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Os papas do fotógrafo de Marcelo

Presidente inaugurou exposição de Ochôa, em Roma, sobre as visitas papais a Fátima.
Susana Pereira Oliveira 17 de Novembro de 2019 às 09:00
Os papas do fotógrafo de Marcelo
Os papas do fotógrafo de Marcelo FOTO: Direitos Reservados

‘Papas Peregrinos de Fátima’ é o título da exposição de Rui Ochôa que está em exibição no Instituto Português de Santo António em Roma (IPSAR), Itália. A mostra fotográfica do atual fotógrafo oficial de Marcelo Rebelo de Sousa surgiu após um convite da Embaixada de Portugal em Itália.

Até dia 30 é possível visitar a exposição gratuitamente e observar o trabalho do também fotojornalista portuense e antigo diretor de fotografia do ‘Expresso’ (1989 - 2008), semanário que Marcelo fundou, com o qual colaborou e do qual chegou a ser diretor (1979-1981). São 44 fotografias que testemunham e registam as visitas de Papas a Portugal ao longo dos últimos 50 anos. Nestas imagens, registadas durante as celebrações do Dia 13 de Maio, surgem os Papas Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e, por fim, Francisco.

A exposição, em exibição no número seis da Via del Portoghesi, surge de um conjunto de parcerias. É uma iniciativa da Embaixada de Portugal em Itália que conta com a colaboração da Santa Sé, do IPSAR, do Santuário de Fátima, do Instituto Camões e da TAP. O alto patrocínio da exibição ficou a cargo da Presidência da República portuguesa. Por isso mesmo, Marcelo Rebelo de Sousa marcou presença na inauguração da exposição, na passada segunda-feira. Uma promessa que já tinha feito há dois anos.

"É muito interessante ver a projeção universal crescente do fenómeno de Fátima", começou por dizer o Presidente da República no IPSAR. Para Marcelo Rebelo de Sousa, nesta mostra "está retratado o povo português católico e peregrino e não apenas os Papas" e ainda "a universalidade de Fátima". "A grande riqueza desta exposição demonstra o talento do fotógrafo, mas também demonstra o peso do tema inspirador", disse ainda o Chefe de Estado, enaltecendo que "é bom ver isso celebrado numa instituição [IPSAR] que foi sempre considerada território português em Roma, em termos materiais mas sobretudo humanos".

Já para o autor das fotografias, Rui Ochôa, "este conjunto de fotografias retrata para além do espaço físico em que ocorrem as peregrinações [Fátima], o sentimento de fé dos vários milhares de pessoas que ali acorrem". O fotógrafo que celebra este mês 44 anos de carreira explicou que a temática desta mostra fotográfica se prende com o facto de ser católico: o santuário sempre o fascinou. Para o fotojornalista, o mérito do trabalho agora apresentado "não é do fotógrafo, é de todo o Mundo que é Fátima".

Ochôa afirmou ainda que esse mundo "revela a condição humana e a forma como as pessoas estão perante a fé e a vida". "A melhor maneira de podermos transportar o passado para o futuro é através destes testemunhos que fazemos" com base nas imagens, explicou Rui Ochôa, relembrando o trabalho desenvolvido pelo primeiro fotojornalista português, Joshua Benoliel, que fotografou a Implantação da República a 5 de outubro de 1910.

"Se as fotografias dele não existissem, não fazíamos a mínima ideia do que tinha acontecido", exemplificou. Ochôa realçou ainda o "respeito" que teve na abordagem fotográfica às visitas de Papas e os peregrinos em Fátima. "É fundamental ter respeito naquele local onde as pessoas vão rezar e estar consigo próprias", disse, sublinhando ainda que "o fotógrafo não pode ser intrusivo".

Curadora e filha
A curadora escolhida para selecionar e tratar das fotografias expostas agora em Roma, e transportadas pela TAP, foi Elisa Ochôa, filha do autor. Para a conservadora de arte foi uma oportunidade "muito boa" poder participar neste trabalho. "Transmitir estas fotografias, este legado e este testemunho histórico" foi "ótimo", sublinha Elisa Ochôa, que teve a possibilidade de "perceber o que era mais importante, mantendo um olhar mais distanciado e crítico".

Rui Ochôa, que fotografou Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão e Aníbal Cavaco Silva, é atualmente o fotógrafo oficial de Marcelo Rebelo de Sousa; é de sua autoria o livro ‘Afectos, Presidenciais 2016’, edição Texto Editores, que retrata a campanha do político para Belém. O fotojornalista admite que "fotografar políticos é uma grande responsabilidade porque as imagens acabam por ter de refletir a personalidade da pessoa fotografada". "Temos de ter mais cuidado. Mas isso não me condiciona", avançou quem fez também a cobertura de acontecimentos históricos como a queda do Muro de Berlim, a Revolução de Bucareste ou a primeira Guerra do Golfo.

Para Rui Ochôa há elementos comuns entre fotografar pontífices e Marcelo Rebelo de Sousa. Entre risos, o fotojornalista relembrou que "há quem diga que o Presidente é o Papa Francisco". "Há muitas semelhanças, porque a popularidade do nosso Presidente assemelha-se um pouco à popularidade e à maneira de estar perante as pessoas e os outros do Papa Francisco", explicou.

Rui Ochôa confidenciou ainda que fotografar Marcelo Rebelo de Sousa "é um grande prazer, porque é um grande amigo".

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