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O criador do universo de ‘Midgard’

Inspirado em ‘O Senhor dos Anéis’ e no grafismo de ‘Age of Mythology’, João Piedade lança mais um livro de ‘O Filho de Odin’.
19 de Fevereiro de 2012 às 00:00
João (à Direita) com o irmão e os pais, Ana Paula Reis e Domingos piedade
João (à Direita) com o irmão e os pais, Ana Paula Reis e Domingos piedade FOTO: Pedro Garcia, Flash

Ainda pensou seguir a vida militar, "viajar pelo Mundo a treinar vários estilos de combate antes de abrir uma Academia Militar", mas "o vício e a necessidade pela escrita e pela criação" soaram mais alto. Aos 22 anos, João Piedade lança ‘Pacific Blood – Metal King’, terceiro livro da saga ‘O Filho de Odin’, obra com chancela da Gailivro, em que explora o universo de ‘Midgard’, onde "lendas, mitos e histórias populares são factos reais" e "humanos vivem lado a lado com deuses, dragões, anões e elfos".

A escolha de uma carreira que comunique com o público bem pode estar traçada nos genes de João Piedade, filho de Domingos Piedade, um nome ligado ao mundo automóvel, e Ana Paula Reis, psicóloga e ex-locutora da RTP. Mas, ainda assim, João surpreendeu os pais e o irmão, pois foi logo aos 14 anos que a ficção começou a nascer na sua cabeça. "Comecei a escrever num bloco de notas uma história diferente, mais parecia um ‘Senhor das Moscas’, em versão 7º ano e, desde então, decidi continuar, pois via nesta actividade uma forma de utilizar a minha imaginação para algo mais", conta.

Aluno aplicado, era comum viajar da sala de aula para o fantástico mundo de ‘O Senhor dos Anéis’, de J. R. R. Tolkien, um dos seus autores preferidos. Hoje, a sua viagem interior já tem outra textura. Na Universidade Stirling, na Escócia, onde estuda Cinema e Media encontrou um espaço à sua medida.

UM MAR DE PROJECTOS

Nas terras altas que saltam do meio do oceano Atlântico, João Piedade tem a inspiração logo ao sair da porta. A paisagem verde, o nevoeiro e a familiaridade de um povo que ouve música celta "aos berros" e não perde "uma boa festa", ajudam a traçar planos ambiciosos.


"Além da prequela aos livros do ‘Filho de Odin’, em que conto a origem dos ‘Strongheart’ e de como o clã viajou para a Escócia com as invasões vikings, vou realizar a minha terceira curta-metragem, escrever e desenvolver o clube de jiu-jitsu" que criou com amigos.

Praticante de artes marciais – muay thai, jiu-jitsu, vale tudo, krav maga e sanshou –, João Piedade reflecte os gostos da sua geração. Gosta de comida japonesa e da que encontra "na casa da avó", bebe inspiração nos livros fantásticos de Tolkien, Bram Stoker e sir Arthur Conan Doyle, nas imagens gráficas de ‘Dungeons & Dragons’, nos jogos de ‘Age of Mythology’ e ‘Warcraft 3’, e na banda Manowar, que conheceu com apenas 12 anos, na idade em que as memórias ficam marcadas.

CRÍTICAS E AUTO-ESTIMA

Habituado a uma certa popularidade, João Piedade admite que ser filho de "alguém famoso não tem qualquer incentivo no futuro". Mas, ainda assim, não estava preparado para as primeiras críticas. "Ao início achei muito duras, pois ainda era muito jovem", diz. Mas hoje reconhece que os primeiros livros "eram bastante medianos. Não fazia a menor ideia das regras, processo e tudo o que envolvia uma pessoa tornar-se escritor. Escrevia pelo prazer de escrever, editar veio mais tarde".

Nesta terceira obra, mais madura, as personagens de ‘Jack’ e ‘Dorian Strongheart’, irmãos gémeos, tentam salvar a Terra, onde deuses e mortais se confrontam num conflito que evoca aliados e nazis na eterna luta entre o bem e o mal.

Fora da ficção, o autor reage com humor à questão de os bons autores poderem sempre vir a superar os maus gestores, os que são acusados de terem criado a crise actual. "É apenas um termo atribuído à metáfora de que a actual situação é algo que o Mundo simplesmente não esperava ter de enfrentar outra vez depois dos anos de 1930. Portanto, os bons autores podem mesmo vir a ajudar os leitores e o Mundo em geral, desde que consigam entreter o público. Rir e ter auto-estima são as melhores maneiras de moldar o carácter de uma pessoa e também das gerações futuras." Os pais aplaudem.

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