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Joana Carneiro: “Política foi ambiente privilegiado”

Diz a maestrina sobre o facto de ser filha de um ex-ministro e de uma deputada. Ainda assim, a primeira portuguesa mestre em direcção de orquestras escolheu outra ‘partitura’ para a sua vida: a música.
2 de Outubro de 2011 às 00:00
Joana Carneiro: “Política foi ambiente privilegiado”
Joana Carneiro: “Política foi ambiente privilegiado” FOTO: Rafael G. Antunes, Sábado

Joana Carneiro é Directora Musical da Orquestra Sinfónica de Berkeley, Califórnia, estados unidos, e Maestrina convidada da Temporada da Orquestra Gulbenkian, em Lisboa. Filha do ex-ministro da educação Roberto carneiro, é um dos mais promissores maestros da sua geração.

Nasceu em Lisboa a 30 de Setembro de 1976 e foi também na capital que começou a estudar viola de arco antes de sofrer uma fractura que a fez dedicar-se à direcção de orquestra. Ao longo da carreira recebeu várias distinções, nacionais e internacionais, que fizeram dela uma das grandes promessas da sua geração.

Entre as distinções portuguesas contam-se o Prémio Amália de Música Erudita e o Prémio Dona Antónia Ferreira, ambos em 2010. Em 2004 foi agraciada com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique pelo então Presidente da República Jorge Sampaio. Mas a lista é ainda maior.

*A resposta escolhida surge a sublinhado

- Tem sido distinguida com vários e importantes prémios. A primeira coisa em que pensa quando recebe mais uma distinção é...

a) É um reconhecimento pelo caminho e que exige de mim todo o esforço e dedicação

b) Chegar a este patamar aos 35 anos enche-me de orgulho e faz-me acreditar de que tudo valeu a pena

c) Mais importante do que os prémios é o trabalho diário

d) Outra hipótese: que sinto uma grande responsabilidade e uma sensação de estímulo, para continuar

- Muito cedo na vida decidiu que queria ser maestrina. Essa vontade nasceu...

a) Da vontade de mandar

b) Do sonho de harmonizar os vários instrumentos e sons

c) Da mística que envolve a figura do maestro

d) Outra hipótese: de um sentimento inexplicável, talvez da ligação entregesto e som

- O maestro tem de ser um líder nato. É ser capaz de:

a) Impor a ordem na orquestra e saber chamar à razão quando alguém a perde

b) Ouvir e compreender a personalidade de cada um dos músicos envolvidos

c) Respirar fundo quando alguma coisa falha

d) Outra hipótese: conseguir chegar à imaginação do compositor com os talentos dos músicos da orquestra

- Foi a primeira mulher portuguesa mestre em direcção de orquestras. Era bom que houvesse mais mulheres...

a) Na política

b) Na direcção das empresas

c) Em altos cargos da função pública

d) Outra hipótese: em todos os lugares de liderança

- O seu pai foi ministro da Educação e a sua mãe deputada. Por ter crescido num ambiente ligado à política sempre achou...

a) Que a política é uma actividade nobre mas com má fama

b) Que não tinha nada a ver comigo e por isso escolhi as artes

c) Um ambiente privilegiado para crescer

- Cresceu rodeada de muitos irmãos, nove ao todo. Essa experiência:

a) Ensinou-me a partilhar o espaço, os objectos e o amor

b) Fez-me ser tolerante com os outros e respeitar o espaço de cada um

c) Era e é um espaço de partilha e alegria; é a experiência de ser uma de nove filhos únicos

- Foi maestrina assistente da Filarmónica de Los Angeles e é directora musical na Sinfónica de Berkeley. Viver na América é...

a) Maravilhoso, a América é a terra das oportunidades

b) Um desafio, pelas diferenças culturais que exigem muita adaptação

c) Só é difícil por causa das saudades da família e amigos

- Frequentou Medicina mas optou pela música porque...

a) Secretamente, sonhava com o dia em que poderia conciliar a Medicina e a Música. Casei com um médico cirurgião, foi o mais próximo que aí cheguei

b) A formação em Medicina ensinou-me a compreender a fragilidade do ser humano

c) Percebi que jamais era capaz de lidar com o sofrimento dos outros

- Nos minutos antes de cada apresentação...

a) Sinto um nervoso miudinho que só passa quando o concerto começa

b) Gosto de olhar para todos os músicos um por um para lhes transmitir calma

c) Tenho um ritual secreto para me concentrar

d) Outra hipótese: rezo, em agradecimento a Deus pela graça que é dedicar a minha vida à criação de beleza 

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