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Novas pregações aos peixes

Das cinzas de ‘Motor City’ chega-nos uma voz de resistência e o som de uma era menos volúvel e descartável.
8 de Abril de 2018 às 01:30

Jack White ganhou visibilidade com ‘White Blood Cells’, terceiro álbum dos The White Stripes, saído em 2001, em plena explosão do revivalismo garage rock. Impulsionados pela popularidade do single ‘Fell In Love With a Girl’, os The White Stripes tornam-se uma das referências do movimento, com as suas influências de blues a darem corpo a um rock rude e primitivo imediatamente reconhecível, mas é com o álbum seguinte, ‘Elephant’, de 2003, e o single ‘Seven Nation Army’, que atingem o grande público e um reconhecimento sem rival.

Jack White, nascido Gillis, após anos como baterista em bandas de Detroit, fundada em 1997 com a então mulher Meg White, de quem tomou o nome, os The White Stripes, onde assume a guitarra e a voz deixando a bateria para ela, aos quais, obcecado pelo número três – o atributo da perfeição para os velhos cabalistas –, impõe uma rigidez cromática limitada ao vermelho, branco e preto, desde a roupa às capas dos discos ou à apresentação em palco.
Jack, a solo

Os The White Stripes acabam em 2007, quando a digressão de promoção ao sexto álbum, ‘Icky Thump’, é cancelada devido a problemas de ansiedade de Meg White. Mas antes, em 2005, já Jack começara novo grupo, The Raconteurs, com Brendan Benson e outros de Detroit, com o qual edita ‘Broken Boy Soldiers’ (2006) e ‘Consolers of the Lonely’ (2008). Foi na tour de promoção a este, quando Jack White, afónico, é substituído por Alison Mosshart, vocalista dos The Kills, banda de suporte na digressão, que surgiu a ideia dos The Dead Weather, onde Jack retoma a função de baterista e deixa a voz para Mosshart. A banda estreia-se com ‘Horehound’, em 2009, a que se segue ‘Sea of Cowards’ (2010) e ‘Dodge and Burn’, em 2015. Entretanto, com ‘Blunderbuss’   (2012), Jack inicia uma carreira a solo, com ‘Lazaretto’ (2014) e agora ‘Boarding House Reach’. É safra blues rock garage típica de Jack White, mas não deixa de ser um regalo para os ouvidos.

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