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Correio da Manhã

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Os códigos de Leonardo Da Vinci

O homem, o pintor, o gastrónomo, o herege, o inventor, o anatomista. As mil e uma caras do mestre, num retrato íntimo do génio renascentista que inspirou algumas das obras mais polémicas dos últimos tempos.
14 de Maio de 2006 às 00:00
Peixe, queijo, legumes e verdura, carne, nozes vinho e pão. Não se esqueçam do pão! Há dois anos, Stephen Lanzalotta, uma padeiro que perdeu quase metade da sua clientela para a dieta Atkins, pobre em hidratos de carbono, apanhou uma boleia do ‘best-seller’ de Dan Brown, juntou-lhe uma pitada de matemática, levedada a partir do valor do ‘pi’, e criou uma alternativa chamada de dieta Da Vinci.
Em pouco tempo, Lanzalotta converteu-se em guru do regime alimentar, no prolongamento da herança de um dos mais fascinantes génios renascentistas: Leonardo Da Vinci, um iluminado apaixonante, sinónimo de sabedoria universal, com uma personalidade labiríntica.
Tão labiríntica como os corredores do Louvre, palco da conspiração de uma das histórias mais lidas de todos os tempos: ‘O Código Da Vinci’. Mas a obra de suspense que tirou definitivamente Leonardo do baú das recordações está longe de esgotar os mistérios mais íntimos desta figura. Que códigos secretos esconde Leonardo?
UM HOMEM POLIFACETADO
Forma de vestir extravagante, com as suas túnicas rosa-choque, anéis, botas de couro; e almoços à base de “enguias, alperces, pão e pimenta”, que certo dia saboreou, quiçá numa pausa durante a pintura da ‘Giocconda’. Um par de curiosidades deliciosas sobre Da Vinci.
Quando levava escritas quase dois terços de uma página de um manuscrito sobre geometria, actualmente na British Library, interrompe subitamente o raciocínio com um ‘etc.’ Na última linha, longe de fazer parte do teorema que descrevia, lê-se: “Perche la minestra si fredda”. Por outras palavras, deixara de escrever porque a sopa estava a arrefecer.
Outras pérolas de naturalidade e surpresa percorrem o quotidiano de Leonardo, fazendo do mestre mais multifacetado do Renascimento (1452-1519) uma figura peculiar ímpar. Voltando à sopa, calcula-se que fosse de verduras, já que nos últimos anos de vida se converteu ao vegetarianismo. E, provavelmente, a sua confecção coube à mulher que tinha a seu serviço, Maturina, a quem deixa em testamento “um casaco de bom pano preto”.
Esta viagem aos bastidores de Da Vinci, através dos seus cadernos de notas, é reconfortante. Afinal, Leonardo era um homem como os outros, apesar da dificuldade em retratá-lo. Charles Nicholl, autor de ‘Leonardo. O voo da mente’, uma das biografias mais famosas de Da Vinci (1452-1519), confirma a personagem excepcional, o gigante artístico e intelectual, e a tarefa hercúlea de desvendar o perfil de alguém tão zeloso da sua vida privada.
Muitas interrogações subsistem, como a da sua suposta homossexualidade. Certa é a dimensão da sua lista de descobertas e feitos: pintor, inventor, anatomista, músico, matemático e muito mais. No entanto, raramente se inclui a palavra ‘escritor’.
A verdade é que os manuscritos que chegaram aos nossos dias dão conta de 7000 páginas, apenas uma pequena parte do seu legado, servindo na perfeição para humanizar o artista. Leonardo distinguiu-se como transcritor de dados, um registador de pensamentos e observações, num tom desnudado, coloquial e lacónico, quase operático.
Os seus textos mais filosóficos resultaram em fábulas ao jeito de Esopo, momentos hilariantes, adivinhações e previsões, destinados a entreter a corte dos Sforza, em Milão, repletas de ressonâncias interessantes.
Com uma postura ambivalente, descreveu-se como “um homem iletrado”, que não aprendera latim, passando antes por academias que ensinavam sobretudo ofícios, e não conhecimentos intelectuais. Com frequência chegou a mostrar desdém pela classe letrada, os universitários, furtando-se a citar as autoridades escolásticas.
Destacava antes a “experiência, mestre dos mestres”, num fundo de desafio social. Leonardo converte em virtudes as suas carências de uma educação formal e o seu difícil começo como filho ilegítimo num meio rural e atrasado como Vinci. A sua mente está livre de preceitos; intelectualmente é um autodidacta.
O SENHOR DA LUZ E DA SOMBRA
Se a carga de intensidade de um artista se mede pelo mistério da sua obra, também a grandeza de um homem se avalia pela dimensão dos seus sonhos.
“Aquele que não ama, de igual forma, todas as coisas contidas na pintura, não será universal”, dizia Leonardo no ‘Tratado de Pintura’. Responsável pelo estabelecimento de um novo código de representação pictórica, manejou com virtuosismo os efeitos ópticos, a técnica do ‘sfumato’ e a composição piramidal. Em 1470, Da Vinci estreou-se como aprendiz no ateliê de Andrea del Verrocchio. Aos 20 anos, detinha o título de Mestre de Florença, iniciando-se com obras como ‘O Baptismo de Cristo’ e ‘Tobias e o Anjo’. Os modelos de pintura fixados com o Quatroccento, com os seus ideais de beleza apostados em melhorar a Natureza na arte, estão na sua mira. Mais tarde, Milão, sob a batuta de Ludovico Sforza, converteu-se na capital do seu talento.
Aí realizou ‘A Virgem das Rochas’, na senda das influências de Van Eyck. Na obra, deixou à vista a suavidade e a graça das figuras, a subtil gradação da luz e das sombras, abrindo caminho para a sua tela mais dissecada, alvo de teorias várias e de visitas constantes no Museu do Louvre, em Paris. Uma morada que a célebre Mona Lisa só conheceria muito depois de 1519, ano da morte do autor, num Castelo do Loire, local onde conservava esta obra e mais duas que nunca chegou a entregar: ‘São João Baptista’ e ‘A Virgem e o Menino com Santa Ana’.
UM ENGENHEIRO BÉLICO E DOMÉSTICO
Um engenheiro bélico e doméstico. À frente do seu tempo. Assim estava Leonardo, cujos esboços inspiraram inventos criados muitos séculos após a sua idealização. Obcecado em compreender o mundo, tirando o máximo de proveito das suas descobertas, foi um pioneiro da engenharia moderna, aplicando o saber científico ao desenho de instrumentos destinados a tornar a vida mais fácil. Observar para criar.
Era este o lema do Mestre que se dedicou ao estudo sistemático do voo das aves para tentar construir máquinas voadoras, concebendo elegantes desenhos aerodinâmicos, uma ideia ainda presente nos projectos aeronáuticos actuais mais vanguardistas. Ainda adolescente, para ganhar a vida, desenvolveu a vocação de inventor e engenheiro, apresentando as suas máquinas de guerra a diferentes governantes.
Em 1482, já em Milão, colocou à disposição de Sforza os seus modelos de pontes transportáveis, escadas, túneis subterrâneos, veículos cobertos, lança-chamas, catapultas e até fatos de mergulhador para ataques debaixo de água, com bombas de oxigénio improvisadas a partir de garrafas de vinho vazias.
Muitos não chegaram a ser construídos, mas nem por isso deixaram de inspirar mecanismos nascidos posteriormente. A sua ideia de pôr vários canhões a disparar em simultâneo não é mais do que um primitivo antecedente da metralhadora. Em alguns casos, a finalidade de certos esboços não chegou a ser conhecida. Caso de um robô criado em 1495, enquanto estudava o corpo humano para pintar ‘A Última Ceia’.
Outro dos seus engenhos que recentemente viu a luz do dia é um automóvel que funcionava graças a um complexo sistema de molas, semelhante ao de um relógio de corda. Leonardo aproveitou-se dos últimos avanços em matéria de relojoaria e estendeu o conceito a todas as classes de máquinas.
Os especialistas demoraram 70 anos a compreender o mecanismo e a apresentar um modelo real, o ano passado, no Museu de História da Ciência de Florença. Mais complicado é apurar se Leonardo também terá criado a calculadora. Assim julgava, pelo menos, Roberto Guatelli.
Este funcionário da IBM, habituado a reconstruir desenhos do artista italiano, criou em 1967 uma espécie de calculadora baseada nas suas anotações. Da Vinci também levou o seu talento à arquitectura. A partir de 1502, começou a trabalhar como engenheiro militar para o sanguinário César Bórgia. Nesta época, teve total acesso aos planos de várias cidades italianas e carta branca para construir fortificações e defesas.
A GOLPE DE BISTURI
A golpe de bisturi. Apaixonado pela anatomia, deu largas a uma prática vetada na sua época: a dissecação de cadáveres. Esta observação directa sobre cerca de uma dezena de corpos, abriu as portas para a descoberta do funcionamento de vários órgãos humanos e completou um dos seus trabalhos científicos mais relevantes.
A ideia surgiu muito antes de se encontrar com pessoas mortas totalmente desconhecidas. Aconteceu pouco antes da epidemia da peste de 1484, quando concebeu um projecto global sobre o homem que se chamaria ‘Sobre o corpo humano’. Estendeu as investigações do útero materno até aos mais pequenos mecanismos que regem o organismo.
Concluiria com uma análise dos sentidos e razões que explicam ‘os quatro estados universais’: a alegria, “com as várias faces do sorriso”; o pranto, “nas suas modalidades e causas”; a luta, “em relação ao homicídio, a ferocidade, a audácia e o assassinato”, e o trabalho. Os primeiros apontamentos datam de finais da década de 1480, quando dissecou animais mortos, como as vacas e bois, para estudar as respectivas anatomias. Duas décadas mais tarde, ‘atacou’ o corpo humano.
O alvo foi um ancião que horas antes de falecer lhe confessou que vivera cem anos sem qualquer maleita. O homem morreu sentado na sua cama do Hospital de Santa Maria, em Florença, e Da Vinci decidiu descobrir a causa. “A morte resultou de uma falta de sangue nas artérias que alimentam o coração e as partes inferiores do corpo”, escreveu Leonardo, numa espécie de diagnóstico pioneiro da medicina forense.
A autópsia em causa, datada de 1506, encetou uma nova etapa, escandalosa para a época, mas frutífera para a ciência. Da sua herança fazem também parte cerca de 1500 desenhos anatómicos, com destaque para os que permitiram compreender o papel do coração na circulação sanguínea e o funcionamento preciso das válvulas coronárias.
As revelações contribuíram sobremaneira para os conhecimentos da época sobre o corpo humano, decorrentes das culturas árabe e grega. A ‘teoria dos humores’, que explicava as enfermidades como desequilíbrios na harmonia natural dos homens, mantinha-se uma referência. Criador da anatomia moderna, a defesa da observação outorgou-lhe um lugar destacado no progresso científico.
PRECURSOR DA COZINHA MINIMALISTA
Puré de nabos, testículos de cordeiro, anchovas... As investigações de Leonardo estenderam-se ao fogão. Com a misteriosa aparição do ‘Codex Romanoff’, em 1980, atribuído ao artista, Da Vinci ficou na mira de editores e aficionados da gastronomia.
A partir deste compêndio de receitas mirabolantes, os estudiosos lograram descobrir esboços de electrodomésticos, formas de servir à mesa e regras de urbanidade. Estas notas de cozinha nunca chegaram a ser conhecidas na sua versão original, mas, verdadeiras ou falsas, os seus dotes de cozinheiro visionário dão que falar. Até pelas preocupações dietéticas e pelas propostas minimalistas enunciadas.
Contagiado pelo padrasto, um pasteleiro, terá revelado esta faceta desde tenra idade. Aos 20 anos, empregou-se numa taberna à noite, ‘Os Três Caracóis’, na qual ter-se-á encarregue das manobras na cozinha e surpreendido os clientes com sugestões extravagantes, que acabaram por provocar um motim. Frustrado, vagueia três anos por Florença até apresentar os seus préstimos a Ludovico Sforza.
“Faço pastéis como ninguém”, afirmava Leonardo, que acabou por ser nomeado chefe de festas e banquetes da Corte. A sua primeira missão foi organizar a boda de uma sobrinha de Sforza. Nunca concepção futurista, elege uma ementa à base de pepinos, folhas de alface, anchovas enroladas em folhas de nabo, corações de alcachofra, patas de rã, entre outros arrojados acepipes. Estonteado pelas sugestões, Sforza recusa a proposta e aconselha algo mais calórico, bem ao gosto da época: 600 salsichas, 300 pernas de porco, 1200 pastéis de Ferrara, 60 faisões e 2000 ostras de Veneza.
O novo fracasso leva Leonardo a concentrar-se na reforma das cozinhas palacianas e dos mais diversos instrumentos mecânicos para auxiliar as tarefas. “Fontes de fogo, provisões de água, chão limpo, aparatos para cortar, ralar, limpar. E também música”, eis o que fazia falta segundo o mestre, que concebeu uma série de dispositivos rudimentares. Muitos megalómanos e mal sucedidos. Bastantes para criar um mito que perdura.
RETRATO ESOTÉRICO DO MESTRE
Em 1550, três décadas após a morte de Leonardo, um outro pintor, Giorgio Vasari, o mesmo que desenhara o túmulo de Miguel Ângelo para a igreja da Santa Cruz de Florença, publicou a primeira biografia conhecida de Da Vinci. “Foi uma personalidade admirável e celestial, mas também chegou a ter umas concepções tão hereges que não se aproximavam de nenhuma religião, pois tinha em muito mais linha de conta o ser filosófico do que o ser cristão.
Não é fácil apurar se Leonardo terá pertencido a alguma sociedade secreta, mas uma coisa é certa: nunca foi membro nem presidiu ao Priorato de Sião, como refere Dan Brown na sua obra. No século XVI, ser filósofo supunha muito mais do que admirar os então recém-traduzidos textos de Platão. Passava pelo interesse pelas correntes do ocultismo, pela alquimia, a astrologia, por um hermetismo de novo cunho. A pintura de ‘A Última Ceia’ é um bom exemplo desta faceta e dos seus inúmeros devaneios religiosos.
Pietro Marani, codirector da equipa de restauro do célebre quadro, descobriu a chave de alguns mistérios apenas há quatro anos. “Parece que Leonardo se inspirou no Apocalipsis Nova, um texto herético escrito por João Mendes da Silva, também conhecido como Amadeo de Portugal”, afirma Marani. Este monge franciscano terá defendido nos seus escritos que a Virgem e o Baptista foram os verdadeiros protagonistas do Novo Testamento. Jesus, segundo ele, ter-se-á limitado a seguir as suas instruções. A análise do quadro leva-nos a conclusões surpreendentes. Heresia? Depreciação? Violência? Que mistérios encerram, afinal, as figuras retratadas? Talvez tantos como o seu autor. Javier Sierra, autor de ‘A Ceia Secreta’, deixa uma das muitas interrogações: “Por que terá decidido auto-retratar-se de costas para o Jesus?” Talvez quisesse apenas deixar claro para a posteridade que não era um bom cristão. É possível. No que toca a Leonardo, é garantido que a hipótese é sempre mais densa que a certeza.
CRONOLOGIA DE LEONARDO
1452 – Nasce a 14 de Abril, em Vinci
1453 – Termina a Guerra dos Cem Anos
1470 – Morre o seu avô e a família muda-se para Florença. O pai de Leonardo fá-lo ingressar na escola do pintor Verrocchio
1473 – A 19 de Fevereiro nasce o astrónomo polaco Nicolau Copérnico
1473 – Leonardo adquire o estatuto de mestre. Primeira obra pictórica: vista do vale do Arno
1475 – Pinta ‘A Anunciação’
1478 – Pinta a famosa ‘Madonna Benois’
1480 – Surge a Inquisição
1480 – Integra a Academia de Giardino de San Marco, sob o mecenato de Lorenzo o Magnífico de Médicis. Surpreende com a obra ‘A Adoração dos Magos’. O Vaticano rejeita a sua candidatura para pintar a Capela Sistina. Inventa o pára-quedas
1482 – Oferece-se a Ludovico Sforza, duque de Milão, como engenheiro e desenhador de máquinas bélicas (catapulta, tanque, ponte levadiça, entre outros). Pinta o retrato de São Jerónimo
1483 – Nasce Martinho Lutero
1487 – O Kremlin começa a ser construído
1488 – Desenhos sobre anatomia humana nos seus manuscritos
1492 – Esboços da máquina voadora
1495 – Miguel Ângelo esculpe ‘A Piedade’ e Botticelli pinta ‘A Piedade’
1495/97 – Pinta ‘A Última Ceia’. Começa a escultura em bronze de Francesco Sforza, destruída em 1499
1499 – Invasão de Milão pelos franceses. Fuga para Mantua e Veneza
1500 – Regressa a Florença. Novos esboços de máquinas voadoras
1502 – Trabalha para César Bórgia como arquitecto e engenheiro
1503 – Miguel Ângelo esculpe ‘David’. Nasce o astrólogo francês Michel Nostradamus
1503 – Começa a pintar a ‘Gioconda’
1506 – Regressa a Milão. Estudos sobre os fluidos: água, ar e fogo
1507 – Nomeado pintor da corte de Luís XII de França, que vivia em Milão
1508 – Miguel Ângelo começa as pinturas da Capela Sistina
1514 – Estada em Roma. Trabalho sob o mecenato de Giuliano de Médicis, irmão do Papa Leão X
1515 – Constrói um leão mecânico para a coroação de Francisco I, rei da França
1516 – Thomas More publica a sua ‘Utopia’
1516 – Parte para a corte do rei Francisco I, em Amblois, no Vale do Loire
1517 – Início da Reforma Protestante
1518 – Rafael pinta ‘A Sagrada Família’
1519 – Leonardo morre a 2 de Maio em Amblois, onde é enterrado
O FILÃO DE UMA HERANÇA INESGOTÁVEL
Desdobrado em múltiplas obras e polémicas, o legado de Leonardo atravessa os séculos e corre mundo dando provas da sua vitalidade.
‘O Código Da Vinci’, de Dan Brown, obra ficcional que narra a história de um analista em simbologia da Universidade de Harvard que descobre uma conspiração que data de dois mil anos, é um dos livros mais polémicos dos últimos anos. Publicado em 2003, já vendeu 40 milhões de exemplares em todo o mundo. Foi traduzido para 44 línguas e rendeu ao autor 67,5 milhões de euros em apenas um ano.
A controversa obra, duramente criticada pela Igreja Católica, que viu questionados muitos dos seus alicerces, continua a levar o autor ao banco dos réus, recorrentemente acusado de plágio e apropriações ilegítimas. Brown vai acumulando vitórias e ilibações, depois de em Agosto de 2005, um tribunal de Nova Iorque lhe ter dado razão numa acusação do escritor Lewis Perdue, que alegava que o autor tinha copiado elementos de dois dos seus livros (’Daughter of God’, de 2000, e ‘The Da Vinci Legacy’, de 1983).
A febre do ‘Código’ motivou o surgimento de novas obras em catadupa, como ‘O Código Da Vinci Descodificado’, de Simon Cox, ‘A Fraude de O Código Da Vinci’, de Sandra Miesel, os ‘Segredos do Código – O Que Ainda Não Foi Dito’ de Dan Burstein, até ao recente ‘O Código Stravinci’, de Toby Clements, em formato de paródia ao original. Não faltam ainda propostas de leitura para o público infanto-juvenil. José Jorge Letria lançou este ano uma biografia poética de Leonardo Da Vinci (‘Mestre Da Vinci’, da Âmbar), versando sobre o homem e a sua vida e obra, coadjuvado com ilustrações de Sarah Pirson.
Num ápice, as páginas dos livros pularam para a película. Os cinéfilos aguardam com expectativa a estreia de ‘O Código Da Vinci’ do realizador Ron Howard, inspirado no ‘best seller’ de Brown. Tom Hanks, Audrey Tautou, Ian McKellen, Alfred Molina e Jean Reno asseguram os principais papéis do filme que deverá abrir a 59.ª edição do Festival de Cannes, a 17 de Maio. No mesmo dia, chega às salas francesas e a 18 de Maio será lançado a nível mundial, altura em que a editora Bertrand lança ‘O Código Da Vinci – Making Of’, que documenta os bastidores da produção de Ron Howard (ver páginas ‘Imperdível’).
No mesmo dia, a editora publica ainda ‘O Código Da Vinci – Diário de uma Viagem’, que inclui um itinerário dos locais percorridos pelos protagonistas e excertos do romance dedicados aos espaços, monumentos e obras de arte mais emblemáticos da intriga.
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