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Correio da Manhã

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O regresso dos mortos

Um disco que celebra a vida e o prazer furioso de estar vivo depois de uma temporada nas orlas do inferno.
Adolfo Luxúria Canibal 12 de Maio de 2019 às 13:00
The Fat White Family

Os Fat White Family formaram-se no sul de Londres em 2011 pelos irmãos Saoudi, Lias Kaci na voz e Nathan nos teclados, e pelo guitarrista Saul Adamczewski. O primeiro álbum, ‘Champagne Holocaust’ (2013) criou enorme excitação no meio rock, com um ‘psychobilly’ caótico e furioso como já não havia memória.

Celebrou-se o retorno do perigo e da urgência à música numa época em que esta se convertera em entretenimento insípido e confrangedora banalidade, boa apenas para trautear no chuveiro. E os seus concertos espelhavam o poder dessa avalanche sonora, provocando um remoinho de consequências sempre imprevisíveis, como puderam testemunhar todos aqueles que em 2016 assistiram à sua estreia em Portugal, no já saudoso Reverence Festival – sentia-se o perigo no ar, uma espécie de ameaça indefinida, como se a qualquer momento tudo aquilo pudesse desabar ou virar tumulto definitivo.

Nesse ano tinham já lançado um segundo álbum, ‘Songs For Our Mothers’, que era quase um contrapeso ao disco de estreia, uma mistura de Velvet Underground com Rolling Stones e de Stooges com Can, tudo muito artesanal e viscoso, de uma abjecta sujidade junkie que não deixava dúvidas – como diria William S. Burroughs, os Fat White Family estavam com a doença! Pudemo-lo confirmar no Reverence quando, ao jantar, o então baixista da banda, Taishi Nagasaka, nos perguntou por um ‘dealer’ de heroína…

E foi a descida aos infernos do vício que dominou os anos seguintes da banda, que em 2017 se separou mesmo, com Adamczewski e Lias Saoudi a seguirem caminhos distintos. O anúncio de um disco novo em 2019 não pressagiava pois nada de bom, seria mais um punhado de temas toscos e auto-indulgentes destes novos espíritos queimados pelo pó.

Mas, para grande surpresa, ‘Serfs Up!’ apresenta-nos uns Fat White Family em grande forma, coesos e unidos e com um ganho de inventividade e de energia positiva nada previsível. Simultaneamente frio e quente, hedonista e malsão, estimulante e assombrado, é o regresso vitorioso e em fanfarra de uma banda que finalmente realiza as suas ambições.

A CRUELDADE REVISITADA NO SEU ESPLENDOR
Textos escritos entre 1946 e 1948, depois da saída do hospício – onde fora internado em 1937, no retorno de uma viagem à Irlanda – e até à sua morte, incluindo os livros ‘Artaud, o Momo’, ‘Aqui Jaz’ e ‘Van Gogh, o Suicidado da Sociedade’, para além de dez poemas de ‘Sequazes e Suplícios’. Essencial.

DESCOBRIR A ALMA E AFASTAR OS DEMÓNIOS
Quinto álbum dos norte-americanos Cage The Elephant, ‘Social Cues’ é a reacção do vocalista Matt Shultz ao seu recente divórcio e à morte de três amigos próximos, levando o ‘garage rock’ sob influência ‘soul’ da banda para terrenos mais sombrios e viscerais, o que resulta no seu melhor disco até à data.

AS QUESTÕES SOCIAIS DA DOENÇA MENTAL
Estreia do iraniano Farhad Safinia na realização com um filme de época sobre os primeiros passos do ‘Oxford English Dictionary’, focando-se no drama do cirurgião norte-americano William Chester Minor, internado num asilo para criminosos mas responsável por mais de dez mil entradas do dicionário.

FUGIR DE: PROFESSORES
Os professores nem têm culpa nenhuma e a reivindicação da contagem integral do seu tempo de serviço é mais do que justa. O problema é a injustiça relativa face a outros funcionários públicos que sofreram idênticos congelamentos – e o facto,
incontornável, de não haver dinheiro para a brutal despesa dessa reposição salarial integral. Não se compreende pois o bailado politiqueiro oportunista e populista de CDS e PSD, principais responsáveis pelos congelamentos de outrora, nem a aliança leviana de PCP e BE com essas forças sinistras…

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