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Festa rija para comemorar o Brexit

O holandês Ron Toekook está a organizar a despedida da Inglaterra. Espera 90 mil foliões
João Pedro Ferreira 8 de Setembro de 2019 às 06:00
Boris Johnson
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Nos últimos dias, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, tem sido o bombo da festa no parlamento de Londres ao sofrer derrotas sucessivas no seu projeto de levar a cabo o Brexit no próximo dia 31 de outubro, custe o que custar, doa a quem doer. Mas, por incrível que pareça, o chefe do governo conservador conta com inesperados apoios... fora do Reino Unido.

As razões avançadas como (bons) argumentos para contrariar a saída da Grã-Bretanha da União Europeia são saudadas como excelentes motivos para apoiar - upa, upa!, festejar o tão badalado Brexit. Que o digam os empresários holandeses que já se preparam para faturar com a esperada debandada de empresas e negócios da City e dos centros industriais britânicos.

O governo holandês reforçou recentemente a dotação financeira da agência para o investimento estrangeiro nos Países Baixos (NFIA) para aproveitar a incerteza que ronda as empresas sediadas nas ilhas britânicas. Cerca de uma centena dessas empresas, com receio das consequências de um Brexit sem acordo, já deslocou a sua sede para território holandês. E espera-se que mais 325 multinacionais se lhes juntem em breve.

Festa

A situação chegou ao ponto de um holandês, Ron Toekook, ter organizado para o próximo dia 31 de outubro, uma quinta-feira - a data aprazada para a consumação do divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia -, em Wijk an Zee, uma praia a norte de Amesterdão, uma festa de despedida. O evento conta já com 83 mil aderentes no Facebook. "Será uma bela despedida para um amigo que vai partir numa aventura excitante, mas talvez não muito inteligente", disse Ron Toekook à agência noticiosa holandesa ANP, citada pelo jornal britânico ‘The Guardian’. Toekook acrescentou que um dos pontos altos da festa será o momento em que os convivas, "sentados em espreguiçadeiras a comer batatas fritas holandesas e a beber vinho francês e cerveja alemã, verão o momento em que a Inglaterra se fecha sobre si própria e se vai embora".

O organizador conta atingir nos próximos dias a adesão de um total de 90 mil pessoas à festa para assinalar a separação dos britânicos.

Negócios

Desde janeiro do ano passado que a NFIA, um organismo do Ministério da Economia holandês para incentivar o investimento estrangeiro no país, uma espécie do nosso AICEP, vem mantendo negociações com 200 empresas estabelecidas no Reino unido para convencê-las a mudarem-se para a Holanda.

Atualmente, o número de empresas que se declararam muito interessadas em mudar as suas sedes nos próximos meses para a Holanda anda pelas 325. Continuam, no entanto, a negociar as condições dessa "trasladação", designadamente os incentivos fiscais, ao mesmo tempo que aguardam, até à última hora, a possibilidade de uma mudança na política britânica.

Financeiras e tecnológicas

"Lamentamos o Brexit. Está claro que tem implicações económicas para os negócios internacionais. A incerteza crescente e a possibilidade cada vez maior de Brexit sem acordo estão a causar um grande mal-estar económico a essas empresas [no Reino Unido]. Por isso, cada vez mais companhias estão a recorrer aos Países Baixos como uma nova base potencial no mercado europeu", disse o comissário da NFIA, Jeroen Nijland, ao jornal espanhol ‘El Confidencial’.

A Holanda tem fortes trunfos para atrair as empresas: sólidas instalações logísticas, uma população que domina facilmente a língua inglesa e poderosas infraestruturas digitais.

Os Países Baixos são especialmente atrativos para as empresas do setor financeiro, tecnologias de informação, meios de comunicação e publicidade, além das empresas dedicadas às Ciências da Saúde.

Das 98 empresas que já trocaram o Reino Unido pelo país das tulipas, a maioria tinha razões urgentes para o fazer, como a necessidade de obter licenças bancárias ou direitos de transmissão para não sofrerem um apagão e poderem manter-se em atividade no dia em que se concretize a saída do Reino Unido da União Europeia.

O acesso à UE é fundamental para todas as áreas de negócio e a NFIA sabe-o bem. Por isso ‘vende’ a Holanda como uma opção convincente - e conveniente . "Com as nossas sólidas instalações logísticas, a população anglófona e as infraestruturas digitais, podemos garantir que as empresas podem continuar a fazer negócio no mercado europeu. As empresas precisam de ter esta certeza para atrair talento, chegar a tempo aos clientes além fronteiras e obter fundos de inovação europeus", diz aquele responsável.

As últimas a mudar para a Holanda as suas sedes europeias foram a agência de seguros de crédito AMBest, a norte-americana Bloomberg, ou o canal Discovery.

Os responsáveis portugueses bem podiam seguir o exemplo dos holandeses nesta aproveitamento das oportunidades do Brexit. Quem sabe, sabe.

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