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“Filmar é como tirar umas férias, é um prazer”

É fã da sua ‘musa’, Soraia Chaves, adora ser realizador e Lisboa tem mais encanto no seu novo filme, ‘A Bela e o Paparazzo’. Um cineasta redescoberto numa comédia romântica ligeira.
24 de Janeiro de 2010 às 00:00
“Filmar é como tirar umas férias, é um prazer”
“Filmar é como tirar umas férias, é um prazer” FOTO: Pedro Catarino

- Qual é a história do filme?

- É sobre uma vedeta de novelas em crise existencial. Ela (Soraia Chaves) está com problemas sentimentais e é um alvo fácil para os paparazzi. E acaba por se apaixonar por um paparazzo (Marco de Almeida) sem saber que é ele que lhe anda a dar cabo da vida. É uma comédia de equívocos e gira em torno da dúvida: se ele conta quem é, se ela descobre...

- E há uma outra trama paralela...

- Há um amigo do paparazzo (Nuno Markl), meio maluco, que um dia acorda com a ideia de declarar a independência do prédio. É o lado mais cómico do filme.

- Fazer comédia era um desafio?

- Sim. Era algo que nunca fiz. A comédia é difícil, mais arriscada. Nos cinemas, as pessoas exprimem-se de forma ruidosa. Se fizer uma cena cómica e as pessoas não se rirem, nota-se. E tem aquele lado de musical, com momentos de videoclip.

- Há uma cena dessas, algo ‘kitsch’, com a Soraia e o Marco a dançarem descalços na rua, no Rossio, à noite.

- Era preciso algo extravagante, inesperado. Também sou um fã dos musicais dos anos 40, das comédias com o Fred Astaire, e gosto dos filmes que passam do trivial aos momentos em que os actores começam a dançar e a cantar. Aqui só dançam...

- Numa zona emblemática de Lisboa. Mostrar a capital era um objectivo?

- Isso foi surgindo quando andava à procura da casa do paparazzo [na Bica]. Queria que fosse num bairro típico lisboeta. Calcorreei as sete colinas e redescobri uma Lisboa extraordinária – e apeteceu-me reforçar esse lado.

- Como se sente mais peixe na água: a dirigir os actores?

- Sim, é o que me põe nas nuvens. Mas gosto de tudo: escrever, dirigir, montar... Para mim, filmar é como tirar umas férias. É um prazer, nem sinto que seja trabalho.

"A SORAIA É UMA GRANDE ACTRIZ"

- Depois de ‘Call Girl’ (2007), escolheu outra vez Soraia Chaves. É a sua musa?

- O único filme que escrevi a pensar nos actores foi ‘Os Imortais’ (2003). O ‘Call Girl’ não foi escrito para ela, nem a conhecia. A Soraia é uma grande actriz, não tenho que lhe sacar as cenas a saca-rolhas e faz sempre os ‘trabalhos de casa’. Dá-me tranquilidade, porque sei que me vai surpreender.

- O que lhe pediu para a personagem?

- O que ela tem: uma actriz tensa, à beira de um ataque de nervos mas que, de repente, encontra paz com um homem que não sabe quem é e a desvia do seu mundo.

- As filmagens correram bem?

- Muito bem, foi divertido e sem percalços. A cena mais difícil de resolver foi a da reconciliação [entre ‘Mariana’ e o ‘paparazzo’], e aí tive a ideia de levar o cão (‘Terça-Feira’), que foi impecável. Era muito cachorro e conseguimos dele tudo... Superou todas as expectativas, foi o actor mais extraordinário. (risos) E fundamental para a reconciliação!...

PERFIL

Aos 70 anos, António-Pedro Vasconcelos é o realizador português mais próximo do modelo de Hollywood. ‘Call Girl’, ‘Jaime’ e ‘Os Imortais’ ficam para a história do cinema nacional.

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