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O segredo por detrás dos monstros do cinema

Nem o melhor ator pode mudar de cara. Em ‘Destroyer’, Nicole Kidman ficou irreconhecível graças à make-up. Não é caso único.
Fernanda Cachão 3 de Fevereiro de 2019 às 12:00
Gary Oldman, em ‘A hora mais negra’
Cate Blachett, em ‘Manifesto’
Gary Oldman, em ‘A hora mais negra’
Cate Blachett, em ‘Manifesto’
Gary Oldman, em ‘A hora mais negra’
Cate Blachett, em ‘Manifesto’
Nicole Kidman é uma polícia alcoólica que carrega nos ombros o peso do passado em ‘Destroyer – Ajuste de Contas’, o filme de Karyn Kusama em exibição em Portugal. A atriz que já tinha aparecido transfigurada, graças a uma prótese nasal, para ser Virginia Woolf em ‘As Horas’, de Stephen Daldry, surge novamente irreconhecível - e não é só pela forma de andar, o corpo quebrado debaixo de roupa sem ‘grife’, mas devido à profunda transformação da sua face.

Magda Casqueiro, a portuguesa que trabalhou nos estúdios da Warner Brother’s em Londres, num dos Goblins do filme que encerrou a saga cinematográfica da personagem criada por J. K. Rowling, ‘Harry Potter e os Talismãs da Morte - Parte 2’ (2011), é perentória: "Aquilo é um excelente trabalho de maquilhagem e cabelos, não há ali qualquer prótese, nem no queixo. É preciso reparar que temos todos a imagem da Nicole Kidman sempre muito maquilhada e muito arranjada. De cara lavada, ela não é como a vemos normalmente. Aquilo, repito, foi trabalho de maquilhagem fora de série", opina Magda.

Trabalhos de caracterização admiráveis para Magda Casqueiro são ‘Máscara’ (1985), filme de Peter Bogdanovich em que Cher é mãe de um adolescente deformado - um irreconhecível Eric Stoltz. "Foi uma das primeiras coisas que me marcaram a nível de caracterização"- e refere igualmente ‘Border’, de Ali Abassi, filme sueco de cinema fantástico que ganhou o prémio da secção ‘Un Certain Regard’ do Festival de Cannes e que está indicado para os prémios de melhor maquilhagem e caracterização da edição deste ano dos Óscares.

O trabalho candidato à estatueta é de Göran Lundström e Pamela Goldammer - o primeiro convidou Magda para trabalharem na Suécia no próximo mês de março. Já tinham trabalhado juntos em Harry Potter.

Ao jeito do Óscar
Por causa de Aileen Wuornos - a psicopata que se vinga dos homens em ‘Monstro’ (2003) -, a atriz que se passeia no anúncio publicitário do perfume J’Adore, da Dior, e que agora anda de braço dado com Brad Pitt, submeteu-se a uma transformação radical. Com a ajuda da caracterização, é certo, mas para não ter de usar um fato-prótese de volume corporal, engordou 30 quilos. Rapou também as sobrancelhas.

Depois pintaram-lhe o cabelo, usou próteses dentárias, lentes de contacto para os olhos azuis perderem vivacidade e maquilhagem que deu à pele um aspeto envelhecido e doente. Ao ‘Stumped Magazine’, Charlize Theron explicou que se recusou a usar o ‘fat suit’ (fato de gordura, tradução livre) para poder sentir-se na pele de Aileen Wournos, que existiu de facto e foi uma prostituta que começou a matar em série em 1989, quando a 13 de dezembro desse ano executou o eletricista Richard Nallory com três tiros.

Christian Bale já foi Patrick Bateman - a personagem criada por Bret Easton Ellis e adaptada ao cinema por Mary Harron em ‘Psicopata Americano’ (2000) - quando se obrigou a uma exigente rotina de exercícios físicos para ganhar músculo, ou ‘O Maquinista’ (2004), de Brad Anderson, que trabalhou na razão inversa para perder trinta quilos.

Há cinco anos para ‘Golpada Americana’, de David O. Russell, comeu donnuts, hambúrgueres e "tudo aquilo que tinha à mão" para chegar aos 100 quilos, agora submeteu-se simplesmente ao trabalho de Greg Cannom, Kate Biscoe e Patricia DeHaney para se transformar em Dick Cheney, o vice-presidente de George W. Bush.

O trio de artistas está nomeado este ano para o Óscar de Melhor Maquilhagem e Caracterização pelo trabalho em ‘Vice’, de Adam McKay, bem como Bale pelo desempenho.

Desde que em 1982 esta categoria foi reconhecida pela Academia de Hollywood, oito filmes biográficos ganharam o Óscar. No ano passado, Kazuhiro Tsuji, David Malinowski e Lucy Sibbick transformaram Gary Oldman em Winston Churchill (’A hora mais negra’) e ele próprio teve o prémio da Academia pela sua interpretação, bem como Meryl Streep por ‘A Dama de ferro’ (2012), que foi a icónica primeira-ministra britânica graças ao trabalho de Mark Coulier e J. Roy Helland, também premiados.

"As próteses podem ser feitas de silicone ou de látex, depende do tipo de trabalho que se quer. Faz-se o molde da cara e depois este é esculpido, depois encaixa-se na face e conclui-se o trabalho de caracterização, maquilhagem e cabelos, se for caso disso", explica Magda, que se encanta com os filmes da Disney e de Tim Burton por razões óbvias, que não se prendem só com a história.
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