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MATAR O MARIDO AOS 70 ANOS

A 2 de Agosto, os 40 habitantes de Matas, Santarém, foram surpreendidos com a morte de José Rodrigues Duarte, de 68 anos, às mãos da mulher, Maria Alice Beirante, de 70. O casal vivia junto há 38 anos, mas os vizinhos sabiam que não se davam bem e que Maria Alice era frequentemente espancada por José. A reportagem que apresentamos nas próximas cinco páginas é o registo das versões de Maria Alice e dos vizinhos. Sem extrapolações ou conclusões precipitadas
8 de Novembro de 2002 às 20:19
No dia 2 de Agosto deste ano, Maria Alice Beirante, de 70 anos, matou o marido, José Rodrigues Duarte, de 68 anos. O crime aconteceu em Matas e surpreendeu os 40 habitantes da localidade – situada a menos de seis quilómetros de Santarém –, apesar de quase todos saberem que, nos 38 anos que durou o casamento, o casal nunca se tenha dado bem.

Alice Beirante, que entrevistamos nas páginas seguintes através do telefone, ao ritmo de cinco minutos por dia, nasceu em Dona Belide (Santarém) a 19 de Agosto de 1931. Foi para a escola com sete anos e saiu aos dez, após ter feito a terceira classe, porque – diz – era necessário ajudar os pais a tratar das propriedades.

Casou-se pela primeira vez com 17 anos e mudou-se para Matas. Teve um filho, mas aos 25 anos separou-se – o marido não a ajudava na agricultura, bebia muito e gastava o dinheiro no jogo. Voltou para casa dos pais, onde permaneceu até aos 32 anos, altura em que, como diz, os tios lhe “arranjam” o segundo marido. Teve mais um filho e, desta vez, o casamento durou 38 anos. Hoje, está detida no Estabelecimento Prisional de Tires, a aguardar julgamento. Diz estar arrependida de ter cometido um crime que nunca devia ter acontecido. Garante que, quando pegou no ferro que despedaçou a cabeça de José Rodrigues Duarte, apenas quis defender-se de uma pessoa que lhe deu pancada durante quase quatro décadas e que, nesse dia, pegou pela primeira vez numa faca para lhe cortar o pescoço.

UMA MULHER ESTIMADA

Em Matas, Maria Alice Beirante é uma pessoa aparentemente estimada. Vários vizinhos que a conhecem há muito, e que com ela conviveram no dia-a-dia, consideram que o facto de ter morto o marido se deveu a um acto de loucura, motivado por anos de constantes maus tratos.

“Não acredito que ela tenha morto o homem de propó-sito”, disse ao Domingo Ma-gazine José Sabino Pereira, 55 anos, lembrando que o casal há muito que se dava mal. “O povo todo comentava que o José lhe batia. A justiça vai ter de ser feita, embora ache que devia ter em conta que a Maria Alice viveu muito tempo no desespero.”

Opinião semelhante tem Maria Alice Cristino, de 56 anos: “Sou vizinha dela há 15 anos e sempre ouvi dizer que o marido a moía com pancada e era um calão. Se havia alguém que trabalhava, era ela.”

VIZINHOS SURPREENDIDOS

Maria Cristino também ficou surpreendida com a “tragédia” do dia 2 de Agosto. “A Maria Alice é uma pessoa calma e pacífica. Se fez o que fez, com certeza que foi um acto de desespero. Acho que já não aguentava mais o marido”.

Irene Santos Gonçalves, de 72 anos, acrescenta que há muitos anos que a vizinha não andava bem. “Poucos dias antes daquilo que sucedeu, encontrei a Maria Alice logo de manhã. Nem os bons-dias me deu. Estava triste e abatida. Perguntei-lhe o que se passava e respondeu-me que não tinha dormido nada, por causa do marido. Tenho pena do que lhe está a suceder. Ela é boazinha”, garante.

Joaquim José António e Amélia do Rosário, ambos de 82 anos, são tios de Alice Beirante. Asseguram que a sobrinha “há anos que se queixava” das “tareias” do marido. “Houve até uma vez que, na nossa presença, ele andou atrás dela para lhe espetar uma forquilha. E foram muitas as vezes que a vimos com a cara toda negra.” Mas também há quem assegure que Maria Alice Beirante não é “flor que se cheire”. “Sei que não se davam bem, mas tanto berrava um como o outro”, “Ela matou o marido por dinheiro” ou “Quando o matou sabia bem o que ia fazer, caso contrário não tinha inventado a história dos dois homens com a cara coberta” foram algumas das frases que ouvimos de dois residentes em Matas.

“Só quero morrer ao pé dos meus filhos”

Está detida desde o dia 6 de Agosto. Tem sido bem tratada?

As pessoas gostam de mim e ajudam-me sempre que necessito de algo. Até o médico e o enfermeiro fazem tudo para que não me sinta mal. Mas eu estou mal do coração: tomo sete comprimidos por dia. E, como o povo é muito, estive mais de oito dias à espera de uma consulta por causa da tensão.

De que sente mais falta?

Tem sido difícil habituar-me a estar longe dos meus filhos, da minha nora e da minha neta. E tenho muitas saudades da minha comida. A que me dão não presta. Até já estive mal do estômago e fui ao médico. Passei a tomar mais comprimidos e, agora, estou a dieta. Mas a dieta também não é boa. Até acho que estou a morrer de fraqueza. O que me vale é que a minha família me traz alguma coisa. Uns bolinhos e pouco mais. É que, aqui na prisão, não deixam passar muita coisa. Os sacos são todos revistados. Sabe, é por causa da droga. Desde que os homens vieram de Caxias para o pavilhão três ainda é pior.

Já fez amizades?

Dou-me bem com toda a gente. Todas me dão apoio. A minha companheira de cela é muito boa. Mas eu choro muito… Nunca me vi numa situação destas… Tenho muitas saudades dos meus filhos e da minha netinha. Quero que me deixem morrer junto dos meus filhos. E já não falta muito. Tenho 71 anos e já não vou durar muito. Quem diria que, ao fim de uma vida desgraçada, a levar porrada todos os dias, ia acabar os meus dias na cadeia. Fiz aqui 71 anos. A minha família trouxe-me um bolo. Reparti-o pelas minhas amigas sem lhes dizer que fazia anos.

Estar na cadeia é pior ou melhor do que imaginava?

Até nem é muito mau. Está tudo bem limpo e asseado. As comidas é que são muito ruins.

Como é que conheceu o seu marido?

Ele é lá da terra [Matas, no distrito de Santarém]. Era casado com outra mulher e deram-se mal. Confessou-me que também lhe batia. Depois apartaram-se. Fize-ram separação de pessoas e bens e divorciaram-se. E lá na terra eu tinha uns tios que me puxaram para ele. No início, eu não quis. Não queria casar. Mas eles insistiram e eu cedi.

Quantos anos tinha?

Tinha feito 32 anos. Ele tinha menos três.

O primeiro casamento. Mas já tinha sido casada.

Já. Só que o meu primeiro homem era um bêbedo e um viciado no jogo. Não me batia, mas fazia-me a vida negra. Não queria trabalhar e, para pagar as dívidas de jogo, até vendeu duas propriedades que eram minhas sem minha autorização. Decidi então separar-me e fui viver para casa da minha mãe. Eu e o meu filho. E estive assim durante sete ou oito anos. Até que os meus tios quiseram à força que eu me juntasse com aquele que viria a ser o meu segundo marido. O que matei.

Durante o namoro…
…ele começou a bater-me logo ao princípio. Namoro? Não chegámos a namorar. Os meus tios puxaram-me para casar com ele. Conheciam os pais dele, que eram muito boas pessoas. Ele é que saiu mau. Uma vez até o apanhei a bater na mãe, inválida, e ela pediu-me, por tudo, para não contar nada à irmã dele. Guardei sempre este segredo.

Casou-se sem o conhecer?

Foi mais ou menos assim.

Quando é que foi a primeira vez que o seu marido lhe bateu?

Pouco tempo depois de estarmos casados levei um arraial de porrada que me deixou toda tolhida.

Alguém soube disso?

Da primeira vez, calei-me e não saí de casa. Com o decorrer do tempo, algumas vizinhas e o pai dele ficaram a saber o que se passava. O pai, quando ia lá a casa, pedia-lhe para ele não me bater. Ele sabia que eu não o tratava mal. Sabia que eu trabalhava muito: levantava-me todos os dias às quatro da manhã para tratar da casa e do gado. Enquanto o pai foi vivo, ele não me batia tanto. Depois de o pai morrer, era quase todos os dias.

O que pensou fazer depois de o seu marido lhe ter batido pela primeira vez?

Pensei em aguentar e esperar por melhores dias. As minhas vizinhas sabiam. Perguntavam-me porque é que eu tinha a cara negra e eu dizia-lhes que tinha sido o meu marido. Até houve algumas vezes que me recolheram, quando eu fugia da pancada.

Alguma vez foi tratada no hospital, num centro de saúde, por um en-fermeiro...?

Nunca. Sempre que ele me batia eu esfregava-me com álcool. Tratava-me assim.

Chegou a fazer queixa às autoridades?

Não. Até que um dia, em que tinha trinta e tal vacas para ordenhar, ele mandou um tiro de caçadeira para dentro da sala de ordenha. Uma das vacas assustou-se. Deu-me uma patada no peito e eu caí, magoando-me nas costas. Fiquei para ali estendida, cheia de dores. Ele, assim que me viu, mandou a espingarda para dentro da sala e foi chamar a guarda. Tudo para fingir que tinha sido eu a dar o tiro.

Foi chamada à guarda?

Fui lá e disse-lhes que não tinha sido eu a dar o tiro. E mais: disse-lhes que na véspera já ele me tinha dado muita pancada. Mostrei mesmo o corpo, que estava cheio de nódoas negras.

O que fizeram as autoridades?

Pediram ao meu marido para ir ao posto. E eu disse à guarda que o ia deixar. Que já não aguentava mais. Responderam-me que fizesse o que entendesse. E foi o que fiz. Enquanto o meu marido foi ao posto, fui buscar as minhas roupas e guardei-as em casa de uma vizinha. Entretanto, apareceu um dos meus tios que me foi levar a Queluz, para casa de um dos filhos dele, que é engenheiro. Estive lá uns dias e tinha a firme ideia de não voltar para junto do meu marido. No entanto, passados alguns dias, ele apareceu lá num carro de praça. E pediu-me, por amor de Deus, que voltasse. Que não tinha ninguém e que não me voltava a bater. Eu recusei várias vezes. Mas ele insistiu tanto que acedi.

Quando é que isso sucedeu?

Foi há 22 anos. Lembro-me bem, já que pouco tempo depois de regressar voltou a bater-me. Até houve uma vez em que tive de tirar um quisto das costas. Foi o dr. Carlos Verdete, em Santarém. Nessa altura bateu-me outra vez e eu andava com a cara negra quando ia fazer o penso.

Apresentou-se assim ao médico?

O médico não me chegou a ver. A enfermeira é que me viu várias vezes de cara negra… Só que eu tinha muita vergonha. Até cheguei a comprar uma caixa de pó-de-arroz para disfarçar a cara. Envergonhava-me.

CONTAR ÀS VIZINHAS

O seu marido alguma vez lhe bateu em frente das vizinhas ou dos seus filhos?

Muitas vezes. Todavia, ele fazia as coisas de modo a não ser visto. Uma vez, uma das vizinhas foi lá ao leite, numa altura em que ele estava a bater-me. Quando me batia e me deixava marcas, dizia para eu dizer às vizinhas que me tinha magoado quando estava a fazer cavacas [partir lenha] e que uma me tinha saltado para a cara.

Porque é que o seu marido lhe batia?

Eu só queria sossego. Eu não fazia nada. Nunca lhe respondia quando me chamava “puta”, “galdéria” e outras coisas assim. Eu nunca fui assim. A minha vida era só trabalho e fazer tudo para agradar ao meu marido.

O seu marido era alcoólico?
Não. Só bebia um copito com a comida. Ele era mau, ruim. Vinha-lhe das entranhas.

Mas acabou por estar com ele 38 anos…

Foram 38 anos de sofrimento. Eu tive foi muito pouca sorte. E sempre a trabalhar. Veja que, há quatro anos, tivemos um acidente quando íamos os dois no tractor. Pensei que tinha partido a espinha. Fui para o hospital e lá viram que os ossos da coluna deslocaram-se todos. Estive algum tempo internada e andei dois meses numa cadeira de rodas. Quando voltei para casa, tinha de andar de canadianas. E, mesmo assim, ele obrigou-me a cavar a terra. Ele só queria andar no tractor… Foram momentos muito complicados.

Foi nessa altura que pensou no suicídio.

Pensei, sim senhor. Um dia, depois de mais uma noite sem dormir, por causa das dores e de ele ter atirado para o chão o pequeno-almoço que lhe tinha arranjado, saí de casa com vontade de me atirar a um poço. Pelo caminho comecei a pensar nos meus filhos e na minha netinha. Chorei e não consegui matar-me.

Há bocadinho perguntou-me por que é que ele me batia. Uma vez, na altura em que eu estava acamada, por causa do acidente do tractor, a minha neta foi lá a casa e disse-me que não tinha cebolas para o almoço. Dei-lhe dinheiro e ela foi à loja. O meu marido, entretanto, chegou a casa. Disse-lhe que tinha mandado a neta comprar as cebolas. Qual não foi o meu espanto quando ele me deu duas grandes bofetadas.

Batia-lhe só com as mãos?

Não senhor. Era com o que calhava: paus, ferros, ca-deiras, pratos...

Como é que se protegia?

Punha as mãos na cabeça. Quando estive grávida é que foi pior. Tinha de proteger a barriga, por causa do bebé, e a cabeça.

O que é que ele lhe dizia quando a agredia?

Limitava-se a chamar-me nomes: “ordinária”, “puta”, coisas assim... Eu, graças a Deus, nunca fui puta. Custava-me muito ouvir essas coisas…

Lá na terra, as pessoas alguma vez pediram ao seu marido para não lhe bater?

Às vezes faziam isso. Mas ele chateava-se com toda a gente e quem pagava era eu. E até chegou ao ponto de eu não poder ir a lado nenhum sozinha. Ele queria ir sempre comigo, para eu não me queixar do que fazia. Nem aos meus tios.

Sofre de alguma doença por causa das agressões?

Tenho dores na coluna e o coração arrasado. Felizmente, nunca parti nenhum osso.

É católica?

Sou, mas ele não me deixava ir à missa. Não queria que eu fosse beata falsa.

Nunca confessou ao padre o que o seu marido lhe fazia?

Não. Tinha medo de que isso lhe chegasse aos ouvidos. Nos últimos tempos pensei muito em deixá-lo e disse-lhe isso. Ele ficou furioso e avisou-me que, se eu fugisse, ia procurar-me para me dar um tiro na cabeça.

O ARREPENDIMENTO

Está arrependida de ter morto o seu marido?

Estou. Nunca pensei que o ia matar. Só tentei defender-me. Ele puxou de uma faca e veio direito a mim, a dizer que me cortava o pescoço. Não pude fazer de outra maneira.

O que se passou nesse dia?

Era de manhãzinha, no dia 2 de Agosto. Ele levantou-se e foi à casa de banho. Para fazer pouco de mim, chamou-me para eu lhe limpar o rabo. Depois eu perguntei-lhe o que queria para o pequeno-almoço. Respondeu-me que ele é que o ia fazer. Eu disse: “Ainda bem, que assim vou mais depressa para a fazenda, cortar arrebentões das oliveiras”. Não estava a tratá-lo mal. De repente, e pela primeira vez, ele puxou de uma faca da cozinha e avançou para mim. Dizia que me ia cortar o pescoço. Eu estava sem dormir, sem comer…

O que fez?

Perdi-me da cabeça. Procurei logo um bocado de pau para lhe chapar com ele pela cabeça abaixo. Mas não encontrei um pau a jeito.

E…

… encontrei um tubo de ferro. E, para me defender, dei-lhe com ele na cabeça. Não tinha ideias de o matar. Nunca pensei fazer uma coisa dessas. Se ele não puxa da faca…

Quando lhe bateu pela primeira vez…

… ele caiu para o chão. E dei-lhe mais ainda. Estava irritada. Não queria que ele tomasse posse de mim.

Quantas vezes lhe deu com o ferro?

Não sei. Pelo menos mais três. Mas não era com intenção de o matar… Pensei logo que ele ia para o hospital e que eu ia com ele e contava o passado.

Quando o seu marido caiu ficou logo sem sentidos?

Não sei bem. Acho que foi na segunda vez que lhe bati que ele ficou desmaiado. Deitou muito sangue. Eu estava perdida da cabeça… Ele disse que me dava um tiro se eu fugisse para casa dos filhos. E, sem eu o tratar mal, puxou de uma faca. Eu só queria viver com ele como Deus com os anjos. Eu sofro do coração.

Mas o seu marido andava de muletas.

Era tudo a fingir. Queria receber dinheiro do seguro, porque, há pouco mais de um ano, em Santarém, meteu um pé numa sarjeta. Queixava-se de dores na coluna, que nada tinham a ver com as dores no pé e no joelho. O seguro disse-lhe que o joelho estava curado e que as dores na coluna tinham a ver com os bicos de papagaio. Em casa não andava de canadianas. Só na rua.

Depois de lhe bater foi para a rua…

Naquela altura de aflição, pensei logo que era presa. E foi então que pensei em dizer que tinham sido dois senhores que tinham lá ido fazer aquilo. Nunca nomeei ninguém e disse sempre que não conhecia ninguém. Fiquei tão atrapalhada, com medo de ser presa, que pensei dizer aquela tonteira.

Mas só mais tarde é que contou o que tinha realmente sucedido…

Foi no dia logo a seguir ao funeral. Logo de manhãzinha contei à Judiciária. Foi no dia 6 de Agosto, terça-feira. Ele morreu no dia 2, uma sexta-feira. Durante esse tempo estive sempre aflita. Não estava bem sem contar. Nunca disse a ninguém.

Passou sábado, domingo e segunda-feira…

Estive em casa do meu filho e da minha nora. Não lhes disse nada. Tinha vergonha. Na terça-feira, a Judiciária foi lá a casa e eu contei.

Foi logo detida?

Fui. O senhor da Judiciária tratou-me muito bem quando me levou para Santarém. Na terça-feira à tarde, fui ao senhor doutor juiz para ser interrogada. Eu estava tão enervada, que acabei por não explicar bem as coisas ao senhor doutor juiz. Nem lhe disse que ele tinha puxado pela faca da cozinha para me cortar o pescoço nem que ele ameaçava dar-me um tiro na cabeça se eu fugisse para casa dos meus filhos.

E agora?

Já estou um pouco melhor. Olhe que, oito dias antes, tinha levado muitas por ter comprado um quilo de sardinhas por 500 escudos. E logo naquele dia em que elas estavam baratas... Chamou-me “ordinária” e deu-me muitos murros na cabeça por ter pago tanto dinheiro pelas sardinhas.
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