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FOFOCAS E MEXERICOS

É verdade que Maria Elisa e Pinto da Costa tiveram um romance? E Bárbara Guimarães, casou ou não com Pedro Miguel Ramos? Estes e outros escândalos chegaram às primeiras páginas dos jornais. Roteiro de um país de ”fofocas”.
13 de Outubro de 2002 às 19:46
Corria o Verão de 1980, quando chegou às bancas a primeira edição do jornal "Tal & Qual", disposto a revelar algumas das histórias mais ‘sumarentas’ da tradicional sociedade portuguesa. Um percurso que se iniciou com a divulgação do romance de Sá Carneiro e Snu Abecassis, um amor que escandalizou o País devido ao facto dos dois serem casados quando se conheceram.

E se a fundadora da editora D. Quixote se separou rapidamente do marido, já Isabel Maria (mulher do primeiro-ministro) nunca lhe concedeu o divórcio. Numa altura em que a jovem democracia atravessava uma crise de identidade, a oposição utilizou este artigo polémico para denegrir a imagem do líder do PPD/PSD.

Um caso que se pode juntar à lista infindável de histórias que ainda hoje circulam na Comunicação Social, e que continuam a fazer manchete nos principais jornais e revistas sociais. Para o sociólogo José Luís Garcia, esta tendência descreve bem a sociedade actual, cada vez mais interessada nos segredos dos famosos: "O caso da telenovela Jardel é um exemplo paradigmático. Apesar das explicações oficiais, duvidou-se logo da palavra do jogador. E o que não faltaram foi ‘boatos’ à volta deste caso". Este especialista não deixa de apontar o dedo aos ‘media’, que neste momento estão a dar mais tempo de antena às ‘fofocas’, do que às ditas ‘notícias sérias’. Mas não se julgue que a atracção pelos boatos ‘nasceu’ neste século: "Não é recente, sempre fez parte da natureza humana". Agora já sabe porque não resiste às notícias que começam com a cativante frase: "Já sabes da última?" É que não se pode virar costas a uma tradição milenar...

Recordando alguns dos casos que marcaram a actualidade portuguesa, seria impensável não falar da crise matrimonial de José Maria Tallon e da sua ex-mulher Catarina, que depois de ter sofrido em silêncio, durante anos, revelou a verdade por detrás do seu aparente casamento perfeito: durante os 13 anos de matrimónio, o médico espanhol tê-la-á agredido várias vezes e Catarina chegou a recorrer ao hospital. Uma notícia que já havia sido publicada no jornal "Tal & Qual" anos antes, mas que acabou por ser desmentida pelo casal. Já em 2002, seria o "O Independente" repetir a manchete.

CASAS DE BANHO POLÉMICAS

O jornal "O Independente” foi várias vezes palco de revelações surpreendentes, sobretudo no tempo em que o actual ministro de Estado e da Defesa, Paulo Portas, o dirigia, com Miguel Esteves Cardoso. Quem é que não se lembra dos escândalos políticos que abalaram alguns dos ministros de confiança do então primeiro-ministro, Cavaco Silva, como Miguel Cadilhe, Braga de Macedo ou Duarte Lima? Mas um dos episódios mais caricatos envolveu o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, João de Deus Pinheiro, acusado de "roubar" uma manta durante um voo da TAP. O caso terminou no Tribunal e Deus Pinheiro teve direito a uma indemnização e a um pedido de desculpas. Tudo não passou de um boato.

Como se não bastasse, ter de ver os seus colaboradores envolvidos em situações embaraçosas, o próprio Cavaco não escapou ao jornal "Expresso". Após uma denúncia que confirmava a falta de pagamento do IVA, o semanário investigou as obras que o chefe do executivo fez na casa de banho da sua habitação. Um caso que data de 1995, e que levou Cavaco Silva a queixar-se ao então presidente da Assembleia da República, Barbosa de Melo, revelando que um jornalista andara a interrogar os trabalhadores das obras, e chegara ao cúmulo de se apresentar como agente da PJ. O jornalista ainda tentou processar o primeiro-ministro, mas viu o caso prescrito.

Alguns anos mais tarde, já com o PS no poder, uma notícia envolvendo outra casa de banho dominou as primeiras páginas dos jornais. Desta vez, o "Tal & Qual" assegurava que o ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho, gastara mais de 12 mil contos na remodelação do WC do seu gabinete. Em declarações ao jornal, o então seu assessor de Imprensa, Luís Bernardo, explicou a necessidade de remodelar as instalações: "É preciso haver condições de trabalho, nós nem podemos ir à retrete”.

"REBALDARIA NA SELECÇÃO"

Desde que abraçou a actividade política, Paulo Portas tem protagonizado alguns ‘escândalos’ bem mediáticos. Se nos dias que correm é o ‘caso Moderna’ que lhe provoca dores de cabeça, em 1994 a "guerra" era outra. Durante a emissão do programa "Parabéns", de Herman José, o ex-jornalista confessou publicamente que não confiava no professor Marcelo Rebelo de Sousa (ex-líder do PSD). Ao que parece, este terá inventado uma história que depressa entrou para a infindável lista de mexericos políticos com o nome "O Caso da Vichysoise". Em 1998, com o primeiro arranque formal da AD (Aliança Democrática), parecia que os dois tinham feito as pazes. Errado. Meses depois, Portas vingou-se do seu "inimigo de estimação" e enterrou os planos de uma aliança de direita em directo na TV.

Cansados da classe política, os portugueses estão cada vez mais interessados no futebol, também ele terreno fértil para estes casos. O mais memorável de todos é o caso "Paula", um escândalo que trouxe a lume o comportamento pouco profissional de alguns jogadores da selecção nacional. Em directo no programa da SIC, "Os Donos da Bola", a 2 de Maio de 1997, "Paula" (na realidade Angélica Cristina Ribeiro) contou os pormenores da noite conturbada de 12 de Novembro de 1995, véspera de um jogo com a Irlanda – a contar para o Euro 96 – e que terminaria mal. Segundo os relatos da altura, "Paula" e "três ou quatro senhoras ocuparam dois quartos do hotel Atlantic Gardens, em Cascais, com o consentimento da FPF". Os nomes de Secretário, Fernando Couto, Vítor Baía, António Oliveira (na altura, seleccionador) e Joaquim Teixeira (adjunto) apareceram ligados à notícia.

Após a reportagem, Oliveira seria internado com problemas cardíacos. "Paula" contou ainda que foi vítima de agressões físicas por parte dos jogadores e teve de receber assistência no hospital. Comportamentos que o "Tal & Qual" voltaria a destacar a 21 de Novembro de 1997, com o título "Rebaldaria na Selecção". Segundo o jornal, nos estágios não faltavam "guerras de pacotes de leite e “um repórter da SIC foi bombardeado com sacos de água e urina”.

"CALADO QUE NEM UM MELÃO"

Quem já não se livra da má fama é o actual jogador do Atlético de Madrid, o português Dani, que durante a sua passagem pelo S.L. Benfica foi apanhado em "borgas", segundo relatava o "Tal & Qual" de 24 de Novembro de 2000: "O Benfica tinha montado, 24 horas por dia, um serviço de espionagem à agitada vida do futebolista. Apanhou-o em falso depois de uma escapadela com amigas num hotel do Estoril. E não perdem tempo a acusá-lo de se dissipar em noitadas onde corriam álcool e drogas".

Os constantes atrasos aos treinos foram a gota de água e o Benfica perdeu a paciência, livrando-se da eterna "jovem promessa" do futebol português. Nesse mesmo ano, rebentou outro megaboato, quando o então capitão de equipa, José Calado, foi vítima de uma notícia publicada no jornal "O Crime", com a sugestiva manchete "Um grego calado com cabeça de melão" (onde era insinuada uma alegada relação homossexual com o cantor Melão).

Ao que parece, tudo começou com um artigo de Manuel Serrão no jornal "O Jogo", no qual o cronista dizia que o jogador andava "Calado que nem um melão". A partir desse momento, o dia-a-dia do desportista tornou-se insuportável, e culminou no célebre jogo com o Sporting de Braga, dominado por insultos sempre que o atleta tocava na bola. Stressado, Calado chegou a faltar ao respeito ao treinador e ao presidente do clube, na altura Vale e Azevedo, o que lhe custou a braçadeira de capitão. Melão, por seu turno, deu uma conferência de Imprensa a desmentir qualquer envolvimento com Calado: "Não sou homossexual", gritou a alto e bom som.

A ‘UNIÃO’ DE BÁRBARA

Quem é que não ficou surpreendido ao ler, na primeira página de "O Independente", que afinal a noiva do ex-ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho, havia casado com o apresentador da TVI, Pedro Miguel Ramos, em 1997? Numa declaração escrita, Bárbara Guimarães relatou ao "Expresso" o significado dessa cerimónia: "O que se passou em Punta Cana foi algo que, para mim, foi sempre visto como totalmente inócuo e inconsequente, como um simples acontecimento de praia, tão típico – como se sabe – daquelas paragens”. Verdadeiro ou falso, o certo é que Bárbara e Carrilho não deram o nó na altura prevista. Resultado: O casamento mais esperado do Verão de 2001 ficou-se por uma união de facto.

Mas nem todos os romances noticiados pelas revistas sociais ou jornais se concretizam. Veja-se o caso de Teresa Guilherme e Manuel Luís Goucha, que durante os anos que trabalharam juntos – nos programas "Eterno Feminino" e "Olha que Dois!" – convenceram os portugueses de que eram casados; ou o suposto "casamento" de Herman José com a apresentadora Ana do Carmo.

MARIA ELISA E PINTO DA COSTA

Um romance que apanhou de surpresa os portugueses foi o de Maria Elisa e Nuno Pinto da Costa, segundo o "Tal & Qual" de 12 de Julho de 1997. "Eles Amam-se" foi o título escolhido pelo jornal, que assegurava: "Desde Janeiro, a jornalista Maria Elisa e o polémico presidente do FCP, mantêm em segredo um escaldante e surpreendente namoro. Um idílio que pode acabar no altar". Não acabou, e houve quem acrescentasse que o interesse da actual deputada pelo presidente de todos os "dragões" devia-se, única e exclusivamente, à elaboração de uma biografia do dirigente que (curiosamente) acabou por nunca ser publicada.

Quem não escapou à publicação de algumas imagens bem "picantes" foi o arquitecto Tomás Taveira, que viu o seu nome envolvido num escândalo sexual que abalou o País. Em Outubro de 1989, as imagens do arquitecto a manter relações sexuais com várias mulheres, obtidas através de uma câmara de vídeo do próprio, foram publicadas pela fugaz revista "Semana Ilustrada", dirigida por André Neves. O vídeo amador continua a circular, e nos dias que correm até já é possível recorrer à Internet para recordar esse episódio. O visado ainda conseguiu sentar o director no banco dos réus, mas não recebeu qualquer indemnização.

Esta e muitas outras histórias continuam a ser recordadas pelos portugueses, que ficaram também a saber que o casamento de Nicolau Breyner e Sofia Sá da Bandeira acabou "à estalada", segundo o "Tal & Qual" de 6 de Fevereiro de 1998; ou que as ex-primeiras damas, Manuela Eanes e Maria Barroso, "estão separadas por um mundo de intrigas políticas e rivalidades pessoais", de acordo com o mesmo semanário. Uma zanga que já dura há 20 anos, e que ainda não foi resolvida.

O mesmo se pode dizer em relação às duas apresentadoras mais mediáticas da SIC, Catarina Furtado e Bárbara Guimarães. Para o "Tal & Qual" é óbvio que "as duas são amigas em público só por obrigação. Não se gramam e não o escondem. Só não assumem a rivalidade".
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