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O FIM DA UNIÃO IBÉRICA

O dia 1 de Dezembro de 1640 marca o início da Restauração da Independência em Portugal. Os monárquicos nunca esquecerão esta data.
28 de Novembro de 2002 às 19:58
A morte de D. Sebastião, em 1578, em Alcácer Quibir, deixou um grave problema sucessório, já que o jovem rei não deixou descendência nem irmãos. Assim, irão surgir numerosos pretendentes ao trono, dos quais se destacam Filipe II de Espa-nha, neto do rei português D. Manuel I, e a duquesa de Bra-gança, D. Catarina, igualmente neta daquele monarca. Um terceiro neto, por via ilegítima, D. António, o prior do Crato, irá reclamar o seu direito à Coroa, reunindo o apoio popular. No imediato, o trono é ocupado pelo único filho de D. Manuel ainda vivo, o idoso cardeal D. Henrique.

Quando este morre, em 1580, os partidários da aliança com Espanha reuniam praticamente toda a elite social portuguesa. Pouco depois, o exército castelhano entra em Portugal para defender as pretensões de Filipe, derrota as forças de D. António e estabelece-se em Lisboa. Em 1581 Filipe II é aclamado Rei de Portugal com o apoio do alto clero, nobreza e burguesia portuguesas. A União Ibérica ditava que Espanha e Portugal se mantinham estados independentes e soberanos, unidos na pessoa do rei. Filipe I de Portugal, que se comprometeu a respeitar costumes, leis e liberdades portuguesas e a nomear exclusivamente portugueses para os altos cargos civis, militares ou religiosos. Além disso, conservava-se a moeda e a língua.

As primeiras três décadas foram de governo equilibrado e respeitador dos compromissos. Mas em 1588, a derrota da “Invencível Armada” espanhola pelos ingleses implicou para Portugal a perda de grande número de navios e homens, pressagiando grandes dificuldades. A partir de 1618, a entrada da Espanha na Guerra dos Trinta Anos tem novas repercussões para o nosso País: inimigos de Espanha, ingleses, franceses e holandeses vão atacar o império português.

Desagrado Geral

Em 1637 estala em Évora uma rebelião popular que será conhecida como “revolta do Manuelinho” – nome do ‘simplório’ a quem era atribuída a autoria dos panfletos contra a situação que se vivia. Os motins alastram ao resto do País e também os nobres se sobressaltam, depois de receberem ordens para recrutarem soldados e apresentarem-se em Madrid para combater contra a França. Terá sido este o momento em que a nobreza lusa percebeu a necessidade de restaurar a monarquia portuguesa.

Um pequeno grupo de conspiradores delineia a estratégia de separação da Espanha, que passa por entregar a coroa ao VIII duque de Bragança, D. João, neto de D. Catarina. A política de centralização do ministro espanhol conde-duque de Olivares leva a que, em 1640, estale uma revolta na Catalunha, o ensejo esperado pelos portugueses. Na manhã de 1 de Dezembro de 1640, cerca de 40 conjurados entram no Paço, procuram Miguel de Vasconcelos, secretário de Estado, e matam-no a tiro. Depois, forçam a duquesa de Mântua, prima do rei e vice-rainha de Portugal, a escrever ordens de rendição para as guarnições castelhanas do Castelo de S. Jorge e fortalezas do Tejo. No dia 6, vindo de Vila Viçosa, chega a Lisboa o duque de Bragança, aclamado Rei de Portugal, com o título de D. João IV. Mas Espanha só reconhece a independência de Portugal depois de derrotada militarmente, em 1666.
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