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Jardim perfumado: O erotismo como benção divina

Manual islâmico do sexo dá 35 nomes ao órgão masculino e 38 ao feminino
João Pedro Ferreira 13 de Outubro de 2019 às 17:58

‘O Jardim Perfumado’ é um livro didático com conselhos práticos sobre a sexualidade e o erotismo à luz das normas religiosas muçulmanas, sendo por isso chamado com frequência o manual islâmico do sexo. Foi escrito entre 1410 e 1434, em Túnis (capital da atual Tunísia), então governada pela dinastia Haféssida. Sobre o seu autor, xeque Nefzaui, pouco se sabe além de que era natural de Nefzaua e de que escreveu o livro por encomenda do vizir (governador) local para o sultão Abd Al-Aziz Abu Faris (1394-1434), no período em que também se iniciou a expansão portuguesa no norte de África, com a conquista de Ceuta, em 1415.

Entre invocações constantes a Deus e ao profeta, o autor enumera as qualidades desejáveis no homem e na mulher, estabelece as regras da atração dos sexos, dá conselhos sobre as diferentes técnicas e posições no coito e os prazeres que proporcionam. Cada capítulo inclui um ou mais contos que, à laia de parábolas, ilustram o tema tratado com narrativas de forte carga erótica. Muitas acabam com a frase: "Vê por aqui a perfídia das mulheres e do que são capazes."

São particularmente divertidas as extensas listas com os nomes por que são designados o órgão masculino (35) e o feminino (38). O livro faz uma interpretação sexual dos sonhos e dá grande importância ao poder afrodisíaco de certos alimentos, com destaque para os ovos - cozidos ou fritos com espargos ou cebolas - e o leite de camelo, condimentado com mel, canela ou pimenta.

Do livro ‘O Jardim Perfumado’, trad. Teresa Nogueira, ed. Publicações Europa-América

"Louvemos a Deus, que colocou o maior prazer do homem nas partes naturais da mulher e destinou as partes naturais do homem a proporcionarem a maior satisfação à mulher. Deus não concedeu nenhum prazer nem gozo às partes da mulher enquanto estas não forem penetradas pelo membro do homem; e, do mesmo modo, os órgãos sexuais deste não têm paz enquanto não entrarem nos da mulher.

(…) O beijo na boca, nas duas faces, no pescoço, assim como a sucção dos lábios frescos, são dádivas de Deus, destinadas a provocar a ereção no momento oportuno. Também foi Deus quem embelezou o peito da mulher com seios (…). Criou-a possuidora de um ventre arredondado, de um belo umbigo e de umas nádegas majestosas; todas estas maravilhas são suportadas pelas coxas. Foi entre estas que Deus colocou a arena do combate; quando esta é abundantemente fornecida de carne, assemelha-se à cabeça de um leão. Chama-se ‘vulva’. Oh! Quantos homens encontraram a morte à sua porta!

(…) Então estreitou Hamdonna num abraço apaixonado e em breve viu a cor desaparecer-lhe das faces; parecia quase inconsciente. Tinha perdido a cabeça; e, segurando o membro de Bahlul entre as mãos, excitava-o e entusiasmava-o cada vez mais.

Bahlul disse-lhe: - Porque te vejo tão perturbada e fora de ti?

E ela respondeu: - Deixa-me, ó filho de uma mulher dissoluta! Por Deus, estou como uma égua com cio e continuas a excitar-me ainda mais com as tuas palavras, e que palavras! (…)

Bahlul respondeu: - Então eu não sou como o teu marido? Sim – disse ela -, mas uma mulher fica com cio por causa de qualquer homem, como uma égua por causa de um cavalo (…) com esta diferença: a égua só fica neste estado em certos períodos do ano, enquanto a mulher pode ser excitada com palavras de amor. Estas duas tendências encontram-se em mim e, como o meu marido está ausente, despacha-te, que ele em breve estará de volta.

(…) Hamdonna precipitou-se sobre Bahlul, segurou-lhe o membro com as mãos e pôs-se a contemplá-lo (…). Continuou a segurá-lo e a esfregar a sua cabeça contra os lábios da vulva até esta parecer dizer: - Ó membro, entra em mim.

Então Bahlul inseriu o membro na vagina da filha do sultão e esta, ajeitando-se ao seu trabalho, deixou o membro penetrar completamente na sua fornalha até não se ver mais nada dele, nem um mínimo vestígio, e disse: - Como Deus fez as mulheres lascivas e tão infatigáveis na procura dos seus prazeres. - Então entregou-se a uma dança movendo o traseiro para cima e para baixo, como um crivo, para a direita e para a esquerda, para a frente e para trás, nunca se viu dança igual a esta.

A filha do sultão continuou a sua cavalgada no membro de Bahlul até chegar ao momento de prazer, e a vulva atraía a si o membro como se o sugasse: exatamente como a criança chupa a teta da mãe. Ambos atingiram ao mesmo tempo o auge do prazer e cada um deles o saboreou com avidez."

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