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"Gripe A traz sérios riscos para a saúde pública"

Paulo K Moreira, 40 anos, director-adjunto do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo das Doenças e professor universitário (ECDC, na sigla inglesa).
10 de Maio de 2009 às 00:00
Paulo K. Moreira, 40 anos, director-adjunto do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) e professor universitário
Paulo K. Moreira, 40 anos, director-adjunto do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) e professor universitário FOTO: d.r.

Parece-lhe razoável que se tenha passado a designar a gripe suína por gripe A ou H1N1?

A alteracao da designacao, promovida em colaboracao pela OMS, pelo CDC nos EUA e pelo ECDC na Europa teve por base a necessidade de alterar a associacao indevida ao suino pelos efeitos comportamentais errados que estava a gerar.  

Há riscos para a Saúde Pública em Portugal por causa da gripe A?

As tres principais organizacoes de saude publica no Mundo tem, de forma coordenada, elevado o estado de alerta precisamente para consciencializar os governos e a opiniao publica que ha’ riscos serios para a Saude Publica global. Estamos a monitorizar a evolucao de um virus que representa um risco real pelo potencial de evolucao da sua agressividade.

Fala-se agora que o ritmo de transmissão da gripe nos humanos está a abrandar; o vírus continua a evoluir nos suínos?

De momento, nas regioes onde estamos a entrar no Verao o virus encontra menos condices de propagacao. A visao global da monitorizao epidemiologica nao nos permite ainda regredir nos nosso niveis de dedicacao ao controlo epidemiologico. A monitorizacao dos suinos tambem continua a verificar-se de forma intensa.

Se o vírus se propagar na Ásia o que poderá acontecer?

Estamos a desenhar cenarios e a avaliar os seus potenciais  impactos. A avaliacao por cenarios e modelos de informacao geografica permite desenvolver planos de preparacao no sentido de minimizarmos os efeitos mais nefastos de uma pandemia. Porem, sendo que a Uniao Europeia e os EUA sao as duas regioes onde os recursos atribuidos a’s intervencoes de saude publica poderao permitir algum optimismo para o controle da propagacao, esse cenario optimista e’ menos realista na Asia. O que coloca pressoa sob o principio da solidariedade, neste caso global.

E Portugal correria mais riscos?

Portugal tem recursos no seu sistema de saude que permitem olhar com confianca para todos os cenarios. Coloca-se porem a necessidade da articulacao intersectorial e a capacidade de gestao dos recursos no processo de redistribuicao para os niveis de intervencao da saude publica nomeadamente na comunidade. Nao chega termos bons hospitais pois se os servicos de apoio na comunidade falharem os hospitais entram em colapso mediante a avalanche da procura. E’ um principio geral da gestao de crises de saude publica.

Acredita que economicamente haverá sectores a aproveitar-se deste surto de gripe A?

Em todas as crises ha’ quem perca e quem ganhe. Na historia temos visto que esse processo e’, por vezes, proporcional ao tamanho da crise. Representando as industrias da saude o maior sector economico do Mundo e’ natural que hajam impactos economicos no sector.

O que mais preocupa o ECDC neste surto?

Tem variado de acordo com os estadios do surto. Mas entre as preocupacoes duradouras, a gestao das expectativas de profissionais e opiniao publica e a boa colaboracao com os media sao fundamentais uma vez que esta crise pode continuar em lume brando durante varios meses e termos que viver na incerteza do momento da efectiva pandemia global.

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