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Na Terra com a cabeça em Marte

Eles viram. E sentiram. Sono, escuridão, fascínio. Formigueiros no corpo. A sensação de regressar. Para os que acreditam em ET é vaidade dos seres humanos achar que o Mundo não tem espaço para outras civilizações

13 de Julho de 2008 às 00:00
Abel Moreira
Abel Moreira FOTO: Mariline Alves

Desengane-se quem pensa que as certezas caem do céu. Abel Moreira garante que não é preciso encarar as nuvens para conseguir interagir com seres que têm uma 'textura energética diferente dos humanos'. Extraterrestres, leia-se. A resposta sai pronta e sem recurso ao sobrenatural: 'É preciso estar atento.' E não é questão de esfregar os olhos com mais força ou anseio, explicou-nos no I Encontro Mundial de Ovnilogia, em Lisboa, onde se juntaram especialistas e curiosos da matéria extraterrestre.

'Há coisas que acontecem às pessoas e elas não ligam. Por exemplo, estarmos a conversar com alguém e de repente as horas passam sem darmos conta, haver um lapso de tempo e termos a convicção de que o que estivemos a fazer na realidade não demorou aquele tempo todo.' Ou 'estarmos bem e de repente ficarmos diferentes.'

Ou ainda 'acordarmos e sentirmo-nos novinhos em folha.' Abel, 52 anos, vai questionando ao mesmo tempo que alerta para a 'complexidade' das interrogações. É com uma cautela convicta que sentencia: 'Podem ter acontecido várias coisas – nós não vivemos num universo, antes num ‘multiverso’, com várias dimensões.

Estamos aqui mas podem estar aqui outros seres que têm acesso a nós e não os conseguimos ver porque têm outra textura.' Entre o que 'pode acontecer', o mais frequente são as abduções – sequestro de humanos por parte de extraterrestres. Abel justifica assim as interrogações anteriores. Mas há sequestros e sequestros. Por exemplo, a sensação de bem-estar ao acordar que ele já sentiu 'significa que fui abduzido para fazer exames genéticos'. Dono de uma loja de música, Abel começou cedo 'a sentir presenças'. A sentir e a ver.

Nunca se assustou. Sempre encarou estes fenómenos 'com naturalidade'. É com a mesma espontaneidade que afirma 'não existir solidão nem intimidade porque nunca estamos sozinhos'. E que, por isso, 'nem os pensamentos são privados, há entidades que conseguem sentir o que pensamos'. As memórias que acumula de experiências 'fora deste planeta' são muitas e viajadas.

'A lucidez é maior do que aqui, as coisas são mais instantâneas do que a velocidade da luz', diz. Quando perguntamos como são os 'outros seres' abranda o testemunho e reflecte. 'Depende. Há mundos paralelos que têm uma estrutura física sujeita ao envelhecimento, como nós; há outros seres que não conectam aqui porque são muito energéticos e alguns podem materializar-se.'

Certo é que 'podem perturbar as pessoas porque o espectro energético de alguns deles, para a nossa concepção de beleza, pode ser chocante. Têm um aspecto mais terrível do que qualquer filme de terror e isso mete medo – porque associamos o feio à maldade', considera. Já o objectivo das visitas de tais seres será mais pacífico do que o visual: 'Estão a lutar para que o nosso planeta não desapareça e a tentar ajudar-nos, mas uma das leis é não interferir porque temos de ter responsabilidade.'

Gevaerd cruzou-se com Abel no I Encontro Mundial de Ovnilogia. Também Gevaerd não tem dúvidas de que os extraterrestres 'estão a tentar uma aproximação gradual porque há civilizações que têm mesmo de se encontrar'. Se há umas décadas 'apareciam nas naves lá no meio do mato, agora aparecem no centro de grandes cidades', diz com o sotaque que denuncia o país natal, o Brasil. Questionado sobre se os ET estão a perder o medo dos humanos, o editor da revista brasileira ‘ufo’ (OVNI) escolhe outros voos. 'Eles estão é a perceber que já é possível fazer isso sem causar o pânico.'

A ele não o assustam – tem dedicado a vida a essa convicção. Por isso, quando, em 1992, teve o primeiro 'avistamento' de um disco voador ficou 'entusiasmado por finalmente' lhe ter acontecido a ele o que andava a ouvir de outros há anos. A 'alegria' deu-se quando Gevaerd conduzia rumo a Las Vegas acompanhado da mulher e de um casal amigo. Começaram a sentir 'um sono intenso'. Não havia nada à volta – só montanha, sem casas nem gente. 'Durante 40 minutos fomos seguidos por um OVNI e não conseguimos avançar mais de 30 quilómetros', recorda.

Gevaerd regressou várias vezes ao local em busca de uma explicação que não encontrou. Voltou a ver a 'bola de luz' mais vezes em outras paragens. Diz, com pena, que nunca foi abduzido. 'Estou na lista', brinca quem tem a certeza de que '90% das abduções têm uma finalidade genética'. E que, por isso, 'quem é levado para o interior das naves tem material extraído ou manipulado'. E para quê? 'Para fazer bebés, novas raças – há uma indicação muito clara de que podemos estar a servir de fornecedores', explica, acrescentando que as civilizações que nos visitam – a julgar pelos 'milhares de casos' que analisou – 'têm o mesmo formato dos humanos'. Não há margem para duvidar. 'Têm dois olhos e uma boca, dois joelhos, dois cotovelos: são muitas coincidências', considera o ovnilogista que começou aos 10 anos a juntar recortes de jornal sobre OVNI.

Acredita na forma humana dos ET com tanta certeza como no facto de quererem agir ocultos. 'Em 90% das abduções não há memória porque os ET apagam da mente das pessoas o que aconteceu.' Uns e outros, pois não se pense que os visitantes são sempre os mesmos. 'Há civilizações com diferentes graus de avanço e de objectivos que nos visitam'. Há quem venha numa de turismo, 'porque é natural visitar outros planetas'. Outros, mais exigentes, 'podem vir por achar a nossa terra exótica, com este céu azulado, ou à procura de um recurso mineral que aqui exista'. O futuro ditará que as visitas se tornem mais altruístas: 'Podem trazer respostas para os nossos problemas – problemas pelos quais também eles tenham passado e que já sabem como resolver', diz Gevaerd, sublinhando que 'o Mundo está longe de ser perfeito'.

Perfeita, perfeita era para ser aquela noitada de pescaria entre pai e filho. O Verão quente enchia o peito de férias e pedia uma escapadela de confraternização. Foi há uns quatro, cinco anos; Pedro não sabe precisar. O cenário daquela noite que não esquecerão nunca, tingido de areia, era o Outão, na Serra da Arrábida. 'A maré estava vazia e estávamos rente à água. De repente, vimos uma luz dentro de água, que começou a burbulhar, a vir ao de cima, como se algo quisesse sair de lá de dentro.'

Pedro, um estudante de gestão e administração de 21 anos, suspende o relato por instantes como que a ganhar fôlego para o que se segue. 'Vinha na nossa direcção e quando se começou a aproximar resolvemos sair da praia.' Viraram costas mas não chegaram a ir. 'Ainda hoje não sei o que aconteceu desde que dissemos que íamos embora até que acordámos encostados de pé à muralha, na praia, algum tempo depois. Queria mexer-me para ir procurar o meu pai e não conseguia, só depois percebi que ele estava ao meu lado', recorda.

Os capítulos da história sucedem-se. 'De repente, senti um formigueiro a passar por mim, a sensação de voltar de algum lado'. O pai sentiu o mesmo. Quando conseguiram falar disseram ao mesmo tempo: 'Sentiste aquilo?'. Por essa altura, a luz ainda lá estava, embora longe. Pedro lembrou-se do ‘very-light’ que tinha no bolso para ajudar na pescaria. Apontou para a tal luz e fez no ar desenhos que a mesma luz repetiu. Sem mais nem quê, o céu que estava estrelado virou escuridão e um flash brotou em jeito de despedida. 'Ficámos encandeados e aquilo desapareceu.' A pescaria nocturna não viu peixe na cana. Não faz mal. Nem eram para ter ido. |

'O DIA ESCURECEU DE REPENTE'

Assumem que o desconhecido os fascina. E que também por isso estão a estudar Física na universidade. Sérgio, 24 anos, e Catarina, 19, são amigos e garantem já ter visto 'coisa estranhas' por diversas vezes. Sérgio não consegue precisar quanto tempo passou desde que viu 'aquilo que parecia um OVNI' pela primeira vez. 'Foi há uns anos, na Malveira, estava a assistir a um concerto e, no meio do fogo de artifício, vi uma coisa escura em forma de asa delta. Vinha baixo o suficiente para ver aquilo a contornar a montanha, a desviar-se.' Juntos já assistiram duas vezes a fenómenos que não sabem (mas gostariam de saber) explicar. 'Estávamos no Jardim Botânico ao fim da tarde, deitados em cima das ervas, e lembro-me que escureceu de repente. Estava um dia muito solarengo e assim do nada ficou escuro', recorda Catarina, acrescentando que nessa altura olharam ambos para o céu e viram 'dois focos de luz azul e vermelhos a piscarem'. Não era um avião.

'ELES  NÃO NOS VÊM COMER'

José Neves, bancário reformado e técnico de saúde, sossega os medrosos: “Eles não vêm aqui para comer os humanos como mostra a ‘Guerra dos Mundos’, mesmo porque estamos cheios de doenças”. Nunca viu OVNI mas tem a certeza de que existem e que “há coisas que se pensa que foram feitas pelo Homem e não foram”, como a pirâmide de Keops, no Egipto.

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