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Mário Centeno: A ver a Europa desde cedo

Presidente do Eurogrupo cresceu junto a Espanha e voltou mudado de Harvard, após andar muito próximo do PCP.
Leonardo Ralha 24 de Dezembro de 2017 às 15:00
Mário Centeno
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Espanha esteve sempre à vista, ainda que então só atingível por barco, na infância e juventude de Mário Centeno, o ministro das Finanças nascido em Olhão e criado em Vila Real de Santo António. Mas as pesetas que usavam do outro lado do Guadiana estavam longe de ser as principais referências monetárias do filho de pais habituados a lidar com o dinheiro de outros: José de Freitas Centeno, gerente do Banco Português do Atlântico, que morreria com apenas 46 anos, e Rita Martins Gomes, a responsável pela estação dos CTT.

Do tempo em que viveu numa das localidades portuguesas mais próximas do resto da Europa em tempo de fronteiras fechadas, antes de aos 15 anos ir estudar para Lisboa, o agora presidente do Eurogrupo é lembrado pelo ativismo na associação de estudantes da escola secundária. Sempre à esquerda, até porque Vila Real de Santo António era uma das raras autarquias comunistas do Algarve. Se avermelhado era, mais claro era o estatuto de encarnado. À distância, pois as presenças do Lusitano Futebol Clube na primeira divisão findaram nos anos 50, impossibilitando as visitas de Eusébio, Vítor Baptista e Nené ao jovem adepto benfiquista.

Do rapaz a quem destacavam a discrição - ao contrário do irmão mais velho, Luís, hoje coordenador técnico do Conselho das Finanças Públicas, que viveu o período revolucionário de forma intensa - também sobressaiu a constância de sentimentos: na Escola Secundária Patrício Prazeres conheceu a mulher, mãe dos seus filhos Tiago, João e Lourenço, aos quais viria dedicar o livro ‘O Trabalho - Uma Visão de Mercado’. Enquanto Rita optou pela Psicologia, Mário seguiu os passos de Luís, matriculando-se no Instituto Superior de Economia (ISE).

RONALDO DE SCHÄUBLE

Nos corredores do ISE, atual ISEG, além de ser um bom aluno (acabou a licenciatura com média de 16), descobriu a prática do râguebi e manteve-se ‘companheiro de estrada’ do PCP, cruzando-se na associação de estudantes com Miguel Portas e o futuro jornalista Sérgio Figueiredo, um dos seus maiores amigos. Já tinham diploma aquando da implosão da União Soviética e as suas ondas de choque no comunismo português.

Muito diferentes eram o País e o Mundo em 1996, quando Centeno foi fazer o doutoramento na Universidade de Harvard, nos EUA. É daí que lhe vem a fama de ‘liberal de esquerda’, embora embirre publicamente com o rótulo. Regressado após cinco anos, entrou para o departamento de Estudos Económicos do Banco de Portugal, iniciando uma progressão que parecia ter atingido o tecto quando foi convidado por António Costa para coordenar o programa económico do PS, reencontrando outros tons de esquerda na maioria parlamentar que lhe permite ser o ministro das Finanças alcunhado de ‘Ronaldo do Ecofin’ pelo ex-homólogo alemão Wolfgang Schäuble.

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