, quase sempre por auto-estrada], estamos completamente na província, totalmente isolados dos males da cidade.

O sossego permite dedicar longas horas ao trabalho e Paulo Sargento aproveita os momentos de calmaria à sombra junto da minipiscina para escrever ou rever os textos do livro que se prepara para lançar: ‘Educar a Criança - até aos 6 anos’ (sob a chancela da Esfera dos Livros). Mas o melhor dos fins-de-semana em Pavia são as idas à barragem do Maranhão, ali próxima, para pescar ou tomar banho ou as saídas com os sobrinhos adolescentes. 'Querem ir às festas da região e às vezes levo-os. Faço o papel de tio bacano'.

Um dos objectivos de Sargento é levar a cadela Constança para Pavia, mas ainda não foi possível conciliar os fins-de-semana em que está com ela com as idas ao refúgio. Para mais, o psicólogo confessa que tem um certo receio da forma como a Constança se irá comportar no meio dos seus congéneres.

UM DÓLMEN EM PLENA PRAÇA

Um dos ex-libris de Pavia é o Dólmen, transformado em capela que se ergue bem no meio da praça principal. Paulo Sargento gosta de ir até ao monumento para reflectir e aproximar-se da experiência mística que nos transporta para outras dimensões. 'Sento--me lá um bocado. Gosto de sentir aquela coisa que os gregos tinham, que nos liga no espaço e no tempo com quem já lá viveu'.

Longe do Neolítico e mesmo do séc. XVI, de quando datam as primeiras descrições da Capela de S. Dinis, o psicólogo aprecia o lento correr dos dias na vila alentejana. Já sente que faz parte da povoação. As pessoas reconhecem-no. 'Dizem: ‘Olha, é o tipo da Maddie’. Vêm ter comigo e perguntam se afinal foi a mãe que matou a menina ou simplesmente o que aconteceu'. Na opinião de Sargento, ainda é cedo para se tirarem conclusões sobre o caso. Prefere aproveitar as estadias 'para esquecer a loucura do dia-a-dia'.

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