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Correio da Manhã

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MISTERIOSOS DESEJOS

As teorias avançadas pelos especialistas para explicar os desejos da gravidez variam: para uns têm origem orgânica, para outros emocional. Em que ficamos?
4 de Outubro de 2002 às 18:37
A situação repete-se entre muitos casais: o marido é acordado a meio da noite pela mulher que quer morangos doces em pleno Inverno ou castanhas assadas em Agosto. Ela está grávida e o seu desejo tem mesmo de ser satisfeito. Pelo menos é o que dizem as vozes populares. E apesar de ainda não ter sido encontrada qualquer explicação científica para estes desejos misteriosos, são diversas as justificações. Afinal, ter desejos - uns complicadíssimos de realizar - tornou-se um direito adquirido de todas as grávidas.

As teorias dadas pelos especialistas para estes desejos, variam: para uns têm origem orgânica, para outros emocional. Uma das teorias liga estes desejos misteriosos às deficiências nutricionais, uma vez que a grávida necessita de redobrar a ingestão de proteínas, vitaminas e sais minerais, pois a grande parte dos nutrientes vai para o feto. Há quem defenda que quando a alimentação está desequilibrada, surge o desejo do alimento que contém o que o corpo da grávida está a precisar. Assim, desejar salgados pode significar carência de sódio e desejar frutas cítricas sinal de carência de vitamina C.

Outra das teorias é que os famosos desejos resultam das alterações do olfacto e do paladar que se verificam nos nove meses de gravidez que provocam mudanças na percepção de cheiros e gostos que, por sua vez despertam novas e estranhas sensações.

As hormonas são também apontadas por alguns especialistas como a causa destes desejos, que muitas vezes obrigam o marido a sair de casa às quatro da madrugada para satisfazer o desejo da sua mulher e, como diz a cultura popular, garantir que o bebé chegue com boa saúde.
De acordo com os defensores desta tese, as hormonas, gonadotrofina coriónica humana e a progesterona, que regulam as funções da gravidez, introduzem alterações no apetite da mulher.

ATÉ SABÃO

Por fim, surgem as razões emocionais, que reúnem grande quantidade de defensores. Os especialistas acreditam que as mudanças que se registam no corpo e, numa primeira gravidez, o ideia do desconhecido podem alterar o comportamento da futura mamã. E, segundo os médicos, é exactamente por essa razão que muitas vezes se acusam as grávidas de mau feitio e irritabilidade excessiva. Mudanças que também ocorrem a nível alimentar, dizem os especialistas. Mas os desejos não são apenas de alimentos. Na realidade há grávidas que têm o desejo de “saborear” terra, giz, tijolo, borracha, sabão azul e branco, entre outros.

Do lado oposto dos desejos surgem as aversões, também sem explicações científicas. A aversão ao café, ao álcool, ao fumo dos cigarros e cachimbo e ao cheiro de certos alimentos são as mais comuns. Pior, e já tem acontecido a vários casais, é quando a grávida tem, nada mais nada menos, do que aversão ao cheiro do marido. O único remédio é mesmo esperar que passem os noves meses.
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