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O AMIGO DOS GRÃO-DUQUES

Não se considera monárquico, mas desde que chegou ao Luxemburgo, com apenas 23 anos, Manuel Dias de Sousa rendeu-se à família real do Luxemburgo.
10 de Outubro de 2004 às 00:00
“Li num livro que o pai do Grão-duque Henrique era neto de uma portuguesa e desde então, comecei a coleccionar fotografias e pequenas recordações da realeza”, confessa o fotógrafo amador, natural de Braga. A sua simpatia natural conquistou os Grão-duques, de quem é amigo pessoal. “Em casa até tenho uma série de fotografias autografadas por eles”, conta. Manuel conhece bem os corredores do majestoso Palácio Grão-ducal, onde a Grã-duquesa, Maria Teresa, o recebe várias vezes.
Já não é a primeira vez que os dois tomam chá juntos: “É uma senhora muito simpática. Trata toda a gente com muito respeito”, garante o português, que nunca abusou da confiança que a família real luxemburguesa depositou nele. “Só assim é possível manter uma relação de amizade.” E se hoje é convidado para alguns dos mais selectos eventos sociais, tal qual uma figura do ‘jet set’, a vida de Manuel Dias de Sousa nem sempre foi cor-de-rosa. Depois da tropa, ele e a mulher fizeram as malas e foram à procura de um futuro melhor no Luxemburgo. Os primeiros anos foram duros: “Ela arranjou emprego nas limpezas e eu nas obras.
Naquela altura era preciso trabalhar muito para conseguirmos pagar a renda da casa e a comida”, recorda. Aos poucos, o casal conseguiu juntar algum dinheiro e abriu um café. Um estabelecimento comercial frequentado pela classe política luxemburguesa. Entre um café e uma meia de leite, o fotógrafo amador travou amizade com o ex-presidente da Comissão Europeia, Jacques Santer. “Quando ele descobriu que eu tinha uma colecção incalculável de objectos relacionados com a família real, incentivou-me a organizar uma exposição”, recorda o emigrante. Nas paredes do café, onde a mulher trabalha, está exposta a paixão de Manuel: a realeza.
O SENHOR SATÉLITES
Com formação superior na área da Engenharia Electrónica, Pedro Lima Marta, 30 anos, natural de Ponte de Sôr, faz parte de uma nova geração de portugueses longe da tradicional imagem dos emigrantes, associada a trabalhos menos qualificados. Tirou o curso no Instituto Superior Técnico do Luxemburgo e trabalha na área de controlo e manutenção dos 40 satélites da Sociedade Europeia de Satélites (SES), uma empresa líder mundial em transmissões televisivas . “A minha função é controlar o tráfego e dar assistência técnica ao cliente”, explica o jovem engenheiro, a viver no Luxemburgo há 29 anos. Pedro tem noção que o seu caso é excepcional, mas garante que os seus amigos também optaram por cursos universitários: “Porque só assim é possível encontrar um emprego melhor”. Como típico português, faz-lhe confusão algumas das características do povo luxemburguês. “Nós somos mais abertos. Com eles entendo-me facilmente, mas noto que quando vou passar férias a Portugal, as pessoas são mais simpáticas”, diz. O clima também não ajuda. “Com um tempo destes não se pode ser feliz”, remata.
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