O verdadeiro chefe do maior cartel de droga

Advogado de ‘El Chapo’, a ser julgado em Nova Iorque, alega que o líder é ‘Mayo’.
Por Fernando Madaíl|25.11.18
O verdadeiro chefe do maior cartel de droga
Foto Jane Roosenberg
O narcotraficante mexicano Joaquín Guzmán Loera, antes da Netflix começar a exibir, no ano passado, a primeira temporada da série televisiva com o título da alcunha do maior ‘barão da droga’ – ‘El Chapo’ (‘O Baixinho’, pois só mede 1,68 metros) – , já era tão famoso que despertara o interesse de Hollywood. E o ator Sean Penn, aproveitando a cumplicidade que se estabelecera entre a atriz mexicana Kate del Castillo e o bandido de bigode negro, tinha tentado entrevistá-lo num esconderijo secreto nas montanhas de Sinaloa, para onde terá sido conduzido numa avioneta que escapava aos radares, como contaria num artigo da revista ‘Rolling Stone’.

‘El Chapo’, que está a ser julgado em Nova Iorque e pode vir a ser condenado a prisão perpétua, foi sempre apontado como o líder do principal grupo de tráfico de droga, o Cartel de Sinaloa – ao ponto de se tornar, após Osama bin Laden ter sido abatido, o criminoso mais procurado do Planeta. Mas o seu advogado de defesa, Jeffrey Lichtman, surpreendeu o Tribunal de Brooklin ao declarar, logo na primeira audiência, na terça-feira da semana passada, dia 13, que o seu constituinte "não controlava nada, pois quem o fazia era Ismael ‘Mayo’ Zambada" – o verdadeiro chefe. Lichtman foi mais longe: sustentou que o ex-sócio de Joaquín ‘El Chapo’ Guzmán "consegue que o exército e a polícia no México matem quem ele quiser" e revelou que o atual presidente, Enrique Peña Nieto, e o seu antecessor, Felipe Calderón, receberam "centenas de milhões de dólares em subornos" pagos por ‘Mayo’ Zambada – ambos os estadistas refutaram logo essa afirmação.

O promotor do Ministério Público, Adam Fels, pelo contrário, apresentou o arguido, não só como o responsável pela venda de narcóticos no país durante mais de 25 anos – só as toneladas de cocaína davam para cada um dos 300 milhões de americanos terem inalado um ‘risco’ de pó branco –, mas também como um assassino implacável, que torturava e executava membros dos grupos rivais (a guerra entre cartéis provocou um clima de terror no México, com tiroteios a matar crianças na escola ou cabeças decepadas lançadas em pistas de dança das discotecas), e a ameaçar testemunhas que irão agora depor sob anonimato. A acusação sustenta que tem um processo com 300 mil documentos, em que se incluem centenas de telefonemas e emails, gravações em vídeo e fotos de satélite.

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