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O MEDO DA NOVA PESTE

Depois do 11 de Setembro o monstro chamava-se Anthrax. Agora, à espera de nova guerra com o Iraque, os EUA temem a varíola e preparam uma campanha maciça de vacinação. Portugal também tem razões para estar preocupado, diz o Governo dos Açores
31 de Janeiro de 2003 às 20:36
E se a varíola fosse utilizada como arma biológica? Os resultados seriam catastróficos. Quem o diz são os especialistas em bioterrorismo que acreditam na enorme probabilidade de a varíola vir a ser usada como arma química. Frequentemente fatal, a varíola propaga-se com muita facilidade e muitas pessoas não possuem imunidade à doença, já que as vacinas deixaram de ser ministradas há duas décadas, altura em que a doença foi erradicada.

Na iminência de um ataque dos Estados Unidos contra o Iraque, as autoridades de saúde norte-americanas já colocaram em marcha um plano de vacinação e instruíram todos os estados do país para prepararem vacinas para a população. A directora da Agência de Controlo de Doenças, Julie Gerberding, diz que o ‘timing’ escolhido é alheio ao conflito com o Iraque mas até mesmo o próprio Presidente Bush já foi vacinado. Pura coincidência?

PORTUGAL PODE SER AFECTADO?

Quem pensa que esta é uma dor de cabeça (só) dos americanos, desengane-se. Basta recordar a Base das Lajes, na Ilha Terceira dos Açores, que, ao serviço dos soldados norte-americanos pode ser o canal de reintrodução da doença em Portugal. É este o temor do presidente do Governo Regional dos Açores, que já explanou os seus receios numa carta endereçada aos ministérios da Defesa e dos Negócios Estrangeiros. Carlos César pediu a Paulo Portas para garantir que a vacinação ocorra fora do território nacional e mostra grande preocupação com o problema. O caso não é para menos: os soldados norte-americanos já foram notificados para se vacinarem e a vacina contém o vírus vivo, tornando possível a sua transmissão. As pessoas contaminadas podem por isso ser focos de contaminação durante vários dias. De referir que os grupos de maior risco, pela debilidade do sistema imunitário, são as pessoas infectadas com o vírus da sida, doentes oncológico em tratamentos de quimioterapia, indivíduos que receberam transplantes e grávidas.

A Direcção-Geral da Saúde já veio dizer que não há motivos para alarme. O subdirector-geral da Saúde, Francisco Jorge, desmente que esteja a ser considerada a hipótese de vacinar alguns estratos da população portuguesa, embora, um dia antes de tomar esta posição, tenha admito ao “Diário de Notícias” que essa probabilidade estava a ser equacionada. Mesmo assim, Francisco Jorge confirma que estão a ser preparados “há largos meses” os modelos teóricos que definem os alvos prioritários de vacinação, caso a decisão política avance nesse sentido. Não há fumo sem fogo?
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