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O TERMÓMETRO DOS ÓSCARES

Os prémios dos críticos estrangeiros em Hollywood celebram 60 edições esta noite, num espectáculo que promete parar os Estados Unidos. É o tiro de partida para a cerimónia de entrega dos Óscares, que se realiza a 23 de Março.
17 de Janeiro de 2003 às 17:52
Uma vez mais, a história repete-se. Todos os anos, por esta altura, a indústria cinematográfica norte-americana pára para assistir à entrega dos Globos de Ouro, o barómetro de quem está melhor posicionado na corrida aos Óscares. A importância da gala é tão elevada que os derrotados desta noite estarão praticamente condenados a fazerem um sorriso disfarçado e assistirem à coroação dos seus rivais, no próximo dia 23 de Março.

Entre os principais candidatos aos Globos deste ano, destaque para alguns nomes famosos da 7ª arte que, pela história e currículo, não deverão provocar grandes surpresas. A luta será deles, portanto.

Na categoria de melhor realizador, por exemplo, Martin Scorsese parece imbatível com “Gangs of New York”, embora Peter Jackson também esteja bem posicionado com o segundo capítulo da saga “O Senhor dos Anéis”. Mas o facto de ter arrebatado vários prémios durante o ano passado pode ser um entrave à repetição do êxito, dado que os jurados não têm especial prazer em dar destaque à mesma ‘personagem’ durante anos consecutivos. Assim, é mais fácil acreditar que Stephen Daldry faça furor com “The Hours” - película baseada no famoso livro de Michael Cunningham e que conta com o desempenho de três ‘rainhas’ de Hollywood. A saber: Meryl Streep, Julianne Moore e Nicole Kidman.

Num natural segundo plano estão os directores Alexander Payne, Rob Marshall e Spike Jonze, este último possuidor de um trabalho de registo na área da música e principal responsável por “Adaptation”. Para eles, a noite servirá para se ambientarem à pressão destes certames. Ainda têm um longo percurso pela frente, pelo que desta feita deverão ficar a aplaudir os consagrados e a ver como é que a ‘nata’ da sua classe se comporta nestas alturas.

Longe do Globo mas perto do Óscar, Steven Spielberg garantiu há uma semana um lugar no mítico “Passeio da Fama” e tem dois filmes que o deixam bem posicionado na corrida aos ‘bonecos carecas’ que valem contratos milionários: “Relatório Minoritário” e “Catch Me if You Can”. Mas outros nomes sonantes prometem dar luta, casos de Spike Lee, Roman Polanski, Paul Thomas Anderson e Sam Mendes. Difícil será escolher os cinco nomeados e certeza há só uma: a de que Pedro Almodóvar é mais do que favorito a trazer para Espanha mais um prémio de Melhor Filme Estrangeiro, pelo incontornável “Fala Com Ela”.

Hoje como em Março, complicado será adivinhar quem ganha o prémio de melhor filme “caseiro” (dizem que é em língua inglesa mas ganham quase sempre os norte-americanos), embora os favoritos sejam “The Hours”, “Gangs of New York” e “Chicago”. As máquinas de promoção funcionam agora a todo o vapor.

O ANO DE NICOLE

Na categoria de melhor actriz dramática – nos Globos é feita a distinção entre este género e a comédia ou o musical – a grande favorita é Nicole Kidman. A ex-mulher de Tom Cruise tem andado nas bocas do mundo pelo papel em “The Hours”, no qual foi obrigada a mascarar-se de Virginia Woolf, mercê de uma metamorfose quase perfeita realizada à custa de muitas horas diárias (mais de três, segundo consta) passadas na sala de maquilhagem. Há mesmo quem diga que ficou igual à escritora britânica, e que este será o seu ano de ouro. Se tudo correr segundo a lógica, o que nem sempre sucede, o prémio será dela, embora na mesma categoria a veterana Meryl Streep tenha uma palavra a dizer, até porque contracenam juntas. Por isso, esta noite as duas estrelas disputarão lado a lado o prémio, ofuscando as restantes candidatas: Salma Hayek (por “Frida”), Diane Lane (por “Unfaithful) e Julianne Moore (por “Far From Heaven”). Ainda assim, de salientar que Moore venceu este ano o prémio no Festival de Veneza e repetiu o façanha na distinção feita pela National Board of Review, primeiro ponto de partida numa época de muitos prémios. Um treino e um teste aos nervos para quando a frase a ouvir for “E o Óscar vai para...”.

Menos relevante mas ainda assim importante será a entrega do Globo para a melhor actriz de comédia ou musical, onde se destacam Goldie Hawn, Renée Zellweger e Catherine Zeta-Jones (estas duas últimas parceiras em “Chicago”). Contudo, dentro de pouco mais de dois meses é bem provável que nenhuma delas chegue ao Óscar de melhor actriz, já que fazer rir ou dançar não costumam ser acções reconhecidas pela Academia de Artes e Ciências de Hollywood.

O MITO DA CONSAGRAÇÃO

Drama é uma das especialidades de Jack Nicholson, esta noite principal candidato à vitória nessa categoria, onde também estão presentes Michael Caine e Daniel Day-Lewis. O mais fanático adepto dos Los Angeles Lakers tem que disputar um muito difícil encontro, mantendo debaixo de olho novatos como Leonardo DiCaprio e Adrien Brody (uma revelação em “O Pianista”). Mas a luta maior ficará para Março, sendo de esperar um verdadeiro duelo com Al Pacino, Robin Williams, Tom Hanks, Edward Norton e Ralph Fiennes.

Os Globos para Melhor Actor seguem na categoria de musical ou comédia, onde estão nomeados Nicolas Cage, Kieran Culkin, Richard Gere, Hugh Grant e Adam Sandler. O sobrinho de Coppola dá indícios de ter vantagem sobre os demais, mas Grant é sempre um candidato muito forte e Sandler vem reforçando a popularidade.
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