“No silêncio da mata ouve-se chamar pelo enfermeiro”

Improvisou-se uma maca. O comandante da companhia pontapeou um rádio, que ficou desfeito em três...
Por Vanessa Fidalgo|12.03.19
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Furriel Miliciano Paraquedista, cumpri uma comissão de março de 1971 a maio de 1973 no Batalhão de Caçadores Paraquedistas nº 32 (’Famosa Gente à Guerra Usada’), 1.ª Companhia de Caçadores Paraquedistas , 4.º Pelotão (’Os Mercenários’), em Nacala, Moçambique, comandando a 3ª Secção ‘115’.

Estava em Mueda, Moçambique, no dia 14 de abril de 1971 quando fui informado que haveria uma reunião de graduados. Cheirava a operação, e ela apareceu no dia seguinte, 15 de abril de 1971. Seria a primeira das mais de 30 operações em que participei. A expectativa era muita mas a descontração também, o tempo que mediou entre o embarque no héli e o salto deste para o chão foi relativamente curto, mas pareceu uma eternidade. A largada foi feita perto de palhotas de onde vinham vozes.

Fizemos a aproximação e, espante-se… o "checa" apanhava, sem qualquer contacto com o IN (inimigo), três armas que haviam sido abandonadas na fuga. O final do dia aproximou-se sem qualquer novidade. Na hora de fazer o alto para dormir, apercebi-me que estava de facto num teatro de guerra quando o comandante de companhia me chamou, me entregou um saco e disse: "Vai às compras." Tratava-se de uma forma de me lembrar que eu era o sargento "checa" e tinha que ir armadilhar os trilhos. Aquilo que tantas vezes fizera em instrução tinha agora que ser feito sem falhar. O trabalho foi realizado e teve "frutos" durante a noite.

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