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Lixo ao sabor das marés

Plásticos deitados ao lixo já formam ilhas gigantescas nos oceanos. Saúde dos humanos está em risco.
João Ferreira e Marta Ribeiro da Silva 24 de Setembro de 2017 às 06:00
Há uma ilha de lixo no Pacífico

Há uma ilha gigante de lixo, com mais de três milhões de toneladas de plástico. Fica no Pacífico Norte, entre o Havai e a Califórnia, e é cerca de 32 vezes maior do que área total de Portugal. Não é única: há mais quatro espalhadas pelos oceanos.

Uma garrafa de água pode demorar 400 anos a decompor-se. A contaminação por plástico tem aumentado porque quando as micropartículas têm menos de cinco milímetros entram na cadeia alimentar dos animais marinhos e, "um dia, quiçá, podem vir parar ao nosso prato", diz a bióloga marinha Filipa Bessa.

O problema está a ser combatido pela fundação ‘Ocean Cleanup’, que deve avançar em 2018 com um sistema de drenagem gigante que aproveita correntes marítimas para retirar do mar pedaços de plástico.

Na lavagem da roupa

O presidente executivo da Fundação Oceano Azul, Tiago Pitta e Cunha, diz que "os oceanos estão mergulhados numa profunda crise ecológica" e que "o fundamental é não pormos mais plásticos na água".

Os microplásticos mais frequentes são as microfibras libertadas pela lavagem de roupa. Cada peça pode libertar cerca de 1900 fibras sintéticas que não são tratadas nas águas residuais e acabam nos rios e depois no oceano. Apesar de ainda não haver provas científicas concretas sobre as taxas de toxicidade destes poluentes há um potencial perigo para a saúde pública. E espécies marinhas a morrer, como é o albatroz, que confunde plástico com comida. Em 2050 teme-se que haja 850 mil milhões de toneladas de plástico nos oceanos. Uma situação que, além de pôr em risco a vida marinha, pode condenar a nossa própria saúde.

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