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Correio da Manhã

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O ano em que a música mudou

Uma panorâmica completa do que foi a génese do ‘punk’ britânico, condensada nos 365 dias do seu ano zero.
Adolfo Luxúria Canibal 29 de Setembro de 2019 às 09:00
Punk britânico
Punk britânico FOTO: Direitos Reservados

Hoje, quando falamos de ‘punk’ inglês, pensamos logo num género uniformizado, mais ou menos decalcado dos Ramones e dos Sex Pistols. Mas, como o prova esta colectânea,       ‘1977 - The Year Punk Broke’, trata-se de uma ideia feita que está longe da verdade. Apesar de 1977 não ter sido o ano da explosão ‘punk’ (isso aconteceu em 1976), ele foi de facto o ano zero da sua fixação fonográfica.

E o objectivo deste disco é mostrar em três CD tudo o que foi editado sob o selo ‘punk’ nesse ano inaugural. São 87 temas retirados da torrente de álbuns e ‘singles’ saídos em 1977 e que mostram a variedade e a pujança de uma nova cena sem paralelo nos anais da música britânica desde o fenómeno Beatles e ‘British Beat’ de 1964 e 1965.

Se a edição do primeiro álbum dos Ramones em 1976, com canções curtas, simples, sem solos, palavras irónicas, guitarras brutais e tempo acelerado, sem tréguas, foi o choque que animou os jovens britânicos a lançarem o seu próprio grupo de ‘rock’n’roll’, já a inspiração veio-lhes de muitas latitudes.

O ‘glam’, até pela idade dessa geração, constituía a grande referência, seja na versão T.Rex, seja na versão David Bowie ou Roxy Music, mas depois havia uns a venerar a onda ‘mod’ dos anos 60, outros a jurar pelo ‘krautrock’, outros ainda fanáticos de ‘pub rock’, ou de       ‘reggae’ e ‘dub’, outros mais a gostar do radicalismo ‘space rock’ – uma diversidade       de fontes que provocaria um grande ecletismo no ‘punk’ inglês original.

E estão aqui todos – com excepção dos Sex Pistols e dos Clash, à conta das questões jurídicas habituais–, dos Damned aos Jam, dos Buzzcocks aos Stranglers, dos Motörhead aos X-Ray Spex, dos Slaughter & The Dogs aos Generation X, dos Sham 69 aos Alternative TV, dos Only Ones aos Rezillos, dos Ultravox! aos Boomtown Rats, dos 999 aos Vibrators, etc., etc., etc.…, dando uma panorâmica fidedigna do que foi o movimento na sua génese.

A melhor colectânea alguma vez organizada sobre o ‘punk’ britânico, com um interessante e detalhado ‘booklet’ a contar-lhe a história. No mínimo, um belo investimento para quem gosta de musicologia.

Livro

UM RISO REDENTOR CONTRA A BARBÁRIE

Inspirado pelo ofício de prensador que em tempos o autor exerceu, ‘Uma Solidão Demasiado Ruidosa’ é a história, ela própria proibida pelas autoridades checas, de um destrutor de textos censurados que salva todos os que lhe parecem belos. Como um símbolo da indestrutibilidade da memória e da palavra.

Disco

MAIS UMa INVESTIDA PELO CARDÁPIO ‘ROCK’

Décimo quinto álbum em sete anos de existência desta banda australiana que tem particular gosto em percorrer todos os géneros em que o ‘rock’ se decompõe. Depois do psicadelismo, do ‘folk’, do ‘glam’, do ‘jazz-rock’ e da electrónica, eis chegado o momento do ‘heavy metal’, e o resultado é mais que divertido.

Filme

A GRANDE VOZ ‘SOUL’ EM TODO O ESPLENDOR

Filmado e gravado em 1972 em Los Angeles, este espectáculo deu origem a um disco editado nesse mesmo ano, mas as imagens captadas, por falta de sincronismo com o som, foram arquivadas. Nos últimos dez anos foi sendo conseguida a sincronização e o resultado é um dos melhores filmes-concerto de sempre.

Fugir de:

Lise Bourbeau

Esta autora de bestsellers no campo do desenvolvimento pessoal, com títulos tão elucidativos como ‘As Cinco Feridas’, ‘Curar as Cinco Feridas’, ‘O Teu Corpo Diz "Ama-te"’ ou ‘Escuta o Teu Corpo’, que tratam invariavelmente da alma e do seu sofrimento e do caminho redentor para o encontrar da felicidade, acaba de ter livro novo traduzido para português, ‘Quem És Tu?’, no qual, mais uma vez, explora a crendice alheia, agora com elucubrações metafísicas sobre o sentido da vida a partir da roupa que vestimos ou do lugar onde vivemos.

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