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Mestre pasteleiro da família real vendeu negócio e reformou-se

Todo o cuidado era pouco. E por isso nem a polícia faltou. Um anónimo mestre pasteleiro de Portimão (de seu nome Fernando Gavaia) recebeu a dura missão de confeccionar o “Bolo Real”. D. Duarte casava-se com Dona Isabel neste dia de 1995. E no Algarve, a fama de uma pastelaria iria ficar registada.
13 de Maio de 2012 às 15:00
A fama da Pastelaria Ginga chegou ao casamento de D. Duarte Pio e Dona Isabel de Herédia
A fama da Pastelaria Ginga chegou ao casamento de D. Duarte Pio e Dona Isabel de Herédia FOTO: Miguel Veterano Júnior

De olhos postos no mestre pasteleiro estavam os provadores reais, dispostos a correrem o risco de morrer envenenados em vez de sua alteza real: 800 ovos, 50 quilos de açúcar, 40 de amêndoa e apenas um de farinha de trigo davam forma ao bolo de um metro e trinta de diâmetro – para os 600 convidados do casamento de D. Duarte Pio e Dona Isabel de Herédia. Foi há 17 anos. Em três dias de confecção, a polícia permaneceu à porta da Fábrica de Pastelaria Ginga, em Portimão.

"Pelas pessoas que eram, havia sempre receio de sofrerem qualquer sabotagem ou envenenamento" – recorda o mestre Fernando Gavaia, 68 anos. A sua pastelaria foi a escolhida porque uma tia de D. Duarte, de Ferragudo, costumava lá encomendar bolos de aniversário e de comemoração do 1º de Dezembro, o dia da Restauração da Independência.

E VIERAM OS FILHOS

O bolo viajou até ao Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, numa caixa selada e lacrada. Fernando Gavaia abriu-a lá e aplicou no bolo umas orquídeas de açúcar, brancas e azuis. Ofereceu-o. E foi-se embora. Não ouviu a marcha nupcial. O agradecimento viria depois. O mestre fez os bolos de baptismo dos três filhos do casal real: Afonso, Maria Francisca e Dinis.

"A publicidade não trouxe nada de novo, porque já tinha a melhor pastelaria de Portimão", conta Francisco Gavaia. Em 2002, reformou-se. Vendeu a Pastelaria Ginga. Mas recorda: "Apesar de ter 120 lugares sentados, o espaço foi sempre pequeno." 

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