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Filhos de um Deus maior

São pessoas que adoptaram outras religiões. Indivíduos que em comum têm fé. Uma fé que já teve outros nomes, outros sentidos. Nasceram numa crença religiosa e ao longo da vida escolheram outra. Converteram-se.
16 de Abril de 2006 às 00:00
Filhos de um Deus maior
Filhos de um Deus maior FOTO: Orlando Almeida
"Deixe-me contar a minha história. Se tiver perguntas... não hesite”, diz-nos o padre Saúl, com declarado sotaque açoriano. Até aos 8 anos, a educação religiosa estava a cargo da sua avó, católica devota, uma pessoa que “me traz muitas saudades.” Quando o pai regressa de uma missão nas Bermudas, dá-se a viragem, vem protestante. Embora “não nos obrigasse a nada”, a família começa a frequentar a Igreja Presbiteriana. “Já que eu não ia ser padre, seria pastor.” Era a certeza. Mas, nesse tempo, só existia um seminário no Brasil, e as hipóteses de atravessar o oceano Atlântico eram nulas. Quando as portas do seminário Teológico Presbiteriano se abriram em Carcavelos, em Outubro de 1949, troca os Açores pelo continente.
Na corrente presbiteriana é muito comum enfatizar-se a pregação. E numa dessas vezes, mais especificamente enquanto pregava na igreja da Ajuda, conheceu “uma miúda.” Depois, “desinquietei-a” para que fosse tirar um curso de educação religiosa direccionado às futuras mulheres de pastores. A “miúda” não declinou o convite. Estudou. Casaram em 1955.
No 3.º ou 4.º ano do curso, o dr. Pina Cabral perguntou ao reitor do seminário “se não havia uns rapazes” que o pudessem ajudar na Semana Santa. Escolheram-no.
É por essa via que se dá a estreia com o Anglicanismo. “Gostei muito.” Fazia-lhe lembrar a Igreja Católica. E prometeu em voz baixa: “Quando acabar os meus estudos, ingressarei na Igreja Anglicana.” E assim aconteceu. Ficou com a paróquia de São Mateus, em Vila Franca de Xira, onde esteve durante doze anos.
Quando se dá o Concílio do Vaticano II, e perante a que chama de “renovação da Igreja Católica”, interrogou-se se não estaria na altura de voltar. Quando o coração bateu nesse sentido, um velho amigo ainda dos tempos em que era presbiteriano, o padre João de Sousa, indicou-lhe os passos que deveria dar. Havia certamente um senão: estar casado. Seria em Fátima que o arcebispo de Cisico conseguiu avançar o processo, ao dizer ao cardeal Cerejeira: em dez anos, sete padres foram para o Protestantismo. E agora que um quer vir para cá, estamos a barrar-lhe o caminho? Desta vez a carta seguiu para Roma com ouvidos. A resposta veio em vinte dias com 4 requesitos condicionais: 1- Tinha que ultimar a sua preparação teológica. 2- Teria que ser ordenado - esta condição, confessa-nos, “fiz com alguma relutância. Eu já tinha sido ordenado padre na Igreja Anglicana.” 3- Se enviuvasse não poderia casar novamente. 4- Que houvesse um bispo que o recebesse.
A paróquia do Padre João recebeu-o na Igreja dos Anjos. Mais tarde, Dom António Ribeiro enviou-o para a Igreja das Mercês como pároco.
“Sinto-me feliz. O facto de ser casado não me inferioriza em nada.” E enaltece quem vive no celibato. A ele não lhe pediram e nem “eu fazia isso.” O celibato está, desvenda-nos, destinado para aqueles que, antes de serem ordenados, assim escolheram esse caminho. Lembra que no Ocidente, qualquer pastor que saia das suas igrejas para entrar na Igreja Católica, “se já são casados, casados ficam.” Já no Oriente, desde o Século I até aos dias de hoje existem na Igreja Católica padres solteiros e casados.
Não gosta da palavra conversão. “Não saí das trevas para a luz. Mas da luz para maior luz.“ Simplesmente o saudosismo da religião Católica sobressaíu quando ainda estava na Igreja fundada pelo Rei Henrique VIII.
“Se Deus queria que eu fosse padre da Igreja Católica, se nasci na Igreja Católica, porque razão não fui logo e tive que dar a volta pelo protestantismo? Uma pergunta que faz a si mesmo no desfecho da conversa. Relembra--nos o caso do povo judeu que quando saiu do Egipto, “Deus fê-los andar pelo caminho mais longe. Graças a Deus, passei pelo seminário.” Nessa academia religiosa encontrou “gente douta, sábia, homens extraordinários.”
Se o Concílio do Vaticano II tinha sido também um factor de aproximação do padre Saúl ao Catolicismo, para Armando Monteiro, proveniente de uma família portuguesa de raiz profundamente católica, arcebispo da Igreja Apostólica Católica Ortodoxa desde 1991, não foi. Defensor que o valor da “santidade” na Igreja Católica Romana só existiu até ao referido Concílio e que as mudanças que daí resultaram na liturgia, nos sacramentos, na maneira de ser dos padres e dos leigos, fizeram com que “o sentido do sagrado se perdesse.”
De laringe segura confessa: “a minha caminhada não foi fácil.” A mudança de confissão religiosa deu-se mesmo contra a vontade dos seus familiares.
Em 1975 teve, como nos adianta, “um maior chamamento” que o levou a procurar algumas comunidades religiosas dentro da Igreja Católica. Mas, ficou desiludido com os Franciscanos, Jesuítas e Dominicanos: “Achava tudo muito frio.” Um gelo que, na sua opinião, se devia ao facto de ter sentido que essas ordens religiosas se mostravam “muito mais materialistas do que espirituais.” Ainda pensou em ingressar nos Beneditinos, mas tal não aconteceu.
Enquanto procurava poiso para a devoção, Dom João Gabriel – o arquimandrita (equivalente a Monsenhor da Igreja Católica Romana) – chega a Portugal com o intuito de reorganizar a Igreja Ortodoxa. Quando é fundado o mosteiro da Transfiguração, em Sintra, Dom Armando não hesita e dá o passo para entrar. “A descoberta da espiritualidade” foi o factor que mais me influenciou na decisão, assim como a ajuda ao próximo.” Apesar da fé não ter sofrido a mínima alteração, a sua atitude perante o divino mudou: “Na Igreja Ortodoxa há uma maior reverência a Deus. Ainda temos o santo dos santos.”
Não saiu da religião Católica Romana sem ouvir a opinião do bom amigo, Dom Manuel Martins, que antes já lhe tinha dado aval para fazer a “celebração da palavra”, e ele, “homem muito pragmático, disse-me que se eu realmente sentia Deus dessa forma, teria que avançar.” E o que quer dizer sentir Deus dessa forma? A explicação vem na frase e na forma cuidada como a articula: “Quando celebro a santa missa, sinto Deus em mim, como uma presença mística. Quando estava na Igreja Católica Romana sentia-o como uma presença na liturgia.”
A conversão para a Igreja Ortodoxa, no caso do indivíduo vir do Catolicismo, resume-se ao sacramento do Crisma que simboliza a entrada. Mas quem, por exemplo, não fez a primeira comunhão, terá de reafirmar a sua fé através do credo, e depois é baptizada e crismada.” Todos os que vêm de outras religiões “terão de começar tudo de novo, aprendendo na catequese ortodoxa.” O seu processo, atendendo à sua formação religiosa, ficou expresso “numa passagem normal de testemunho.” Consagrado monge no Mosteiro dos Jerónimos em 1977, uma data que muito o emociona – 29 de Junho – dia de São Pedro e São Paulo, a que chama de “um novo começo. Um encontro comigo e com Deus.” Após dois anos, os Estados Unidos da América esperavam por ele. Doutorou-se em Teologia e em Psicologia. Antes de regressar a Portugal, viveu algum tempo na América do Sul, na qualidade de missionário.
Por sua vez, Heny Carbonaro, filha de judeus polacos, já em pequena sentia-se dividida entre a sinagoga e a igreja. Os sermões dos padres e os discursos dos rabinos exerciam o mesmo encanto. A causa da duplicidade fica definida: “Os judeus aguardam pela vinda do messias e os católicos e os cristãos consideram que Jesus Cristo veio à terra com essa finalidade.” Heny não tem dúvidas: “Jesus Cristo era judeu e foi o messias.” Mais: porque uma tese antiga assegura que Jesus ficou conotado como rei dos judeus, não deixa passar em branco o que captou da história: “É por isso que eu não deixo de ser judia.” No seu parecer, o Judaísmo “terá de mudar, evoluir e deverá aceitar Cristo como o mensageiro de Deus.” As paredes e os cantos do quarto não deixam mentir o que nos revela: símbolos católicos, cristãos e judaicos, embora as imagens de Jesus e de Maria ganhem em profunda maioria. À sua cabeceira, João Paulo II e Bento XVI vivem numa moldura. Converteu--se? É uma pergunta que deixamos cair. Heny precisa de uma pausa. O seu discurso imparável quebra pela primeira vez. Depois, retoma o ritmo: “Não sei se alguma vez eu me converti.” Também não sabe concretamente qual a confissão religiosa que adoptou. Se o Judaísmo Messiânico desse maior relevo à mãe de quem considera ser o messias, encaixaria na íntegra. Sente-se como já nos confessou: judia... Mas, com um pormenor que altera a sua aliança com a religião de Moisés: acredita que Jesus Cristo é o redentor. A devoção que sente pela virgem Maria fica realçada no terço que sai, delicadamente, de uma caixa, “rezo-o todas as noites.”
“Sinto o mesmo fervor.” Sente a mesma efervescência de fé quando reza na capela das Aparições, em Fátima, e quando está no Muro das Lamentações, em Israel. Poderá parecer um contraste impensável, mas a aclaração vem rápida: “O Judaísmo nasceu comigo em casa de meus pais. O Cristianismo nasceu na minha alma.”
Festeja Pessach, (páscoa judaica) embora não cumpra o Kosher (preceitos dietéticos judaicos) e celebra a Páscoa católica, “claro! Foi no Domingo de Aleluia que Jesus ressuscitou.” O Natal, “obviamente” é celebrado. “O nascimento de Jesus Cristo é um marco na minha vida.” Relativamente à morte de Cristo, Heny não recua nas palavras: “Foram os judeus que o mataram.”
Nos anos 70, viveu três anos em Israel, nas imediações de Jerusalém. Na chamada terra do leite e do mel, fez amizades na ordem Franciscana, e iniciou contactos com a Organização da Libertação da Palestina (OLP). Em 1988 participou no ‘Barco do Regresso - Alawad’ – uma iniciativa (que acabou por ser abortada) que tinha como objectivo propagar a bonança no Médio Oriente. No entanto, a embarcação nunca saiu do cais, mas a afeição por Yasser Arafat imortaliza-se nas suas palavras com a pronúncia típica dos askenazis (judeus originários do Norte da Europa): “Perdi um grande amigo. Julgo que o mataram.” Pergunto-lhe se opina se foram os mesmos que, na sua perspectiva, mataram Cristo. Abana a cabeça, um urso de peluche sai do seu colo para reafirmar nas suas mãos.
Se existe quem se afaste das colunas do Judaísmo oficial, dito ortodoxo, Michah, um alemão neto de uma avó nazi, há quatro anos decidiu abraçar o Judaísmo.
Homem de barba loura, de patilhas compridas enroladas, vestido entre o preto e o branco, tal e qual como os “mitnagdim” – movimento judaico não Chassídico. Atrás e à nossa frente, à direita e à esquerda, estão estantes apinhadas de livros. Não há canto na casa onde um livro, aberto ou fechado, não esteja à vista. Michah atira um cálculo para a biblioteca: “Talvez 3 mil.” Sobram os que ficaram na Alemanha.
Não nos esquecemos da avó hitleriana: “Hilter não era maluco. Estava convicto da sua ideologia. A vida judaica era importante.” Se por um lado Heny fez amizade com Arafat, Michah admite a “dinâmica de Deus.” E larga um exemplo: “Como é que Israel pôde, em 1967, derrotar sete países árabes ao mesmo tempo?”
É verdade que nasceu no interior de uma família Protestante. E que a mãe do seu pai ostentava de peito cheio a fotografia de Adolfo. Pela parte materna, a avó, embora fosse estritamente luterana, uma cabalística ascendência judaica emergia, especialmente quando se zangava: falava em Yiddish.
Michah foi protestante até aos 11 anos. Logo que atingiu a maioridade oficializou o rompimento. A política começou a fazer parte do seu quotidiano. Chegou a ser o chairman do partido dos Verdes, na sua região. “A juventude leva-nos a pensar como funciona o Mundo. Vi também que aquilo não era o meu caminho.” O facto de sentir que não tinha evoluído, da política se ter tornado num substituto e de não conter a verdade de que andava à procura, conduziu-o a uma certeza: tinha de mudar. “Sempre fui uma pessoa honesta. Se continuasse por mais tempo na política estava a mentir a mim próprio e aos outros.”
Durante três anos consecutivos leu o Alcorão, o Budismo e outras religiões. Há 15 anos o interesse parou no Judaísmo. Depois de ter lido e estudado em profundidade, não tem dúvidas: “O Judaísmo é a ciência que tem o manual do Mundo. E esse manual é a Toráh, a Lei Judaica.” Escreveu uma carta ao rabinato da localidade onde vivia, mas o rabino não o ajudou muito. Mesmo assim, continuou o estudo. Queimou os olhos nos livros. O dever de aprender e de estudar serviram-lhe de estímulos mores. “Mais do que um sentimento foi uma decisão”, referindo-se à conversão que aconteceu em Lisboa, em 2001, na Sinagoga Shaaré Tikva, presidida pelo Grande rabinato de Paris. Com ele, a mulher que se converteu no mesmo dia sem nenhuma imposição.
Convicto que Lisboa não será o poiso final, sobretudo pela inexistência de um rabino e pela ausência de um Mikvé (local de prática de ritual de purificação por meio de imersão em águas fluviais). “Há 29 meses que a minha mulher se vê numa situação inconcebível”– como não existe um Mikvé na capital portuguesa, todos os meses a senhora faz essa prática obrigatória no mar. Escusado será lembrar o efeito do gelo no Inverno. Escusado é também enfatizar a diferença que existe entre um banho de culto e um no oceano Atlântico.
Enquanto resmunga um direito, Michah retorna à sua filosofia: no Cristianismo existem “coisas que não podem ser questionadas.” No Judaísmo o único ponto indiscutível é a existência de Deus: “Hashem (um dos nomes de Deus) criou o Mundo. Existe e está presente. Hashem é activo.”
Com próxima definição de Deus, Jasmin El Sakah, recebeu o chamamento do Islão pela “existência e crença de um Deus activo. Um Deus que está sempre connosco.”
Apesar de provir de uma família pouco praticante, Jasmin foi baptizada e fez a 1.ª comunhão. Não recebeu a Crisma “já em acto de consciência.”
Ao mesmo tempo que rebenta a revolução do 25 de Abril de 1974, a adolescência levantou muitas questões e dúvidas, “as respostas que vinham da parte da Igreja Católica não “faziam muito sentido.” Por curiosidade, começou a procurar outras religiões. Teve alguns encontros com as Testemunhas de Jeová. Aproximou-se dos Evangelistas. Seguidamente dos Protestantes. Mas voltava à estaca zero: não encontrava respostas. Entretanto casa-se no rito católico porque nunca entrou em negação completa. A ideia de Deus “esteve sempre comigo. Sempre tive a certeza que Deus existe.”
Embora o casamento lhe tivesse arrancado o tempo para interrogar, “as questões nunca foram embora.”
Há sensivelmente dez anos, eis que surgiu um maior interesse pelo Islão. Começou a ir à Feira do Livro Islâmico na Mesquita de Lisboa. O despertar pelo Islamismo surgiu através das leituras. “Li muito e leio cada vez mais.” Já nos tempos do liceu teve colegas muçulmanos e é provável que a sua admiração por eles recue a esse tempo.
Caracterizando a Comunidade Islâmica em Portugal de “bastante fechada, que não procura converter ninguém, e que não faz um trabalho activo no sentido de procurar pessoas para se converterem”, o seu caminho foi difícil. Todavia, não impossível.
A decisão de mudar de doutrina religiosa assenta na maneira intensiva como a religião muçulmana é vivida: “O Islamismo é, de facto, uma forma de vida. Vive-se dia a dia a ideia de Deus. Aceitam-se as coisas boas e as más, dizendo sempre hamdulilá – graças a Deus.”
Entretanto, durante esta caminhada espiritual, encontrou o actual marido. Casaram a 1 de Janeiro de 2005, na mesquita de Lisboa, sem que Jasmin se tivesse convertido. A certeza final de que o “Islão era o meu caminho” chegou no mês seguinte no Cairo. A conversão aconteceu no Centro Islâmico do Egipto. Ninguém lhe pediu nem exigiu, “foi um desejo meu.”
Basta falar com Deus para estar já convertida. É um facto. Mas a entrada em Meca só é permitida aos muçulmanos – os que nasceram como tal e aqueles que se converteram. Como queria ter a possibilidade de entrar na sua cidade santa, precisava de um certificado da comunidade Islâmica. Para que isso acontecesse passou por um exame. No dia da conversão o xaique fez-lhe perguntas. Uma delas, talvez a crucial, resumia-se: por que razão se queria converter ao Islamismo? A resposta veio espontânea e sentida: “Depois de ter estudado, aceitava em consciência e reconhecia os pilares do Islão como os certos.” O nome Etelvina rendeu-se a Jasmin.
SAÚL DE SOUSA
Local nascimento: ilha de S. Miguel
Idade: 83 anos
Estado civil: Casado
Trânsito de fé: Igreja Anglicana para Católica Apostólica Romana.
Foi pastor presbiteriano (nessa altura casou e constituiu família) e anglicano. Mas acabou por regressar ao Catolicismo, que era a sua religião de origem. Em 1971, o cardeal Cerejeira ordenou-o padre. O único sacerdote católico em Portugal que ficou no estado em que veio: casado.
ARMANDO MONTEIRO
Local nascimento: Ovar
Idade: 58 anos
Estado civil: Solteiro
Trânsito de fé: Igreja Católica Apostólica Romana para Igreja Ortodoxa
Dirigiu a catequese em Alhos Vedros, foi subdirector da Cáritas em Setúbal, no início dos anos 70, o então bispo de Setúbal, Dom Manuel Martins, autorizou-o a fazer a “celebração da palavra.” Por não ter encontrado o lado místico no Catolicismo, em 1977 trocou a religião Católica Romana pela Apostólica Católica Ortodoxa.
HENY CARBONARO
Local nascimento: LISBOA
Idade: 62 anos
Estado civil: Casada
Filhos: 2
Trânsito de fé: Do Judaísmo para o Cristianismo
Embora não esteja cem por cento de acordo com o Judaísmo messiânico, intitula-se “mariana”; por amor a Maria, embora a ideia de Deus como um ser superior é o ponto fulcral da sua fé. Filha de judeus polacos tradicionalistas, desde criança que se afastou do Judaísmo oficial ao reconhecer Jesus Cristo de Messias. Devota de Fátima, amiga de Arafat, já viveu em Israel.
MICHAH CLASSEN
Local nascimento: MUENSTER, ALEMANHA
Idade: 43 anos
Estado civil: Casado
Trânsito de fé: Do Protestantismo para o Judaísmo
Nasceu no seio de uma família protestante. Neto de uma avó nazi e de outra com ascendência judaica. Aos 11 anos decidiu cortar com o Protestantismo. E aos 18 anos oficializou o rompimento. Passou pela política. Leu o Alcorão. Interessou-se pelo Budismo. Há 15 anos decidiu-se pelo Judaísmo. Converteu-se há quatro anos na sinagoga de Lisboa.
JASMIN EL SAKAH*
Local nascimento: LISBOA
Idade: 42 anos
Estado civil: Casada
Filhos: 1
Trânsito de fé: Catolicismo para o Islamismo
Descende de uma família católica não praticante. No período revolucionário pós-25 de Abril de 1974, procurou noutras religiões respostas que não encontrava no Catolicismo. Foi na última década que se aproximou do Islamismo. No ano passado, converteu-se, no Cairo à religião do profeta Maomé.
*Antes da conversão chamava-se Etelvina
OS MUITOS CAMINHOS DA FÉ
Protestantismo, no sentido amplo da palavra podemos dizer que são grupos religiosos cristãos oriundos da Europa Ocidental, que romperam com a Igreja Católica Romana como resultado da influência de Martinho Lutero, fundador das Igrejas Luteranas, e de João Calvino, edificador do calvinismo
Catolicismo - Do grego ‘Katholikos’, é um nome aplicado a dois ramos do cristianismo (religião monoteísta baseada nos ensinamentos transmitidos nos Evangelhos de Jesus) e usado para referir a Igreja Católica Romana. A sua característica distintiva recai na autoridade do Papa - Bispo de Roma.
Igreja Apostólica Católica Ortodoxa, o termo ortodoxo que, em grego, designa ‘doutrina recta’, é utilizado para classificar as igrejas cristãs do Oriente que se afastaram da Igreja Católica Apostólica Romana em 1054 e que preservam os ritos primordiais dos padres apostólicos e Credo Niceno.
O Presbiterianismo é parte integrante da família das igrejas reformadas dentro das designações do Protestantismo cristão. Assentes na doutrina de João Calvino, os presbiterianos dividiram-se por razões doutrinais, em especial no seguimento do Iluminismo. A ideia calvinista baseia-se nomeadamente na convicção profunda de que a salvação da alma surge sobretudo pelo trabalho justo e honesto.
A Igreja Anglicana foi o resultado inicial do corte de relações com a Igreja Católica Romana; o rei Henrique VIII rompeu com o papado, após este se ter recusado a anular o seu casamento. Depois, no reinado de Mary I, retorna à Igreja Católica Romana, mas separa-se novamente com a ex-comunhão da rainha Isabel I de Inglaterra.
Judaísmo Messiânico, não é um ramo do Judaísmo, já que não é aceite pela comunidade judaica tradicional e por Israel. Caracteriza-se pela crença que Jesus Cristo é o messias, “Yeshua HaMashiach”. Em 1880 foi fundada em Kishinev, a primeira sinagoga judaico-Messiânica moderna.
Judaísmo é uma religião monoteísta e a cultura do povo judeu considera Deus um ser não físico, não corpóreo e eterno. O texto principal, a Toráh - os cinco livros que Moisés recebeu de Deus no Monte Sinai constituem a lei judaica. Um dos seus princípios de fé assenta na era messiânica que só chegará com a vinda do messias.
Islamismo, religião de monoteísmo unitário, fundado em 570 d.C. por Maomé. O Alcorão é o livro sagrado que reúne as revelações que o profeta recebeu do anjo Gabriel. O nome original da religião Islâmica deriva de Islão (palavra arábica derivada de Silm, paz) que em árabe significa “submissão a um só Deus, Alá.”
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