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Já não podem ver Ronaldo & Co.

A bordo, os cadetes aprendem. Tiveram sardinhada pelo São João. Só lamentam ter deixado de poder ver os jogos dos outros ‘navegadores’
27 de Junho de 2010 às 00:00
Largada de San Diego a todo o pano
Largada de San Diego a todo o pano FOTO: Direitos reservados

Após uma memorável estadia em San Diego em que participámos nas comemorações do 10 de Junho e levámos um pouquinho de Portugal à simpática Comunidade Lusa, largámos no dia de Santo António a caminho do Hawaii para cumprir uma das maiores tiradas desta viagem.

A chegada dos Cadetes da Escola Naval e de convidados de outras Marinhas centrou a atenção da guarnição. Todos participam no enquadramento destes na vida a bordo. Esta é a sua primeira grande viagem e como tal, têm de inteirar-se dos costumes e tradições, preconizados na Cultura Naval. Na vertente académica, os futuros Oficiais de Marinha rapidamente começaram a aplicar na prática o conhecimento técnico-científico, aprendido ao longo de dois anos de Escola Naval. Este conhecimento é complementado com instruções, práticas, treinos e participação na vida de bordo. Apresentam diariamente ao comando o estado do navio, o que os obriga a inteirar-se de tudo o que se passa, desde a navegação, meteorologia, agenda, logística, equipamentos, etc..

 

O Campeonato do Mundo de Futebol tem ocupado os temas das conversas a bordo. Infelizmente, e para desânimo nosso, saímos da zona de cobertura dos satélites televisivos e como tal não podemos assistir aos jogos da nossa selecção. Os resultados diários, vão chegando através do telefone.

 

Na noite de terça-feira, festejou-se o São João. Tradicionalmente, comemoraríamos o dia de Santo António, mas tal foi impossível devido aos procedimentos da largada e a um tempo que não era propício a actividades no exterior. Assim, sardinhas, religiosamente guardadas desde Lisboa, febras e marchas populares, rodearam o mastro grande num bom ambiente de festa, faltando apenas as famosas fogueiras, balões e alhos-porros.

 

Apesar de os dias terem estado cinzentos, os ventos de feição, têm permitido navegar exclusivamente à vela, o que muito nos agrada. Já navegámos mais do dobro da distância de Lisboa a Ponta Delgada sempre com o motor parado. Contudo, também se registaram algumas contrariedades. Devido a uma avaria no gerador de osmose inversa, (equipamento que transforma água do mar em água doce), temos estado limitados no consumo de água. A poupança e utilização racional deste bem têm assumido uma importância fulcral. Desta forma navegámos em regime de água fechada, abastecendo apenas cozinha e copas e as necessidades de higiene básica, ficando os banhos para de dois em dois dias. Ainda assim, muito melhor do que há 500 anos.

Amanhã avistaremos as ilhas do Hawaii e atracaremos em Honolulu esta quarta-feira para receber os Alohas do seu simpático povo que inclui uma pequena Comunidade Portuguesa. Em Pearl Harbor estarão atracados mais de 40 navios de 15 Marinhas de países do Pacífico envolvidos no maior exercício naval da região. Uma oportunidade para os conhecer e partilhar experiências e histórias com outras pessoas habituadas às nossas agruras…

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